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quarta-feira, 8 de abril de 2009

LIBERDADE SEM MEDO - A.S.NEILL

A Pedagogia de A.S. Neil
25.Fevereiro.2009

Mesmo antes de conhecer suas ideias, já pensava numa explicação que se aproximava daquela defendida pelo educador britânico A. S. Neill sobre a hipocrisia das escolas. Conforme ele escreveu no seu livro Liberdade sem Medo, a educação deve possuir como principal característica a adequação do interesse da criança àquilo que ela tem real necessidade de saber.

Para ele, a imposição de um conteúdo educacional comum cria cidadãos padrões, despersonalizados, e o que é pior, que não sabem aplicar na vida prática o conhecimento adquirido na escola. São alunos, enfim, sem espírito de contestação. O aluno apenas apreende, memoriza e depois esquece - nunca reflete.

E por mais que os professores digam que seus alunos devem pensar criticamente sobre o conteúdo que lhes é ensinado - e os professores dizem isso mesmo - eles nunca vão desejar realmente que seus alunos pensem criticamente. Por uma simples razão. Pensar criticamente é, antes de mais nada, questionar autoridades. É questionar o autor do livro, é averiguar se o que é ensinado é plausível, é tentar descobrir os pré-conceitos e ideias embutidas numa simples teoria.

Aqui surge o problema do “pensar crítico”: o que é o professor se não autoridade? Ensinar o aluno a pensar por si próprio é o primeiro motivo para que ele não obedeça mandos que se sustentam, na maior parte das vezes, pela violência. O medo que um professor impõe ao aluno é apenas o medo que ele tem de ser exposta sua completa e total falta de autoridade. Seu lastro é a ameaça, nada mais.

Para A.S. Neil, por vez, a função da escola seria a de deixar a criança livre para aprender o que bem entender. Ao mesmo tempo, ela deveria ser capaz de fornecer meios necessários para que os jovens desenvolvessem suas potencialidades inatas. Se eles quisessem ser artista, pois bem. Se pretendessem ser médicos ou operários, ninguém teria o direito de desviar seus estudos nesse sentido.

Tendo por principal característica a não-repressão, sua pedagogia prima pela livre e espontânea escolha por parte das crianças em selecionarem seus interesses. Nesse sistema, não há avaliações individuais; não há mensuração do conteúdo adquirido. Existe apenas o estímulo de fazer o conhecimento ser útil para determinada finalidade.

Escreveu ele: “A criança modelada, condicionada, disciplinada, reprimida, a criança sem liberdade cujo nome é Legião, vive em todos os cantos do mundo. Vive em nossa cidade, mesmo ali do outro lado da rua. Senta-se a uma cadeira monótona de monótona escola, e mais tarde senta-se a uma escrivaninha ainda mais monótona de um escritório, ou no banco de uma fábrica”.

Por fim, ele ainda se refere a essa criança criada sob os moldes tradicionais como sendo “dócil, disposta a obedecer a autoridade, medrosa da crítica, e quase fanática em seu desejo de ser normal, convencional e correta. Aceita o que lê ensinaram quase sem indagações, e transmite a seus filhos todos os seus complexos, medos e frustrações”.

O mais curioso é que vemos diariamente isso; pais transmitem aos seus filhos os mesmos ensinamentos que seus pais religiosamente ensinaram, que por sua vez receberam de seus avós, bisavós e assim sucessivamente. Uma cadeia de ensinamentos que nunca é questionada. Ao contrário do que ensinava A.S. Neil, a escola é utilizada como um dos meios mais eficazes para a manutenção desse tipo de espírito. A ruptura, talvez, seja mero preconceito da tradição.

FONTE: http://orinocerontevoador.wordpress.com/2009/02/25/a-pedagogia-de-as-neil/

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