quarta-feira, 8 de abril de 2009
" ... estado de ereção intelectual permanente" - Livro de Rubem Alves "Ao mestre com meu carinho"
(...)A analogia entre fazer amor e educação me sugeriu uma
outra divertida e instrutiva analogia: a analogia entre
a inteligência e o pênis. Se acham que fiquei doido,
digo-lhes que outras pessoas, antes de mim, perceberam
a mesma coisa. Fernando Pessoa, por exemplo, na sua
"Saudação a Walt Whitman", fala sobre "uma ereção
abstrata e indireta no fundo da minha alma...”
E Dalí dizia: "Eu vivo em estado de ereção intelectual
permanente." Ereção, como é sabido por todos; é o
estado do pênis, contrário à sua condição de flacidez.
Flácido, o pênis tem apenas funções excretoras,
urinárias. Freqüentemente os homens se envergonham
dele, em decorrência do tamanho, que julgam pequeno.
Ereto, o pênis é outro órgão. Tem poder para dar
prazer e para fecundar. Um pênis ereto é uma promessa
de amor e uma possibilidade de vida. E o que é que
produz o pênis ereto? Sei as respostas dos médicos.
São os hormônios, é o sangue, são os músculos.
É verdade. Esses elementos constituem a hidráulica
da ereção. Mas o que é que dispara esse processo?
Qual o fator excitante original? Sem excitação não
existe ereção.
É assim, precisamente, que funciona a inteligência.
Lá está ela, flácida e ridícula. Pequena
demais. Talvez inexistente. "Curto de inteligência,
meio burrinho...”, se diz. Não se nota que ela está
assim porque ainda não houve um objeto de amor que a
excitasse para ter uma ereção.
Encontrei, num aeroporto, um livro de psicologia barata.
Intrigado pelo nome A sabedoria do pênis (Aha! Fiquei
curioso! Minha inteligência teve uma ereção, excitada!),
comprei. O autor relatava de uma mulher que se
queixava de que todos os homens eram impotentes.
Ao que ele comentou: "Ela não percebia que
ela tornava os homens impotentes...” A inteligência
é assim: há professores - e incluo aqui os professores
de escola, pais, mães, instrutores - que têm a
extraordinária capacidade de criar impotência de
inteligência. (Pois, se existe impotência sexual
e a analogia é válida, tem de haver impotência
de inteligência.) Seria interessante que houvesse
avaliação dos professores para saber quais são
os excitantes e quais são os brochantes. Esses
últimos são perigosos. Exibem seus talos de saberes
para humilhar os que ainda não sabem. O que desejam,
mesmo, é produzir eunucos.
O pênis em ereção está procurando. Ele ainda não encontrou.
Por isso sofre. A inteligência em ereção é também
uma procura; ela não tem ainda. Não confundir habilidade
com inteligência. Habilidade são os automatismos
desenvolvidos para resolver exercícios. Elas têm
a ver com aquilo que já se aprendeu. O vestibular
é uma prova de habilidades. Ser o primeiro no
vestibular é prova de habilidade e de memória.
Mas não é prova de inteligência. Porque a inteligência
é a procura do desconhecido que não foi ensinado e não é sabido.
Diferente do pênis ereto, o útero é o vazio onde se
depositam sementes. Lá o sêmen não fica sêmen.
Ele se encontra com o óvulo que estava à espera.
E aí uma coisa se inicia, diferente de tudo o
que houve no passado. O útero é lugar de criação,
onde o novo é gerado. A mente é como o útero:
nela o pensamento procria. É nela que se geram
os poemas, a literatura, as obras de arte,
as invenções, as teorias científicas. Não
confundi-la com a memória, que é o lugar onde
ficam guardadas as repetições. A memória é
um estômago de ruminante: as coisas vão e
voltam. É assim que se fazem as avaliações
escolares: testando a habilidade do aluno
para repetir o que foi anteriormente aprendido.
Avaliações escolares e exames vestibulares são
testes dos estômagos ruminantes dos alunos.(...)
RUBEM ALVES - DO LIVRO:"Ao professor com meu carinho"
"Ao professor, com o meu carinho" (2004)
Rubem Alves, com seu estilo peculiar e contundente,traz à tona algumas das críticas que vem apresentando, ao longo do tempo, ao sistema educacional. Quem o conhece de perto sabe que suas críticas são a manifestação de uma ansiedade profunda por ver oferecida a nosso alunos uma educação mais justa, por meio da qual também o professor possa se realizar em sua vocação de mestre.
LIBERDADE SEM MEDO - A.S.NEILL
25.Fevereiro.2009
Mesmo antes de conhecer suas ideias, já pensava numa explicação que se aproximava daquela defendida pelo educador britânico A. S. Neill sobre a hipocrisia das escolas. Conforme ele escreveu no seu livro Liberdade sem Medo, a educação deve possuir como principal característica a adequação do interesse da criança àquilo que ela tem real necessidade de saber.
Para ele, a imposição de um conteúdo educacional comum cria cidadãos padrões, despersonalizados, e o que é pior, que não sabem aplicar na vida prática o conhecimento adquirido na escola. São alunos, enfim, sem espírito de contestação. O aluno apenas apreende, memoriza e depois esquece - nunca reflete.
E por mais que os professores digam que seus alunos devem pensar criticamente sobre o conteúdo que lhes é ensinado - e os professores dizem isso mesmo - eles nunca vão desejar realmente que seus alunos pensem criticamente. Por uma simples razão. Pensar criticamente é, antes de mais nada, questionar autoridades. É questionar o autor do livro, é averiguar se o que é ensinado é plausível, é tentar descobrir os pré-conceitos e ideias embutidas numa simples teoria.
Aqui surge o problema do “pensar crítico”: o que é o professor se não autoridade? Ensinar o aluno a pensar por si próprio é o primeiro motivo para que ele não obedeça mandos que se sustentam, na maior parte das vezes, pela violência. O medo que um professor impõe ao aluno é apenas o medo que ele tem de ser exposta sua completa e total falta de autoridade. Seu lastro é a ameaça, nada mais.
Para A.S. Neil, por vez, a função da escola seria a de deixar a criança livre para aprender o que bem entender. Ao mesmo tempo, ela deveria ser capaz de fornecer meios necessários para que os jovens desenvolvessem suas potencialidades inatas. Se eles quisessem ser artista, pois bem. Se pretendessem ser médicos ou operários, ninguém teria o direito de desviar seus estudos nesse sentido.
Tendo por principal característica a não-repressão, sua pedagogia prima pela livre e espontânea escolha por parte das crianças em selecionarem seus interesses. Nesse sistema, não há avaliações individuais; não há mensuração do conteúdo adquirido. Existe apenas o estímulo de fazer o conhecimento ser útil para determinada finalidade.
Escreveu ele: “A criança modelada, condicionada, disciplinada, reprimida, a criança sem liberdade cujo nome é Legião, vive em todos os cantos do mundo. Vive em nossa cidade, mesmo ali do outro lado da rua. Senta-se a uma cadeira monótona de monótona escola, e mais tarde senta-se a uma escrivaninha ainda mais monótona de um escritório, ou no banco de uma fábrica”.
Por fim, ele ainda se refere a essa criança criada sob os moldes tradicionais como sendo “dócil, disposta a obedecer a autoridade, medrosa da crítica, e quase fanática em seu desejo de ser normal, convencional e correta. Aceita o que lê ensinaram quase sem indagações, e transmite a seus filhos todos os seus complexos, medos e frustrações”.
O mais curioso é que vemos diariamente isso; pais transmitem aos seus filhos os mesmos ensinamentos que seus pais religiosamente ensinaram, que por sua vez receberam de seus avós, bisavós e assim sucessivamente. Uma cadeia de ensinamentos que nunca é questionada. Ao contrário do que ensinava A.S. Neil, a escola é utilizada como um dos meios mais eficazes para a manutenção desse tipo de espírito. A ruptura, talvez, seja mero preconceito da tradição.
FONTE: http://orinocerontevoador.wordpress.com/2009/02/25/a-pedagogia-de-as-neil/
segunda-feira, 9 de março de 2009
Simetria, Reversibilidade e Reflexividade
Além dessas dicotomias, a antropologia freqüentemente se assentou também sobre uma forte e obsessiva procura da ordem. A análise social era uma tentativa de enquadrar pessoalidades em pessoas, socialidades em sociedades, era integrado. A lei, a estrutura, o fucionamento e a moralidade permitiram à antropologia moderna entender alguns aspectos da vida social, mas agora o resultado analítico vinculado a olhares ancorados de modo rígido em conceitos totalizadores e sistematizadores aparece como deficitário. Essa rigidez aparece - cada vez mais - como mero reflexo da moralidade, lei e sistema político do Ocidente, ou melhor, como reflexo de um Ocidente baseado mais no contrato, no pai, e na regra, do que na imanência das variações e na multiplicidade da experiência. Esse novo olhar, assim, não é uma proposta para a antropologia de tentar entender agora os povos, ou diversas situações, como um pastiche desconexo (não seria isso o correlato pós-modernista ocidental do reflexo feito pela antropologia moderna sobre seu objeto?). Um novo olhar, talvez, é a proposta de uma análise que não tenha apoio único e definitivo no momento da lei, da ordem e do controle estatal, social ou cultural.
Trata-se hoje, pois, de tentar responder à seguinte questão: em um terreno histórico e teórico onde se torna cada vez menos pertinente a distinção entre Primitivo e Civilizado (ou Eles e Nós, “observado” e ”observador”), Indivíduo e Sociedade (ou Parte e Todo, “micro” e “macro”) e Natureza e Cultura (ou Uno e Múltiplo, “realidade” e “representação”), que relevância continua a ter a idéia tradicional de “antropologia social” ou “cultural”? Para além disso, que relevância pode ter a idéia mesma de antropologia, uma vez que tanto o anthropos - enquanto totalidade transcendental - quanto o logos - enquanto prática de conhecimento supostamente privilegiada - estão sob suspeita? É preciso que nos decidamos de uma vez por todas a ir além dessa disciplina, ou bastará livar-nos simplesmente dos adjetivos que a caracterizam? As respostas - esta é a nossa aposta - implicam a elaboração de uma linguagem conceitual alternativa, centrada nas idéias de rede (que dissolve a distinção entre parte e todo), multiplicidade (que desloca o dilema da unidade e da pluralidade), e simetria ou simetrização (que extrai todas as conseqüências da falência do contraste entre primitivo e civilizado).
* Ressalte-se que, de fato, a idéia de simetrização talvez seja preferível à de simetria. Simetrização indica uma prática, em oposição à simetria (latouriana, mas não apenas), que pode trair um a priori conceitual fundado na idéia de um cancelamento progressivo das diferenças, quando na verdade se trata de exponenciar as diferenças, torná-las intensivas e ondulatórias.
A elaboração de tal linguagem alternativa não é tarefa fácil, nem consensual. Pois as transformações radicais ocorridas no campo da antropologia “sociocultural” ao longo das três últimas décadas parecem ter se refletido muito mediocremente em seu ensino e em suas formas institucionais de organização e divulgação. Em relação ao primeiro ponto, Tim Ingold já observava, desde 1996, (“Preface” a Key debates in anthropology, p. IX), que parece haver “uma distância cada vez maior entre a antropologia tal qual é praticada e o modo pelo qual a disciplina é publicamente apresentada e ensinada aos estudantes. Por que supor que todos os grandes debates (...) tiveram lugar no mais distante passado?”. Diagnóstico que é provavelmente verdadeiro para muitas das outras disciplinas que ocupam esse vago campo denominado ciências humanas. E que, por outras e consabidas razões, é ainda mais provavelmente verdadeiro no que concerne ao ensino da antropologia (e demais ciências humanas) no Brasil. (...)
LEIA MAIS EM : http://abaete.wikia.com/wiki/Simetria%2C_Reversibilidade_e_Reflexividade
sábado, 28 de fevereiro de 2009
O que é o virtual? Pierre Lévy (livro)
Editora: Quarteto Editora
Ano de Publicação da 1ª Edição: 2001
Titulo Original: Qu'est-ce que le virtuel?
Tradutor: Sandro Patrício Gama Nóbrega
Opinião:
Pierre Lévy, filósofo e professor do Departamento de Hypermedia da Universidade de Paris VIII, descontroi a problemática do virtual. O que é o virtual? É a questão que coloca a si próprio e em dez capítulos analisa detalhadamente diversos aspectos do virtual pela positiva, oferecendo ao leitor uma nova abordagem acerca deste tema.
... A virtualização
O virtual existe como potência, não é, portanto, um conceito oposto ao real, mas é oposto ao conceito actual. A actualização e a virtualização são dois conceitos diferentes. A actualização é uma solução de um determinado problema, um resultado de factores que se conjugam e originam uma solução. Pierre Lévy define a actualização como “uma criação, invenção de uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e de finalidades.” A virtualização é oposta à actualização pois não se trata de uma solução, mas sim uma “mutação de entidade”, uma deslocação da entidade no espaço.
Pierre Lévy descreve um exemplo no livro “O que é o Virtual?”: o caso das empresas virtuais. Uma empresa organizada classicamente dispõe os seus trabalhadores num espaço determinado. Já uma empresa virtual abre as portas ao teletrabalho. Estas empresas virtuais criaram um problema que deriva da forma como são organizadas. Nas empresas clássicas existiu uma actualização, ou seja, de um problema passou-se a uma solução: organizar uma empresa através de critérios clássicos: horários estabelecidos, postos de trabalho físicos. A virtualização das empresas veio criar um problema (ruptura com as regras tradicionais) que advém da solução (regras tradicionais) encontrada pelas empresas clássicas. Conclui-se, portanto, que a virtualização não se opõe ao real, mas é um factor que origina novas realidades particulares. Consegue trazer à organização da sociedade uma maior liberdade. A maior liberdade concretiza-se no espaço. A empresa deixa de ter um lugar físico preciso.
Quer as empresas, como os textos, os corpos, a arte, a economia estão a transformar-se e como Miguel Serres no livro Atlas escreve, a virtualização é como um “para lá de algo.” Estar “lá”, naquele espaço significa existir, no entanto, a virtualização comprova que o facto de não estar lá não significa necessariamente que não exista. Uma comunidade virtual move-se por um conjunto de interesses, amizades, rivalidades, ou pelos mesmos problemas. Esta comunidade está “para além de algo” pois não existe em lugar nenhum lugar específico no espaço. O espaço onde tudo se desenrola é virtual. Trata-se de uma nova cultura virtual, uma cultura nómada, que se move no virtual onde os assuntos surgem com um “mínimo de inércia.” Nesta nova comunidade “a sincronização substitui a unidade do espaço, a interconexão substitui a unidade do tempo,” tudo o que era real muda de identidade para o virtual.
Existe um novo espaço e uma nova velocidade na virtualização. Pierre Lévy explica em primeiro lugar que todos os seres vivos inventam o seu tempo e o seu espaço específico. Mesmo no caso do Homem o tempo e o espaço varia consoante a cultura e o conhecimento de cada humano. Nova Iorque hoje está relativamente perto de Lisboa para quem sabe o que é um avião e para quem já viajou num. No entanto, um homem que nunca tenha viajado num avião nem saiba o que ele é, o seu espaço será muito mais reduzido e o seu tempo será maior. Lévy escreve o exemplo do comboio pois foi o primeiro meio de comunicação/transporte que mais encurtou distâncias no mundo.
Neste primeiro capítulo aparecem diversas comparações entre a sociedade que debate o tema do virtual e o modo de vida nómada dos tempos primitivos do Homem. Neste momento o Humano viaja no espaço sem nenhum destino específico, mas com mais possibilidades de existência. O autor refere que “o turismo é, a indústria mundial que mais lucros apresenta.” Ora mas a questão importante é lançada a seguir: “A multiplicidade dos media e o crescimento dos débitos de comunicação substituirão a mobilidade física?” Pierre Lévy, com incerteza responde que não. Quem recorre mais ao telefone, é quem convive mais no exterior, ou seja, quem faz um maior uso das tecnologias de comunicação é, também, quem se move mais no social. A virtualização não vem eliminar os espaços já existentes, vem reforçá-los com criação de novos.
A criação de espaços novos é um problema no caso das empresas virtuais onde o trabalho facilmente se mistura com o domínio privado (a sua casa). Nas empresas clássicas havia uma separação. O trabalho realizava-se no local adequado e o domínio privado, a casa, nunca era invadido pelo público, o trabalho. Nas empresas virtuais o trabalhador muitas vezes já não sabe para quem está a trabalhar pela multiplicidade de recursos que existem. As fronteiras do real deixam de existir no virtual e as regras de organização física perdem o sentido que antes tinham. Começa-se a colocar em causa as regras e por isso se pode afirmar que a virtualização é sempre heterogénese: “processo de acolhimento da alteridade.” O “efeito Moebius” retrata este aspecto: “a passagem do interior ao exterior, e do exterior ao interior.”
... A virtualização do corpo, do texto e da economia
Antes de se avançar na leitura destes três capítulos onde Lévy analisa em detalhe o texto, o corpo e a economia pelo caminho da virtualização, é necessário compreender conceitos como: “O real, a substância subsiste ou resiste. O possível esconde formas não manifestadas, escondidas, onde insistem. O virtual, como já foi referido, não está lá, a sua essência está na saída, ele existe. Por fim, sendo manifestação de um acontecimento, o actual ocorre, a sua operação é a ocorrência.” Pág. 131 Mas também será necessário compreender o que é de facto a virtualização: “operações de problematização, de desterritorialização, de comunhão, de constituição recíproca da interioridade e de exterioridade.” – Pág. 92 Após o entendimento destes conceitos a leitura do livro será mais objectiva e poder-se-á avançar com a leitura, que se quer inteligível, dos capítulos “A virtualização do corpo”, “A virtualização do texto” e “A virtualização da Economia”
O corpo humano é agora compreendido pelo Homem através da medicina. Tornou-se um objecto modificável através de operações plásticas, dietas, drogas, hormonas, quase tudo passou a ser possível de alteração. Além disso as tecnologias de comunicação permitem ao Homem estar “aqui e ali”, estar num espaço físico e noutro ao mesmo tempo independentemente da distância pois a velocidade de transmissão é muito rápida. Convém aqui lembrar esta frase de Pierre Lévy “a sincronização substitui a unidade do espaço, a interconexão substitui a unidade do tempo,” A virtualização do corpo será uma etapa da virtualização que começa ainda a dar os primeiros passos, tal como foi a da economia e a do texto. Os nossos desejos, actividades físicas e psíquicas necessitam de uma exterioridade que ocorre na virtualização. A exteriorização é feita por todos e na virtualização podemos ter acesso às sensações do outro, nos sistemas avançados da realidade virtual em quase tudo a experiência do outro é semelhante à nossa. Mas o Homem não parece ficar por aí. Até o corpo está a ser projectado no virtual, onde através da técnica consegue-se “reconstruir modelos numéricos do corpo em três dimensões.” Somos assim organismos híbridos - que se afastam das leis naturais – e passamos a ter um “hipercorpo”, onde tudo se partilha e tudo se adiciona e o aqui e agora tem muita importância nestes novos corpos pois todas as emoções procura-se que sejam intensas, por conseguinte, justifica-se cada vez mais a adesão a desportos radicais, de forma a evidenciar a nossa condição mortal. Lévy termina este capítulo com um parágrafo onde descreve de forma sucinta todo o processo do “hipercorpo” num texto narrativo com tonalidades poéticas: “O meu corpo é a actualização temporária de um enorme hipercorpo híbrido, social e tecnobiológico. O corpo contemporâneo é como uma chama, muitas vezes minúsculo, isolado, separado, quase imobilizado. Depois, ele sai de si mesmo, intensificado, pelos desportos ou pelas drogas, passa por um satélite, liga-se então ao corpo público e queima-se com a própria chama, brilha com a mesma luz do que os outros “corpos – chama”. De seguida, volta a si, transformado, numa esfera quase privada aqui e por todo o lado, tanto em si como misturado. Um dia, ele separa-se completamente do hipercorpo e apaga-se.”
Enquanto que a virtualização do corpo ainda é um processo que está a decorrer, a virtualização do texto já ocorreu. Pierre Lévy indica-nos que o texto sempre foi um “objecto virtual.” Não está nem esteve dependente de um suporte físico específico. No entanto, apesar do texto se um “objecto virtual” quando o lemos, automaticamente actualizamos o assunto, construindo uma “paisagem semântica móvel e acidentada” como escreve Lévy. Como tecnologia intelectual a escrita virtualiza a nossa memória, não se podendo afirmar que a escrita é apenas um registo da palavra. Contudo a virtualização da memória não deverá ser confundido com o informático. O hipertexto - “matriz de textos potenciais” - apresenta-se na World Wide Web como um continuum de texto, e existe um enriquecimento na leitura pois o hipertexto além de ser um continuum de textos é também uma nova forma de apresentar o texto. “O hipertexto numérico definir-se-ia, então, como uma colecção de informações multimodais dispostas numa rede, navegável de forma rápida e intuitiva.” Existe uma desterritorialização do texto no ciberespaço, as noções de “unidade, identidade e localização” deixam de ter sentido. O ciberespaço, através do texto, acaba por ser um reflexo da sociedade. O texto projecta-se no mundo virtual através do efeito Moebius. A busca do texto no ciberespaço também é diferente. Procura-se o nosso pensamento no aqui e agora e não o pensamento do autor. Lévy, para concluir, escreve acerca de uma futura ideografia dinâmica que está a surgir, baseando-se nos ícones informáticos e nos jogos de vídeo.
Na economia tudo caminha para o virtual. “A humanidade nunca consagrou tantos recursos a não estar lá.” Metade da actividade económica mundial baseia-se nos serviços de transporte e a actividade que apresenta mais lucros é o turismo. No entanto, não é apenas esta desterritorialização que marca presença na virtualização da economia. Existem invenções ou mecanismos que acentuam a virtualização da economia: os bancos online, por exemplo. Também a informação e o conhecimento passaram a ter uma nova relevância na nova economia após a segunda guerra mundial. Tornaram-se bens primordiais. São importantes pois assistimos a uma “emergência de uma economia de abundância” e o conhecimento e a informação podem proporcionar outro tipo de riqueza que não se pensava na “economia de raridade.” Ora mas o que é a informação? Virtual ou imaterial? A informação não é material nem imaterial, trata-se de uma ocorrência. A informação é virtual pois existe “uma separação de um aqui e agora particulares, passagem ao domínio público e, sobretudo, heterogénese.” Mas na virtualização da economia até o modo de pagamento do trabalhador se altera. O trabalho deixa de ser pago à hora, para ser pago consoante a competência de cada indivíduo, o seu potencial. Com a crescente informação coloca-se a questão do copyright. No caso do texto o que se pagava era o suporte físico do mesmo e não o texto em si. Lévy afirma que a perspectiva é pagarmos pela utilização e não pelo objecto em si. Existe assim “uma passagem de uma propriedade territorial rígida a uma retribuição de flutuações desterritorializadas, e a transformação de uma economia de valor de troca em economia de valor de uso.” A outra solução apresentada é haver um pagamento da actualização do hipertexto, uma forma de ele ser entendido. Nesta nova economia existe um macropsiquismo que se forma: “operações do pensamento, emoções, conflitos, entusiasmos, ou esquecimentos” que é decomposto pelo autor analisando a sua conectividade, semiótica, axiologia e energética.
... As três virtualizações que fizeram o humano
No quinto capítulo, Lévy desenvolve o que diz ser “um retomar da autocriação da humanidade.” Esta autocriação da humanidade é possível pelo facto de existirem três processos de virtualização que permitiram o desenvolvimento da linguagem, das instituições e da técnica. Importa indicar que a linguagem é a virtualização do aqui e agora, a técnica é a virtualização da acção e o contrato a virtualização da violência. A humanidade recriasse através de processos de virtualização que permitem a organização de uma sociedade mais evoluída.
... As operações da Virtualização ou o Trivium antropológico
Se Pierre Lévy não fosse filósofo este capítulo com certeza não existia. Através do Trivium do ensino liberal da Antiguidade: a retórica, a dialéctica e a gramática, Pierre Lévy faz uma comparação entre este Trivium e a virtualização. Indica que a gramática constitui a fundamentação da virtualização, a retórica projecta o virtual, e a dialéctica é o que une o virtual, sistema de signos, ao mundo objectivo. “Um caso de virtualização fora de tempo” que Lévy desenvolve neste capítulo.
... A virtualização da inteligência, constituição do sujeito e a constituição do objecto – Capítulo 7 e 8
Ao contrário das formigas – exemplo de Pierre Lévy – somos seres conscientes e emotivos. Pensamos, reagimos emocionalmente, temos liberdade para reinventar o mundo. A formiga é “obediente e beneficiária, ela apenas participa.” Os Homens partilham de uma inteligência social que permite terem uma noção do todo, uma mundivisão. É possível a cada um deles alterar um pouco da realidade social que o envolve. O ciberespaço é uma virtualização da realidade, onde o Homem ainda ganha mais liberdade para essas alterações, um espaço onde a heterogénese – conceito marcante neste livro – acontece. A inteligência colectiva, o último ponto analisado por Pierre Lévy, tem uma efectivação evidente no ciberespaço onde cada indivíduo participa activamente. É importante voltar a esclarecer o capítulo 5 onde Lévy explica as três virtualizações que fizeram o humano: “Cada indivíduo humano possui um cérebro particular, tendo crescido grosso modo sobre o mesmo modelo que o dos outros membros da espécie. Biologicamente, as nossas inteligências são individuais e semelhantes (ainda que não sejam idênticas). Culturalmente, em contrapartida, a nossa inteligência é altamente variável e colectiva. Com efeito, a dimensão social da inteligência liga-se intimamente às linguagens, às técnicas e às instituições, notoriamente diferentes de acordo com os lugares e as épocas.” Pierre Lévy apresenta o ciberespaço como uma virtualização do mundo social já existente, mas com mais espaço para haver mudanças culturais do que o espaço actual. O ciberespaço “favorece as conexões, as coordenações, as sinergias entre as inteligências individuais” e, assim, consegue introduzir uma visão do virtual mais alargada do que outros teóricos que confundiam o virtual, com o não existir.
No oitavo capítulo Lévy termina a sua teoria do virtual indicando que existe um objecto que potencia a virtualização: o ciberespaço. “É um objecto comum, dinâmico, construído, (ou, pelo menos, alimentado) por todos aqueles que o usam. Adquiriu este carácter de “não separação” por ter sido fabricado, aumentado, melhorado pelos informáticos que foram, inicialmente, os seus principais utilizadores. Ela é uma ponte entre o objecto comum dos seus produtores e dos seus exploradores.” É no ciberespaço que a virtualização se dá com mais intensidade e se torna mais visível à dialéctica.
... O Quadrivium ontológico
No último capítulo Pierre Lévy deixa um quadro elucidativo de toda a base da sua teoria. Existem as substâncias por um lado. O potencial (pólo do latente), conjunto de possíveis predeterminados realiza-se no real (pólo do manifesto), nas coisas persistentes. Por outro lado existem os acontecimentos. O virtual, problemas, tendências, constrangimentos, forças e afins actualizam-se no actual, solução particular de um problema aqui e agora.
O aqui e agora e a sua mudança de identidade para um ciberespaço onde tudo é possível e actualizável. A existência não se coloca em causa, apesar de não haver substância: trata-se de uma ocorrência. Pierre Lévy confessa no epílogo que ainda tentava entrar no virtual e com ironia acaba o livro com um: “Bem-vindos ao caminho do virtual!” Lévy mostra a quem lê o seu livro um novo caminho para a descoberta do virtual. Dá uma imagem positiva do conceito e acima de tudo retira a ideia asfixiante e negativa que paira sobre o virtual. Transforma o virtual num conceito com uma carga axiológica neutra e liberta o ciberespaço para a criação livre e heterogénea.
FONTE: http://www.citador.pt/biblio.php?op=21&book_id=948
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
"CIBERNÉTICA E SOCIEDADE" - LIVRO DE NORBERT WIENER - década de 50
Com respeito ao livro base, foi redigido em 1950 e revisado em 1954. Seu autor, um renomado professor de matemática do Massachussets Institute of Technology, procurou estabelecer conexões entre o nascimento de uma nova tecnologia e a sociedade, relatando não somente o plano tecnológico como também extravasando para outros campos do conhecimento humano, tais como a Psicologia, a Filosofia, a Filologia, entre outros.
O livro reflete o espírito cientificista do autor que para cada assunto citado faz uma digressão à respeito.
Esta característica talvez não seja encontrada nos cidadãos da atual sociedade com frequência, o que pode ser justificado pelo fato de que o livro foi revisado à 45 anos atrás, assim a enorme expansão do conhecimento humano neste período, criou uma sociedade de pessoas especializadas em determinadas funções, dificultando o estudo de diversas áreas do conhecimento assim como a inter-relação entre estas. Além do mais, no decorrer destes anos ocorreram mudanças drásticas no comportamento social, visto que o aparecimento de uma grande diversidade de formas de entretenimento acabou por afastar a atenção das pessoa em relação aos livros e ao estudo. O cidadão moderno tornou-se extremamente objetivo e pouco indagativo com questões de caráter filosófico. Afinal a guerra fria acabou, e o capitalismo ficou, e com este permaneceu a busca pelo lucro, pela vida baseada no consumo e diversão sem nenhum medo de estar cometendo um pecado. As pessoas estão buscando informações rápidas e fáceis, que estejam de acordo com seus objetivos de vida.
Entretanto, apesar de ultrapassado em alguns poucos trechos, o livro coloca em discussão temas bastante atuais, além de temas que provocam muitas reflexões interessantes.
Muito se pode discutir a respeito dos assuntos abordados, e isto é que o será feito a seguir pelos componentes de nosso grupo:
Escolha um dos ítens abaixo e viaje conosco:
Fobia e Fluxo de Informação
Comunicação e Entropia
Entropia e globalização
Comunicação através da Internet
Um cibernético poderá ser considerado ser vivo?
Links
FONTE : http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/ep2/wiener/Principa.html
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
ESTE BLOG E PROCESSOS!!!
A educação democrática,ou libertária, mostrou-me que a saída para começarmos a nos respeitar, a cultivar a tolerância e a respeitar enfim os processos alheios, passa pela convivência rotineira , ainda que de forma virtual, como é o caso da blogosfera!
As pessoas (blogueiros de um blog coletivo,no caso) vão se colocando sem moderação de ninguém e/ou de todos!!! Se a coisa for boa, ou se for ruim!! A polêmica se cria, ou não se cria! (podendo haver assembléias para se decidir linhas de ação)
Mas se assembléias não ocorrerem,ainda assim... ocorrerá algo curioso,que é o seguinte,as respostas virão de um jeito ou de outro nas futuras postagens dos membros do blog! E é aí é que a coisa começa a funcionar!!!
Um diz uma coisa, vem o outro e completa ,ou rebate!! E assim a coisa vai caminhando!! A conversa sempre acontece!! Direta ou indiretamente!!
A tal da autonomia intelectual tão almejada!! tão esperada, para que a educação a distância pudesse funcionar de verdade,para requalificação de professores e profissionais em geral, pode muito bem começar a ser desenvolvida na blogosfera!!
Se muitos hoje,partissem para ter um blog,coletivo ou não, e valorizassem muito mais seus interesses, suas curiosidades intelectuais, quem sabe num futuro próximo
esta autonomia intelectual, que tem tudo a ver com a mentalidade de pesquisador autodidata,chegaria a um bom patamar!
Nadia Stabile - 03/02/09
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
O QUE É A LEI DE LINUS? DA WIKIPÉDIA
"Dados olhos suficientes, todos os erros são triviais" (Given enough eyeballs, all bugs are shallow)
A frase possui relação com o modo de funcionamento da base do código aberto (open source) e da internet, em que com um grande número de colaboradores ("olhos"), qualquer problema em um sistema pode ser detectado e corrigido. Na proporção em que os colaboradores aumentam, a facilidade com que as correções são feitas também aumenta, ou seja, o número de colaboradores é diretamente proporcional à facilidade de detecção e correção do erro.
Índice
[esconder]SURGIMENTO E USO :
O adágio foi publicado por Eric S. Raymond — um famoso hacker e ícone no movimento do código aberto e do software livre — em seu ensaio A Catedral e o Bazar, descrito no capítulo 10 ("O Contexto Social do Código Aberto"). O nome da lei é uma alusão ao finlandês Linus Torvalds, criador do sistema operacional Linux, um software livre.
De certa forma, podemos dizer que tal lei possui semelhança com o ditado popular "O olho do dono engorda o boi".
Os conceitos expressados pela Lei de Linus são tão universais que a lei tem sido constantemente usada fora do contexto puramente informático. Um exemplo é a Wikipédia, que segue um modelo baseado na lei de Linus, já que, podendo ser editada por qualquer pessoa, muitos erros podem ser gerados, mas se houver um grande número de colaboradores para cuidar dos erros, eles podem ser facilmente contornados. Isso é bem conhecido pelos administradores (ou sysops) de cada Wikipédia, que cuidam da manutenção do projeto.
Larry Sanger, co-fundador da Wikipédia, afirmou certa vez, sobre o fato de que qualquer pessoa pode criar e editar artigos na Wikipédia, que "dados olhos suficientes, todos os erros são triviais", em uma alusão direta à lei de Linus.
Tom Arriola, o desenvolvedor do Crime Scene (Cena do Crime), um site que dá aos seus milhares de membros a tarefa de resolver coletivamente mistérios de assassinatos fictícios, chamou de "efeito ocular" uma versão que postulou da Lei de Linus: "Quanto mais olhos vêem algo, mais provável é que alguém veja alguma coisa que ninguém viu antes."[1]
A ÉTICA HACKER:
A noção do próprio Linus sobre a lei foi usada em conjunto com as definições filosóficas do hacker ativo, registrada no prólogo do livro A Ética Hacker.[2]
De acordo com essa definição, a atividade que pressiona os humanos pode ser dividida em três categorias. O avanço bem-sucedido de uma fase para outra determina o processo de evolução. Estas três categorias são, em ordem: a sobrevivência, a vida social e o entretenimento.
A sobrevivência é a base da própria existência. É portanto um fator de motivação, mas em um sistema socio-econômico bem desenvolvido, não passa de uma preocupação cotidiana.
A vida social é um fator de motivação muito forte. Em muitos casos, maior consideração é dada para os laços sociais do que para a "auto-pessoa". São tarefas semelhantes aos conceitos de "morrer por sua família/por religião/pelo país".
O entretenimento é a última das três categorias. Esse "entretenimento" não está relacionado com ações como jogar jogos eletrônicos ou assistir a televisão, mas fazer algo interessante e estimulante, um estímulo positivo para a base de nossas ações. Linus Torvalds assim descreveu esta última fase: "É a ginástica mental necessária na tentativa de explicar o universo".
Pode-se observar a aderência dessas três categorias com as cinco necessidades da conhecida Hierarquia de necessidades de Maslow: fisiologia, segurança, amor/relacionamento, estima e realização pessoal, amplamente conhecidas no terreno da Administração.
Concluindo, o hacker portanto precisará fazer uso do computador para que sobreviva. O computador passa a ser o principal meio de obter relações sociais, mas acima de tudo, entretenimento. O desenvolvimento de um sistema open-source é realizada mais por causa da paixão dos desenvolvedores no seu próprio projeto, e não para meios puramente comerciais.
CRÍTICAS:
Alguns estudos contestaram a Lei de Linus, citando o número relativamente pequeno de contribuições feitas para projetos open source por pessoas "de fora", isto é, pessoas que não pertencem a um pequeno grupo principal de colaboradores.[3] Isso é, em grande parte, o resultado do investimento necessário que os colaboradores precisam realizar para manter positivamente os ajustes na interface do usuário e entender um pouco do código antes que possam efetivamente contribuir para o mesmo.
Alguns projetos também não confiam em contribuições externas, temendo que eles possam criar bugs difíceis de serem encontrados ou brechas na segurança, e assim esses projetos criam um inconveniente processo de revisão que pode prejudicar desenvolvimento externo.
Os defensores do código aberto argumentam, no entanto, que existem maneiras de se minimizar estes problemas e de se facilitar a integração de colaboradores externos. Seguindo práticas efetivas de engenharia de software, é possível produzir um código de fácil manutenção. Os exemplos podem incluir o uso de componentes modulares com acoplamento frouxo, ou um bom conjunto de testes para a verificação das contribuições externas, ou uma simples estratégia de desenvolvimento suportada por ferramentas como o autoconf.
Também é considerado uma ajuda importante ter uma boa documentação, incluindo tanto uma visão geral quanto descrições detalhadas da interface, opcionalmente suportadas por ferramentas como o Javadoc e ferramentas de visualização de código. Porém nem todos os projetos open source implementam tais medidas.
Outro argumento contra o código aberto é o de que falhas de segurança podem ser facilmente encontradas pelo exame do código fonte, destruindo efetivamente qualquer segurança por obscuridade (en:security through obscurity). Outros dizem que isso é um ponto forte: significa que não apenas usuários maliciosos, mas também desenvolvedores externos e usuários legítimos, podem encontrar tal falha de segurança mais facilmente e diagnosticar ataques mais rapidamente. Por serem expostos rapidamente e para mais pessoas, os problemas de segurança podem ser consertados antes que a aplicação esteja completamente desenvolvida e eles se tornem um problema mais sério.
Notas
- ↑ Terdiman, Daniel (2005-02-14). Brute Force for Brain Teasers. URL acessada em 16 de Abril, 2006.
- ↑ Himanen, Pekka; Linus Torvalds, Manuel Castells (2001-01-30). The Hacker Ethic, Random House. ISBN 0375505660.
- ↑ Obasanjo, Dare (2002). The Myth of Open Source Security Revisited. URL acessada em 16 de Abril, 2006
[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
"O MEIO É A MENSAGEM" - OLGA POMBO - SOBRE A TESE DE MARSHALL McLUHAN
Olga Pombo
A tese central
Marshall McLuhan parte de uma tese central: o Meio é
a Mensagem.
Trata-se de uma formulação excessiva pela
qual o autor pretende sublinhar que o meio, geralmente
pensado como
simples canal de passagem do conteúdo
comunicativo, mero veículo de transmissão da mensagem, é
um elemento determinante da comunicação.
Enquanto suporte material da comunicação, o meio
tende a ser definido como transparente, inócuo, incapaz
de determinar positivamente os conteúdos comunicativos que
veícula. A sua única incidência no processo comunicativo
seria negativa, causa possível de ruído ou obstrução na
veículação da mensagem. Pelo contrário, McLuhan chama a
atenção para o facto de uma mensagem proferida oralmente
ou por escrito, transmitida pela rádio ou pela televisão,
pôr em jogo, em cada caso, diferentes estruturas
Trata-se de uma formulação excessiva pela
qual o autor pretende sublinhar que o meio, geralmente
pensado como
simples canal de passagem do conteúdo
comunicativo, mero veículo de transmissão da mensagem, é
um elemento determinante da comunicação.
Enquanto suporte material da comunicação, o meio
tende a ser definido como transparente, inócuo, incapaz
de determinar positivamente os conteúdos comunicativos que
veícula. A sua única incidência no processo comunicativo
seria negativa, causa possível de ruído ou obstrução na
veículação da mensagem. Pelo contrário, McLuhan chama a
atenção para o facto de uma mensagem proferida oralmente
ou por escrito, transmitida pela rádio ou pela televisão,
pôr em jogo, em cada caso, diferentes estruturas
perceptivas,desencadear diferentes mecanismos de
compreensão, ganhar diferentes contornos e tonalidades, em
limite, adquirir diferentes significados. Por outras
palavras, para McLuhan, o meio, o canal, a tecnologia em
que a comunicação se estabelece, não apenas constitui a
forma comunicativa, mas determina o próprio conteúdo da
comunicação.(...)
LEIA NA ÍNTEGRA EM : http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/cadernos/mcluhan/estudo_mcl_olga.pdf
O QUE É SEMIÓTICA? DA WIKIPÉDIA (clique aqui e leia mais)
"A semiótica é um saber muito antigo, que estuda os modos como o homem significa o que o rodeia."
Origens
É importante dizer que o saber é constituído por uma dupla face. A face semiológica ou semiótica (relativa ao significante) e a epistemológica (referente ao significado das palavras).
A semiótica tem, assim, a sua origem na mesma época que a filosofia e disciplinas afectas. Da Grécia até os nossos dias tem vindo a desenvolver-se continuamente. Porém, posteriormente, há cerca de dois ou três séculos, é que se começaram a manifestar aqueles que seriam apelidados pais da semiótica (ou semiologia).
Os problemas concernentes à semiótica podem retroceder a pensadores como Platão e Santo Agostinho, por exemplo. Entretanto, somente no início do século XX com os trabalhos paralelos de Ferdinand de Saussure e C. S. Peirce, a semiótica começa a adquirir autonomia e o status de ciência.
Índice
[esconder](...) para Peirce há três tipos de signos:
- O ícone, que mantém uma relação de proximidade sensorial ou emotiva entre o signo, representação do objeto, e o objeto dinâmico em si; o singo icónico refere o objecto que denota na medida em que partilha com ele possui caracteres, caracteres esse que existem no objecto denotado independentemente da existência do signo. - exemplo: pintura, fotografia, o desenho de um boneco. É importante falar que um ícone não só pode exercer esta função como é o caso do desenho de um boneco de homem e mulher que ficam anexados à porta do banheiro indicando se é masculino ou feminino, a priori é ícone, mas também é símbolo, pois ao olhar para ele reconhecemos que ali há um banheiro e que é do gênero que o boneco representa, isto porque foi convencionado que assim seria, então ele é ícone e símbolo;
- O índice, ou parte representada de um todo anteriormente adquirido pela experiência subjetiva ou pela herança cultural - exemplo: onde há fumaça, logo há fogo. Quer isso dizer que através de um indício (causa) tiramos conclusões. Ainda sobre o que nos diz este autor, é importante referir que «um signo, ou representamen, é qualquer coisa que está em vez de (stands for) outra coisa, «em determinado aspecto ou a qualquer título», (e que é considerado «representante» ou representação da coisa, do objecto - a matéria física) e, por último, o «interpretante» - a interpretação do objecto. Por exemplo, se estivéssemos a falar de "cadeira", o representante seria o conceito que temos de cadeira. Sicintamente, o índice é um signo que se refere ao objecto denotado em virtude de ser realmente afectado por esse objecto.
O objeto seria a cadeira em si e o interpretante o modo como relacionamos o objeto com a coisa representada, o objeto de madeira sobre o qual nos podemos sentar. Sobre isto é interessante ver a obra "One and three chairs" do artista plástico Joseph Kosuth. A principal característica do signo indicial é justamente a ligação física com seu objeto, como uma pegada é um "indício" de quem passou. A fotografia, por exemplo, é primeiramente um índice, pois é um registro da luz em determinado momento.
O símbolo, "é um signo que se refere ao objecto que denota em virtude de uma lei, normalmente uma associação de ideias gerais que opera no sentido de fazer com que o símbolo seja interpretado como se referindo aquele objecto". by Luis Caramelo Exemplo disso é a aliança de casamento, que rapidamente associo ao que denota, a instituição casamento.
É importante esclarecer que as categorias firstness, secondness e thirdness e os vários tipos de signo estão ligados entre si. Sendo o ícone uma representação da firstness, pelas suas caracteristicas prórpias; índice da secondness e símbolo da thirdness.(...)
A CULTURA HACKER É UMA NOVA FORMA DE PENSAR - HERNANI DIMANTAS
HERNANI DIMANTAS:
É UMA NOVA FORMA DE PENSAR
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Um dos mais antigos colaboradores da Novae e de diversos outros projetos livres na Web, HD - para os mais próximos - dialoga com autores como Pierre Lévy e com textos como o Manifesto Cluetrain e aborda a revolução que a Internet possibilita nas relações de produção e consumo de mercadorias e mensagens. "À premissa das empresas de que o consumidor deve ser seduzido para o consumo acrítico, massivo e passivo de produtos e mensagens, Hernani Dimantas responde com a estratégia hacker, ou seja, com a participação coletiva, inteligente e crítica nos processos de produção", diz umas das coordenadoras da obra, Maria Alzira Brum Lemos.
Mas explicações do que faz ou o que pensa HD é dispensável para quem vive diariamente a Internet, independente dos grandes portais com suas senhas de acesso e seus truques comerciais. Nesse mundo, conhecemos bem Dimantas, que freqüenta tribos tão diversas e antagônicas que vão do mundo blog e imprensa alternativa, a colaborações pontuais com grandes players da mídia de massa. "Acredito na necessidade de incrustar este discurso na maior quantidade de canais."
Longe de parecer um paradoxo, o objetivo de HD, de fato, é carregar sua bandeira que busca desmascarar marketing, marqueteiros e seus clones, e falar para quem quiser ouvir. E debater. "Os discursos fajutos, as pessoas do mal, se valem de formas de comunicação baseadas no retrocesso."
| Nessa entrevista, realizada durante uma semana inteira, por email e ICQ, HD se mostrou feliz, mau humorado e por muitas vezes impaciente. Características de quem concebeu uma obra que, com certeza, merece ser lida. (Mas de que a redação da Novae ainda não recebeu seu exemplar :o))). novae: |
Novae - Como foi a aventura de conceber seu livro?
HD - A palavra conceber cai muito bem. Um livro é um parto. Pois, o processo é muito meticuloso. A Garamond é uma editora muito rigorosa. Faz questão absoluta em manter uma alta qualidade na produção. A edição do livro esteve sob os cuidados do Ari Roitman e da Maria Alzira Brum Lemos. Ambos trabalharam com afinco no Marketing Hacker: A Revolução dos Mercados. O livro ficou muito legal!
Novae - E o marketing hacker (blog), com o lançamento do livro, acabou ou continua?
HD - Sinceramente, gostaria de parar. Acho que o objetivo do projeto foi alcançado. Ou seja, consegui incrementar o debate em torno da cultura hacker, do manifesto cluetrain e tropicalizar essa conversação nas comunidades online. Tenho outros projetos, tais como a Buzzine, o Asap, o Mercado Hype. Gostaria também de poder contribuir mais para a Novae. Atualmente tenho me esforçado para incrementar a Buzzine. A idéia da Buzzine é dar mais vozes aos mercados. Num espaço colaborativo, onde a comunidade é quem conduz o site. O conteúdo é moderado (e editado) pelas próprias pessoas que participam. A colaboração do Daniel Pádua que fez o novo design e, também, me ajudou na definição da taxonomia e da arquitetura do site trouxe um novo gás para o projeto. O Felipe Fonseca tem me ajudado na customização do Drupal. Um sistema fantástico que permite que toda essa colaboração online aconteça.
Novae - O Hernani, enfim, rompeu o firewall corporativo ou foi absorvido por ele?
HD - Não acho que consegui romper o firewall corporativo. Minhas incursões na mídia tradicional ainda são muito tímidas. Embora, eu acredito na necessidade de incrustar este discurso na maior quantidade de canais. Não creio que este processo diminua o valor da minha atuação online. Pois o debate transcende o meio. O Felipe falou uma coisa interessante: "Não se trata de procurar a resposta para os problemas do mundo, mas perceber que a solução está no encontro de todas as possíveis respostas".
Novae - E sua relação com a mídia de massa como anda?
HD - A comunicação de massa não é adversária. Apenas esta deixando de ter a importância que teve durante a era industrial. O Marketing Hacker foi desenvolvido como um projeto de mídia tática. O próximo passo é utilizar a mídia de massa para promover e incentivar a descentralização da mídia. Isto esta acontecendo na rede, mas é necessário dar condições financeiras para que as vozes despontem em todas as mídias. Estou seguro de que a próxima geração de colunistas, escritores e formadores de opinião seja oriunda da Internet.
Novae - Dá pra ser alternativo a vida inteira, sem romper com suas crenças?
HD - Alternativo é um termo complicado. Somos alternativos a um sistema quando comemos pela beirada. Penso que o discurso está cada vez mais se tornando a realidade online. A minha crença neste projeto é cada vez maior. Pois estamos vendo a sociedade digital crescer num ritmo alucinante. Muitas pessoas estão falando, gritando e subvertendo o velho discurso. É possível pensar diferente.
Novae - Como você vê o ativismo editorial na WEB, que não visa o lucro e ainda vive pelo prazer hacker?
HD - O ativismo editorial é fruto da descentralização. Da possibilidade de publicação sem o filtro do editor e, principalmente, do enfoque da empresa de comunicação. Desta forma, as pessoas tem a possibilidade de colocar online as suas crenças e apontar os defeitos da sociedade corrupta em todos os sentidos. Mas a reputação destas publicações vai depender exclusivamente da relevância e da verossemelhança do que é dito. E de como é dito. O ativismo, então, passou a representar uma verdade mais próxima do cotidiano das pessoas. Os discursos fajutos, as pessoas do mal, se valem de formas de comunicação baseadas no retrocesso. Assim, vemos o spam empestear a rede. Até quando? Até a sociedade entender que a evolução é necessária. Mas esse ativismo editorial, ou a revolução da voz, não deveria estar alheia à remuneração. Afinal, a cultura hacker está modificando os padrões do capitalismo, mas sem implosão. A cultura hacker está apresentando um novo modo de produção. Que substitui as velhas fábricas por um processo de colaboração global. Este processo foi muito bem sucedido na indústria de software, elevando o Linux a um nível competitivo numa indústria baseada no copyright. Da mesma forma, a descentralização da informação está elevando a publicação autoral à competição com a mídia tradicional. Cabe dizer que a publicação autoral depende exclusivamente dos micromercados, das micro audiências e, principalmente, da linkania.
Novae - Você acha que o novo governo do Brasil, historicamente de esquerda, pode fazer a diferença quando falamos em software livre?
HD - Não é à toa que o Richard Stallman tem visitado o Brasil constantemente. Ele aponta a India e o Brasil como países com mais potencial no desenvolvimento do software livre. O governo do Rio Grande do Sul e a Prefeitura de São Paulo (ambos na gestão do PT) adotaram o software livre em programas estratégicos. No entanto, não me parece que a estratégia para adoção do software livre seja prioridade do governo Lula. Pois é difícil a compreensão do real significado do software livre no desenvolvimento tecnológico do Brasil. Creio que a questão é muito mais uma política progressista do que a economia gerada pela liberdade de utilização do software. É uma opção de crescimento formatada num projeto de colaboração. A tecnologia é cosmopolita. E pode utilizar quem quiser. Sem royalties... totalmente copyleft.
Novae - E os fóruns de discussão. Há alguns anos foi um participante ativo de algumas listas na web, que vc abandonou por discordar das condutas. Fale-nos como está sua relação com essa norma de comunidade.
HD - Ainda participo de muitas listas de debates. Mas, realmente, diminui a frequência. Eu nunca abandonei uma lista por discordar da conduta. Quando isso acontecia, eu sempre tratava de enfrentar os problemas com questionamentos fortes. No entanto, algumas listas vão deixando de ser interessantes. Existe um fluxo e refluxo de idéias. As pessoas mudam e os debates acabam se tornando insossos e repetitivos. A migração é natural. Atualmente participo da MetaFora, um debate que vai além da mesmice. O projeto matáfora apoia toda essa frente de trabalho livre e criativo. Atualmente, o grupo conta com mais de 150 pessoas. São pessoas que têm feito a internet acontecer. Pessoas como: Felipe Fonseca, Nemonox, Cris Dias, Edney Souza, Marcelo Estraviz (que entra e sai), Paulo Colacino, Felipe Albertão, Giseli Vasconcelos, Dalton Martins... e mais... muito mais que omiti apenas por limitação de espaço. A MetáFora pode ser definida como uma chocadeira colaborativa. Não dá para prever o futuro, mas seguramente podemos perceber pelo presente que deste grupo muita coisa interessante está sendo feita. A expectativa é de crescimento. A MetaFora é responsável direta ou indiretamente pelos projetos: BlogChalking, Buzzine, Metaong - , N5M, Metareciclagem (Agente Cidadão) e muito mais.
"Marketing Hacker" , de Hernani Dimantas - Maria Alzira Brum Lemos
http://www.triplov.com/email/hernani/e_mail_com.html
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
"O poder tem medo da Internet", diz o sociólogo Manuel Castells
Milagros Pérez Oliva
Se alguém estudou as interioridades da sociedade da informação é o sociólogo Manuel Castells (nascido em Hellín em 1942). Sua trilogia "A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura" (editada no Brasil pela editora Paz e Terra) foi traduzida para 23 idiomas. É um dos primeiros cérebros resgatados: voltou à Espanha para dirigir a pesquisa da Universidade Aberta da Catalunha em 2001, depois de ter pesquisado e dado aulas durante 24 anos na Universidade da Califórnia em Berkeley. Uma de suas pesquisas mais recentes é o Projeto Internet Catalunha, no qual durante seis anos analisou, por meio de 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil através da rede, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social. Ele também acaba de publicar, com Marina Subirats, "Mujeres y hombres, ¿un amor imposible?" (Alianza Editorial), no qual aborda as conseqüências dessas mudanças.
Sociólogo Manuel Castells analisa o papel da Internet nas relações sociais e na política |
Manuel Castells - Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenha sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.
EP - Por que acredita que a idéia contrária se propagou com sucesso?
Castells - Os meios de comunicação têm muito a ver. Todos sabemos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos também; mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia... Pensar que é um fator de alienação vem a ser mais interessante do que dizer: a Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet o ajudará um pouco, mas não muito. Os meios de comunicação são de certo modo a expressão do que a sociedade pensa: a questão é por que a sociedade pensa assim.
EP - Por medo do novo?
Castells - Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade da nova, os pais de seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado em um mundo tecnológico, social e culturalmente antigo, em relação ao que lhes vem por cima, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo, que no fundo é. Porque a Internet é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre se baseou no controle das pessoas, através da informação e da comunicação. Mas isso está acabando, porque a Internet não pode ser controlada.
EP - Vivemos em uma sociedade em que a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se transformou na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública exige meios que sejam controláveis, e se a Internet não o é...
Castells - Não é, e isso explica por que os poderes têm medo da Internet. Estive em não sei quantas comissões assessoras de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não podem. Pode haver vigilância, mas não controle.
EP - Se a Internet é tão determinante na vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells - Não, o mais importante continuará sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional, e, antes, o nível educacional, porque sem educação a tecnologia não serve para nada. Na Espanha a chamada divisão digital é uma questão de idade. Os dados são muito claros: entre os maiores de 55 anos, só 9% são usuários da Internet, mas entre os menores de 25 anos são 90%.
EP - Então é só uma questão de tempo?
Castells - Quando minha geração tiver desaparecido não haverá divisão digital no acesso. Mas na sociedade da Internet o complicado não é saber navegar, mas saber aonde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso exige educação. Na realidade, a Internet amplia a mais antiga lacuna social da história, que é o nível de educação. Que 55% dos adultos não tenham completado a educação secundária na Espanha é a verdadeira divisão digital.
EP - Nessa sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que está cada vez mais globalizada, pode aumentar a sensação de insegurança, de que o mundo se move sob nossos pés?
Castells - Há uma nova sociedade que tentei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede, e que não está muito longe da que Bauman define. Creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e há menos controle das instituições tradicionais.
EP - Em que sentido?
Castells - Se amplia a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então todo o nosso chão se move ao mesmo tempo. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e não são confiáveis. Assim, começamos mal. Segundo, pensam que o mercado vai bem para os que ganham e mal para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança do que a lógica pura e dura do mercado possa proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso quer dizer que nosso dinheiro está em algum fluxo global que não controlamos, que a população está submetida a pressões migratórias muito fortes, de modo que é cada vez mais difícil encerrar as pessoas em uma cultura ou em fronteiras nacionais.
EP - Que papel a Internet desempenha nesse processo?
Castells - Por um lado, ao nos permitir o acesso a toda a informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isso é algo que demonstramos pela primeira vez em nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mais ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões de autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer dessas dimensões, utiliza a Internet com freqüência e intensidade muito maiores. E o uso da Internet reforça ao mesmo tempo sua autonomia. Mas, é claro, quanto mais uma pessoa controla sua vida menos confia nas instituições.
EP - E sua frustração pode ser maior devido à distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que se exercem na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos, não acha?
Castells - Sim, há uma enorme defasagem entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios implantaram pontos de acesso sem fio, mas se ao mesmo tempo não forem capazes de articular um sistema de participação eles servirão para que as pessoas organizem melhor suas próprias redes, mas não para participar da vida pública. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia, e portanto essas tecnologias só distanciam ainda mais a política dos cidadãos.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
FONTE : http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/01/10/ult581u2405.jhtm
Pekka Himanen, filósofo finlandês. (fragmentos)
“A ética de trabalho dos hackers consiste em combinar paixão com liberdade, e foi essa a parte da ética dos hackers cuja influência foi sentida com maior intensidade.” (…) “um terceiro e crucial aspecto da ética dos hackers é a atitude dos hackers em relação às redes, ou seja, é a sua ética da rede, que é definida pelos valores da atividade e do cuidar. Atividade, nesse contexto, envolve a completa liberdade de expressão em ação, privacidade para proteger a criação de um estilo de vida individual, e desprezo pela passividade frente à procura pela paixão individual. Cuidar significa aqui a preocupação com o próximo como um fim em si mesmo e um desejo de libertar a sociedade virtual da mentalidade da sobrevivência que tão facilmente resulta de sua lógica.” (p.126)(...)
FONTE: http://ceticismo.wordpress.com/comportamento/hackers-monopolios-e-instituicoes-panopticas/
"Por causa dessa ênfase na criatividade, a ética dos hackers dever ser, em última análise, considerada diferente tanto da ética do protestantismo quanto do pré-protestantismo. [...] por esse motivo, representantes de um espírito completamente novo, cujo o significado apenas começamos a compreender" Fragmento do livro :"A ética dos hackers e o espírito da era da informação". Tradução de Fernanda Wolff. Rio de Janeiro: Campus, 2001, p.135.
Fonte: http://www.ciborgs.org/2004/06/pekka-himanen.html
The Hacker Ethic and the Spirit of the Information Age - Pekka Himanen
por Osvaldo López Ruiz
O título deste livro e as diferentes trajetórias dos autores certamente chamam a atenção, mas também podem desconcertar. O autor é o finlandês Pekka Himanen, doutor em filosofia pela Universidade de Helsinki aos 20 anos. Ainda com menos de 30, trabalha na Universidade de Berkeley com Manuel Castells, de origem catalã e hoje um dos sociólogos mais renomados do mundo, autor da trilogia A era da Informação (1996-2000). Com mais de 20 títulos publicados, Castells é o responsável, neste caso, pelo "Epílogo". O "Prólogo", no entanto, está nas mãos de Linus Torvalds, uma lenda viva dentro do mundo da informática, com pouco mais de 30 anos e também originário da Finlândia.
Torvalds criou, em 1991, o Linux, um kernel para o sistema operacional livre GNU (veja texto sobre software livre), quando estudava em Helsinki. A palavra kernel pode ser traduzida por cerne ou âmago, ele é uma parte central do sistema operacional. Hoje, o Linux é um projeto que envolve milhares de programadores e milhões de usuários no mundo todo e continua a ser desenvolvido por eles mesmos em forma aberta e cooperativa. Atualmente, o Linux é visto como a maior ameaça para a hegemonia da Microsoft, embora sua mais importante inovação seja mais social do que técnica: uma forma de trabalho coletivo onde as informações estão disponíveis livremente para todos, princípio básico da ética do hacker.
O livro trata do surgimento de uma nova ética do trabalho, diferente da ética protestante tão bem descrita por Max Weber há quase cem anos, onde a noção de trabalho aparece como dever, como vocação. A nova ética do trabalho é a caracterizada, pelos hackers. Mas, quem são esses hackers? A partir da própria orelha do livro, Himanen avisa: não se trata dos criminosos da computação -sentido recente e desafortunado que está tomando este termo-, mas sim dos hackers no sentido original da palavra, os entusiastas programadores de computação.
Entretanto, a bibliografia usada novamente desconcerta: de Platão a Richard Stallman - um dos maiores precursores do "hackerismo" e criador do GNU - à regras beneditinas e "statements" da SUN Microsystems, passando por Castells, Baudrillard, Dante e Agostinho (entre outros!). Surge então a inevitável pergunta: será que o autor conseguiu unir tantas e tão heterodoxas pontas e apresentar para o leitor um argumento convincente sobre uma nova ética do trabalho? Embora deixando temas em "aberto", com muito de exploratório e sem a densidade rigorosa que se espera de qualquer "Ética", o autor consegue definir um texto coerente e dinâmico. Com originalidade, coloca em diálogo algumas das grandes preocupações do homem de hoje e as questões do homem de sempre, mas, neste caso, apontadas para o atual contexto da Era da Informação.
A nova ética do trabalho, principalmente encarnada na atualidade pelos hackers, tem como precursora a academia. Os acadêmicos foram sempre um exemplo de relação mais flexível e livre com o trabalho. Por conseguinte, o autor apresenta no percurso do livro uma definição mais abrangente de hacker. Hacker é aquele entusiasta em qualquer tipo de trabalho, aquele que realiza seu trabalho com paixão, habilidade e cuidado artesanal. Aqui Himanen toma carona de um postulado dado por Torvalds no seu curto prólogo. Para o criador do Linux, existem três categorias básicas de motivações: a sobrevivência, a vida social e o entretenimento. Essa última, que vem depois de superadas as duas primeiras, deve ser entendida com E maiúsculo pois trata-se do tipo de estímulo que nos tira do tédio e do aborrecimento dando sentido às nossas vidas. Esclarece Torvalds que não está falando do entretenimento no sentido de jogar Nintendo mas sim do xadrez, da pintura e "da ginástica mental que envolve tratar de explicar o universo". Por isso, o Entretenimento pode ser qualquer coisa intrinsecamente interessante e desafiante, mas no entanto fundamental na vida de cada pessoa.
Himanen, contudo, traduz "Entretenimento" por paixão: a dedicação a uma atividade que seja intrinsecamente interessante, inspiradora e que cause regozijo. Trata-se, diz, do tipo de relação apaixonada com o trabalho que historicamente caracterizou o mundo intelectual. Critica, portanto, a relação do trabalho com o tempo estabelecida pela ética protestante. A ética protestante baseia-se no postulado: "tempo é dinheiro" e coloca o tempo regular do trabalho como o centro da vida das pessoas. Hoje, se pretende não só a otimização do (tempo do) trabalho mas também a "otimização da vida". O que acaba acontecendo é que o tempo de lazer e até o cuidar dos filhos assumem o padrão do tempo de trabalho. Fala-se muito, por exemplo, de "tempo flexível" mas, segundo o autor, essa nova flexibilidade, embora contribua para uma organização mais holística do tempo, está reforçando a centralidade do trabalho e as novas tecnologias estão ajudando particularmente isso a acontecer, afirma Himanen. Os hackers, porém, não subscrevem ao adágio "o tempo é dinheiro", e sim "o tempo é minha vida".
Neste sentido, a ética protestante sempre foi uma ética do dinheiro. Segundo Weber, o valor mais alto era "ganhar mais e mais dinheiro". Entretanto, na prática, tanto o trabalho, como o dinheiro constituíram-se em fins em si mesmos. Ainda mais; no antigo capitalismo, argumenta Himanen, o trabalho, como valor, posicionava-se mais alto que o dinheiro e, por isso, foi entendido como ética do trabalho protestante. Na nova economia, entretanto, mesmo que ainda possua um valor autônomo importante, o trabalho foi subordinado ao dinheiro. É assim que a nova economia informacional é também uma prolongação da antiga ética protestante. O que é enfatizado como valor supremo é justamente o dinheiro. Para os hackers, pelo contrário, o fator organizador básico da vida não é nem o trabalho, nem o dinheiro, é a paixão. Sua ética de trabalho enfatiza a atividade apaixonada e o ritmo livre do uso do tempo.
Entretanto, se no paradigma industrial uma pessoa era treinada para trabalhar das nove às cinco durante toda sua vida produtiva, esse não é mais o caso na economia informacional. O novo profissional informacional é "auto-programável ", tem a habilidade de re-treinar a si mesmo e adaptar-se a novas tarefas e processos. Ele deve aprender a ser seu próprio gerente e programar-se para trabalhar mais eficientemente. Não é por acaso, então, que muitos deles buscam a literatura de auto-ajuda, a literatura de "desenvolvimento pessoal". Himanen analisa um a um seus postulados e constata uma coisa interessante. Essa literatura ensina as mesmas virtudes que a velha ética protestante ensinou através de Franklin. Mais ainda, essas virtudes têm seu precedente nas regras monásticas Beneditinas, na era medieval. São valores no sentido filosófico tradicional, ou seja, os objetivos finais que guiam a ação. Coloca o autor que, tanto no mosteiro, como na literatura de desenvolvimento pessoal, o que se oferece é a promessa de uma experiência de claridade e certeza para a vida. A vida torna-se mais manejável se reduzida a um objetivo para cada momento no tempo. Cada pessoa só precisa se concentrar em um ponto fixo e excluir todo o resto. Particularmente numa era como a nossa, complexa e acelerada, essa literatura promete um novo tipo de "salvação". Não é por acaso que ela, como também diferentes fundamentalismos, tornaram-se mais atrativos na sociedade rede.
O autor conclui que, tanto nessa literatura de desenvolvimento pessoal, quanto no espírito da sociedade rede em geral, a lógica das redes de computador é aplicada aos seres humanos e a suas relações: "Os seres humanos são tratados como computadores, com rotinas mentais que sempre podem ser re-programadas de forma melhor...a gente deve se conectar com pessoas que são úteis para o nosso objetivo e se desconectar daqueles que não o são ou que inclusive sejam prejudiciais ao objetivo..." A lógica da rede e do computador nos aliena da preocupação direta com os outros, preocupação que é o começo de toda conduta ética. Na "sociedade-rede" [1] a ética teria sido substituída por uma filosofia de sobrevivência, e isto se explica a partir da atual relação com o tempo. A ética [2] precisa do pensamento sem pressa e da perspectiva temporal de longo prazo. Com a aceleração atual das práticas sociais surge, segundo Himanen, uma "barreira ética", uma velocidade a partir da qual a ética não pode mais existir.
Himanen vê nos valores que guiam a conduta dos hackers a saída, poderíamos dizer, desta versão exacerbada -e até distorcida- da ética protestante. Na ética do hacker, o principal valor é a paixão, entendida como uma busca intrinsecamente interessante que regozija com sua realização. Os outros valores são a liberdade, no sentido de que o trabalho seja criativo e tenha espaço para o jogo e a experimentação, a abertura e o sentido social -a Internet e o computador pessoal, lembra Himanen, não existiriam sem os hackers que deram sua criação para outros- e, finalmente, o que ele chama de atividade e preocupação. A atividade é definida como a liberdade de expressão em ação. Ela inclui: privacidade para proteger a criação do estilo de vida individual próprio e rejeição da receptividade passiva, em benefício de uma busca ativa da própria paixão. A preocupação, no entanto, é o interesse pelos outros colocado como um fim em si mesmo e o desejo de se libertar, na sociedade-rede, da mentalidade de sobrevivência que tão facilmente surge como resultado de sua própria lógica. É por tudo isso que o autor acredita que a ética do hacker pode representar um espírito genuinamente novo. Nele, o sentido não pode jamais ser encontrado no trabalho, nem mesmo no puro lazer. Ele tem que surgir da natureza própria da atividade, da paixão, do valor social e da criatividade.
O "Epílogo" de Manuel Castells -a verdade seja dita- não tem muito a ver diretamente com a ética do hacker. Dá, isso sim, o contexto do mundo em que vivemos e assinala as profundas transformações que nos levaram do paradigma industrial ao informacional e, também, da mudança qualitativa que representa para a experiência humana viver em um novo tipo de sociedade: a "sociedade-rede". Trata-se, na realidade, de um bom resumo da Era da informação -mas insuficiente quiçá, para quem ainda não leu a trilogia [3] - com algumas poucas ênfases novas a respeito da primeira edição de 1996 (a importância da revolução da engenharia genética, as características de "autômato" que tem tomado a estrutura social de rede, etc.). Reserva, no entanto, só o parágrafo do final para salientar a importância inovadora da teoria de Himanen sobre "a cultura dos hackers como o espírito do informacionalismo" -note-se que Himanen não fala exatamente disso, mas da ética dos hackers como alternativa possível ao espírito que está prevalecendo no informacionalismo. Mesmo assim, a leitura do "Epílogo" de Castells vale a pena como outra nova e sintética reformulação de sua instigante teoria sobre a desconcertante realidade em que vivemos.
No final, Himanen oferece em um apêndice uma "Curta história do hackerismo computacional" para quem não esteja muito familiarizado com a cultura dos hacker -informaticamente falando, claro.
[1] "Network society", conceito desenvolvido por Castells na Era da Informação (1996) para caraterizar a morfologia social da sociedade atual. (voltar)
[2] No original em inglês "ethicality": qualidade do que é ético. (voltar)
[3] Para uma versão também resumida, porém, teoricamente mais densa, veja-se, do mesmo autor, "Materials for the exploratory theory of the network society", The British Journal of Sociology, V.51, N°1, janeiro-março 2000, ps. 5-24 ou a excelente conclusão geral da trilogia no final do terceiro volume. (voltar)
Osvaldo López Ruiz é sociólogo, professor na Universidade Nacional de Cuyo, Argentina e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas.
LEIA MAIS EM :
Ética e Poder na Sociedade da Informação
Gilberto Dupas
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Pierre Lévy
O QUE É HIPERMÍDIA? DA WIKIPÉDIA
Descrição
Segundo Laufer & Scavetta, hipermídia (ou Hipermédia em Portugal) é a reunião de várias mídias num suporte computacional, suportado por sistemas eletrônicos de comunicação. O livro Texte, Hipertexte, Hipermedia, lançado originalmente em francês, faz alusões explícitas ao criador do Hipertexto e da Hipermídia e procura não ocultar a história e os fatos. No Brasil um dos primeiros livros lançados sobre o tema foi o do pesquisador André Parente. O livro Imagem-Máquina, editado pela editora 34 em 1993 traz uma série de textos interessantes sobre o assunto. Outros livros não seguiram algumas linhas propostas pela leitura organizada por Parente, mas temos de notar que no Brasil surgiu uma tendência, bastante tecnobrega, de associar metáforas gregas às definições de hipermídia, o que, diga-se de passagem, não é só uma escolha dos pesquisadores dessa área no Brasil. Contudo, essa tendência não é notada em outros lugares, tendo em vista que a hipermídia vem sendo disseminada no campo interdisciplinar da literatura, da escrita criativa e da computação em países como Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e França e produzindo resultados interessantes no âmbito da experimentação do que Ted Nelson prenunciou. O conceito Hipermídia foi criado na década de 1960 pelo pesquisador e professor Ted Nelson, que esteve no Brasil em 2005 no FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica) Realizado no Rio de Janeiro por Diêgo Rodrigues Estudante da Faculdade de Tecnologia e Ciencia De Jequié.
Referências contemporâneas
O texto escrito para o congresso da ACM por Tim Berners-Lee de certa forma fez com que o campo da hipermídia se expandisse. Ao propor a WWW como conceito e ferramenta de interligação de computadores ao redor do mundo, Berners-Lee acabou por realizar, ainda que de forma limitada, o sonho de Ted Nelson com seu projeto Xanadu, ou seja, de interligar todos os documentos textuais e visuais em sistemas informacionais.
Pesquisas como a dos professores e poetas Wilton Azevedo e Philadelpho Menezes também já adiantaram várias questões em torno da hipermídia como linguagem e como escritura expandida. O trabalho internacionalmente reconhecido Interpoesia é uma das chaves para a compreensão da hipermídia no campo poético, tanto que é o único trabalho brasileiro na área reconhecido pelo pesquisador George Landow, no seu último livro Hypertext 3.0 (2006).
Hipermídia une os conceitos de não-linearidade (não-linear), hipertexto, interface e multimídia numa só linguagem. Traduzida erroneamente como mero suporte, hipermídia não se configura só como meio de transmissão de mensagens, e sim como uma linguagem com características próprias, com sua própria gramática. Hipermídia, diferentemente de multimídia, não é a mera reunião dos meios existentes, e sim a fusão desses meios a partir de elementos não-lineares.
Segundo Bugay (2000),uma forma bastantes comum de Hipermídia é o Hipertexto, no qual a informação é apresentada ao usuário sob a forma de texto, através de uma tela do computador. O usuário pode iniciar uma leitura de forma não linear, ou seja, escolhe entre o início, meio ou fim de um texto. Segundo o autor citado, a Hipermídia pode ser considerada uma extensão do Hipertexto, entretanto, inclui além de textos comuns, desde sons, animações e vídeos, e de uma forma interativa, com apenas um clicar de botão, o computador responde ao caminho desejado.
VEJA BIBLIOGRAFIA SOBRE O ASSUNTO EM:
FONTE : http://pt.wikipedia.org/wiki/Hiperm%C3%ADdia
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
A Era Planetária - Edgar Morin
A Era Planetária - Capítulo IV - Ensinar a Identidade Terrena:
(...)O mundo torna-se cada vez mais um todo. Cada parte do mundo faz, mais e mais, parte do mundo e o mundo, como um todo, está cada vez mais presente em cada uma de suas partes. Isto se verifica não apenas para as nações e povos, mas para os indivíduos. Assim como cada ponto de um holograma contém a informação do todo do qual faz parte, também, doravante, cada indivíduo recebe ou consome informações e substâncias oriundas de todo o universo. (...)
MORIN, Edgar, 1921 -- Os sete saberes necessários à educação do futuro / Edgar Morin; tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya; revisão técnica de Edgar de Assis Carvalho. -- 5.ed. -- São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2002.
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