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sábado, 28 de fevereiro de 2009

ECOLOGIA E MOVIMENTOS SOCIAIS :BREVE FUNDAMENTAÇÃO - PROF.MAURÍCIO WALDMAN ENVIA PARA O BLOG


Uma das minhas mais gratificantes experiências usufruídas do contato com os movimentos populares foi o acompanhamento das lutas das populações de atingidos por barragens, formado por grupos sociais que em comum, compartilham problemas e transtornos promovidos pela construção dos projetos hidrelétricos.

Explicitamente, a construção de hidrelétricas constitui um notório problema socioambiental que agrava as condições de vida de amplos segmentos da população brasileira, particularmente dos que não compartilham das benesses oferecidas pelo modelo de sociedade em vigor no país.

Neste sentido, recordo-me da exposição dos problemas enfrentados por estes grupos arrolados por interlocutores diretos desta problemática, conhecimento que obtive da fala simples de lideranças de agricultores e ribeirinhos do interior do Brasil.

Todos eram unânimes em denunciar um aparato de Estado que ainda hoje os entende como um "estorvo" para o desenvolvimento. Não haveria como negar, o modo de vida afluente de muitos grupos urbanos apenas se perpetua e reproduz com o comprometimento e o desmantelamento de modos tradicionais de vida, muitas vezes para sempre.

Paralelamente, a determinação dos atingidos em perpetuar um modo tradicional de vida era a toda prova. Por intermédio desta via de entendimento se tornaram uns dos primeiros movimentos sociais a compreender que o ambientalismo constituía uma argumentação poderosa para reforçar suas reivindicações. Justamente esta nuança justificou sua aproximação com os chamados ecologistas sociais, abrindo portas para que assim eu travasse contato com este notável movimento social brasileiro.

Foi neste contexto que em 1990 o antropólogo Aurélio Vianna, um especialista em grupos camponeses, convidou-me para redigir texto visando subsidiar e capacitar o Movimento Nacional de Atingidos por Barragens. Desta forma, elaborei Ecologia e Movimentos Sociais: Breve Fundamentação, material que busca com palavras simples discutir algumas concepções relacionadas com a questão ambiental, elaborado para um grupo cujas mobilizações sempre foram, aliás, objetivamente ambientalistas.

Para minha satisfação, o material terminou intensamente discutido nos mais diversos encontros e seminários dos atingidos por barragens, animando uma mobilização da qual sou orgulhosamente um apoiador.

O texto Ecologia e Movimentos Sociais: Breve Fundamentação foi publicado na Coletânea Hidrelétricas, Ecologia e Progresso - Contribuições para um Debate, uma edição do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Rio de Janeiro, 1990), encontrando-se à disposição de todo interessado.

O teor integral do texto publicado pode ser acessado abaixo em arquivo PDF.
Clique aqui para fazer o download do arquivo em PDF

FONTE : http://www.mw.pro.br/mw/mw.php?p=eco_ecologia_e_movimentos_sociais&c=e

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Miguel Nicolelis, seus sonhos e nossos sonhos...


Novembro 2008


Nos dias 05 e 06 de novembro, o presidente da AASDAP, Miguel Nicolelis, realizou encontros com as turmas de alunos da Escola Alfredo J. Monteverde de Natal e Macaíba. Falou de sua história de vida, de sua infância e adolescência, das pesquisas que desenvolve, da importância de sonhar e batalhar para transformar os sonhos em realidade.



Estimulou cada um dos meninos a se apresentar e falar de seus sonhos. Ouvindo-os atentamente e respondendo às indagações e questionamentos dos alunos, dialogou afetiva e respeitosamente com todos e com cada um, falando com e não para eles. Os registros da maioria dos adolescentes mostram como Miguel conseguiu tirar do altar a ciência e o cientista ofertando-se como testemunho orgânico ao saboreio do saber.



Depoimento de alunos

Unidade de Macaíba

-- O mais importante foi que ele falou sobre nunca desistir.

-- O que achei mais significativo foi que ele falou de ir em busca dos
sonhos apesar das críticas.

-- Saber da importância da avó em sua vida.

-- Ele ter nos escutado e vice e versa.

-- A presença de Miguel Nicolelis, porque ele é nosso presidente é médico
e cientista e eu abracei ele.

-- O orgulho de ser brasileiro.

-- Ele estar pronto para responder as perguntas dos alunos.

-- O gosto na profissão de ser cientista e dele falar de sua vida.

-- Das dicas de como falar em público, de responder as perguntas dos
alunos com clareza e da pesquisa para uma doença chamada tremedeira.

-- Ao declarar que nós alunos somos o sonho dele.

-- Quando ele descobriu que o cérebro era como uma sinfonia.

-- Pelo incentivo dado a nós de seguir nossos sonhos.

Unidade de Natal

-- Para mim foi bom, eu sempre quis saber quem foi o homem que
planejou este lugar onde duas vezes por semana eu venho.

-- O exemplo de um sonho que está quase completo, que depende da
felicidade e sonho dos outros.

-- Eu fiquei comovida foi quando ele falou que a ciência tem capacidade
de fazer voltar a andar uma pessoa paraplégica.

-- Os experimentos dele sobre a macaca que se movimentou e fez o
robô se movimentar e em troca ganhava suco de frutas.

-- Ele contou como surgiu a escola e a gente pôde ouvir os sonhos de
nossos colegas.

-- O fato de ele lutar pelos seus sonhos mesmo quando ninguém
acreditava que ele pudesse implantar uma unidade de ensino aqui.

-- Esse dia ficou marcado na minha vida... me incentivou mais ainda
a não desistir jamais.

-- Que todos os sonhos são possíveis.

-- Achei muito interessante por que ele falou um pouco do nosso brasileiro
Santos Dumont que muita gente não acreditava que ele iria voar, mas ele voou.

-- Que essa foi a primeira escola do mundo que é assim.

-- Gostei de saber que somos famosos em outros lugares.

-- Achei interessante o jeito dele se expressar, pensei que um cientista
falava bem difícil.

http://www.natalneuro.org.br/noticias_brasil/2008-11novembro.asp

Nicolelis, Miguilins e o Mutum



Miguel Nicolelis



“Ele queria ver mais as coisas, todas, que o olhar não dava”.
(Guimarães Rosa, in: Manuelzão e Miguilim)


Triste, triste é o talento que nunca pode florescer, que persiste perenemente asfixiado na anemia de recursos e de oportunidades. Doloroso é ver vidas que se queimam inapelavelmente na fogueira da miséria, cuja fumaça é vista de longe por olhares soberbos com preconceito, desprezo e arrogante presunção.

Lindo e sublime é contemplar o manancial se abrir sobre a carência, fazendo aflorar inteligências e dignidade de viver, tornando realidade o que antes era um longínquo potencial.

Miguilim, menino pobre, mas curioso com um mundo do qual não vê nada além de imagens borradas que o cerca, tem sua travessia rosiana marcada pelo encontro com o Dr. José Lourenço, que lhe percebe a miopia e lhe coloca os óculos, permitindo ao garoto ver um universo que, mesmo próximo, nunca lhe fora tangível.

“Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...”.

As lentes corretivas, a possibilidade de estudar na cidade: o dr. José Lourenço é o catalisador de um processo que dará a Miguilim a possibilidade de se desenvolver como pessoa.

Numerosos são os “Miguilins” Brasil afora. E poucos, muito poucos, são os “doutores José Lourenço”.

Apesar do que se poderia supor a partir do nome, o paulistano Miguel Nicolelis não é um “Miguilim”. É um “dr. José Lourenço”.

Quando ainda era estudante de medicina na USP, nos anos 80, Nicolelis fundou uma associação acadêmica que permitiu às crianças carentes da região utilizar as quadras esportivas da universidade. A entidade estudantil existe até hoje e, através dela, milhares de crianças que não tinham possibilidade de praticar esportes podem fazê-lo em um ambiente que cultiva valores como a solidariedade e o espírito de equipe.

O atual projeto liderado por Nicolelis é muito maior do que a escolinha de esportes. Mas o tamanho de seu desafio não faz frente à grandeza de seu caráter.

Aos 47 anos, Nicolelis é um pesquisador de primeira grandeza nas neurociências, tendo sido apontado como um dos 50 cientistas mais influentes do mundo pela Scientific American. Há anos coordena na Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA), um laboratório que está na vanguarda da neuroengenharia. Os animadores resultados de seus trabalhos exploram a movimentação de próteses mecânicas sob controle do pensamento, a partir de microchips implantados em regiões estratégicas do cérebro. Suas pesquisas podem trazer uma possibilidade terapêutica extraordinária para pacientes vítimas de lesões medulares, posicionando-o entre possíveis futuros laureados pelo Prêmio Nobel.

Tantos anos produtivos e gloriosos no “Primeiro Mundo” não lhe esfriaram a consciência sobre o país de onde veio. O panteão nacional e a bossa-nova que emana da página do seu laboratório na internet são reveladores. Cônscio do impacto que a educação e a ciência têm na trajetória de um povo, Nicolelis decidiu capitanear um ambicioso projeto que tenta colocar no mapa das neurociências a pobre Macaíba, cidade próxima da capital do Rio Grande do Norte.

É lá que ele cravou a bandeira do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN), com o propósito de estabelecer um pólo avançado em neurociências, atraindo pesquisadores da área, sobretudo jovens brasileiros que se encontram espalhados em universidades do exterior.

Além dessa vocação para a excelência na pesquisa, o alvo do IINN é ainda mais amplo: é usar a ciência como agente de transformação social. Por isso, no complexo do Instituto, há também um centro de saúde e duas escolas com bem equipados laboratórios de física, química e biologia, acolhendo jovens carentes de 11 a 17 anos.

Conhecedor das dezenas de boas idéias que brotaram no Brasil, mas que naufragaram em vicissitudes político-econômicas, Nicolelis impulsionou o IINN não só com o apoio dos governos estadual do RN e federal, mas, sobretudo, com o suporte estrangeiro. Nicolelis usou seu enorme prestígio para estabelecer parcerias e angariar fundos junto a prestigiosas instituições do mundo todo, como o Instituto Max Planck (Alemanha), além de universidades da América do Norte, da Europa e de Israel.

O sonho de Nicolelis levantou vôo, embora nem todos os projetos ligados ao instituto estejam já funcionando. Mas já há pesquisadores produzindo ciência, publicando resultados em jornais importantes. É o caso de Sidarta Ribeiro, ex-aluno de pós-doutorado no laboratório norte-americano de Nicolelis. Apaixonados pelo desafio, eles dizem com firmeza: “Escolhemos Natal porque acreditamos que a produção científica brasileira precisa ser descentralizada do eixo Rio - São Paulo - Minas Gerais. O conhecimento de ponta deve ser disseminado para outros pontos do país; o Nordeste é a Califórnia brasileira.”

Nicolelis e seu IINN se contrapõem frontalmente ao zeitgeist brasileiro.

Ele se choca contra os celerados que chafurdam na ignorância da história brasileira, apoiando excrescências ideológicas como o “Movimento República de São Paulo” e “O Sul é o meu país”.

Bate-se contra a proposta irresponsável que introduz na sociedade brasileira o germe do franco conflito racial, através da política de cotas nas universidades públicas.

Digladia-se com os que depreciam e discriminam nordestinos apenas por terem nascido onde nasceram.

Confronta-se com aqueles “bem intencionados” que querem isolar índios do contato com a civilização.

Olha com consciência e civismo para os problemas de seu país, chamando-o pelo nome, Brasil, enquanto muitos outros, em galhofa depreciativamente irresponsável, tratam por “Banânia”, talvez por refutarem o esforço que implica na construção de uma nação, talvez por rejeitarem uma terra que não esteja pronta como outras.

Por mais comovente que seja ver o empenho obstinado de um brilhante cientista que poderia nunca mais olhar para o Brasil, não será Nicolelis e seu IINN que salvarão o nordeste. Ele não é um messias. Tampouco será a transposição do São Francisco ou o Bolsa Família que transformarão o sertão. Não será uma ação governamental isolada que resgatará esse pedaço negligenciado do Brasil. Será um ciclo virtuoso de investimentos individuais, privados e estatais que trará o desenvolvimento à região, segurando migrantes, magnetizando talentos, gerando riqueza. Talvez já esteja começando, com a Ford na Bahia, com Porto de Suape em Pernambuco, com o petróleo em Mossoró, com o IINN no Rio Grande do Norte, com o turismo que atrai cada vez mais europeus para os resorts e pousadas do nordeste.

Acreditar e investir no poder civilizador da produção e difusão do conhecimento é a via mais segura rumo ao desenvolvimento, rumo à dignidade de vida. É o que fará esse jovem país “Miguilim” livrar-se de sua miopia, passando a enxergar o mundo, a si mesmo e seus enormes problemas sem indulgências, sem patriotadas, mas com a esperança que advém do trabalho, do talento, da inteligência e da coragem.

“E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia.”

Quando curados da miopia causada pela ignorância, pelo preconceito, pela covardia e pela falta de compromisso cívico, o país que se descortina diante dos nossos olhos argutos é ainda cheio de problemas graves, mas pleno de riquezas e de possibilidades. É o nosso Mutum, o nosso BRASIL.



PS: Depois de uma longa temporada na Holanda, Fernando Sampaio retornou ao Brasil. Com sua consciência cheia de ideais iluministas (Lumières), ele empenha sua experiência, sua cidadania e seu trabalho na construção de um país melhor. Leia seu depoimento em:

http://deslumieres.blogspot.com/2008/05/brasil-holanda.html

http://aterceiramargemdosena.blogspot.com/2008/05/nicolelis-miguilins-e-o-mutum.html


sábado, 14 de fevereiro de 2009

FALANDO EM ADAPTAÇÃO....E EM CRISES...


Esses dois ideogramas chineses ao lado, significam "crise".
É formado pelos ideogramas : risco(perigo) e oportunidade.
Sempre lembro disto! e considero os orientais muito mais preparados para a vida. As dificuldades , os problemas da vida,geralmente são a própria vida! fazem parte de nossas vidas! E se pensarmos na vida dos chineses e até dos japoneses,veremos que deve ser repleta de situações a serem transpostas,muito mais complexas do que as nossas.
Nós brasileiros ainda estamos na infância ou no máximo na adolescência em relação a idade de nosso país,e talvez por este motivo, por sermos um povo jovem, consideramos tudo muito além de nós mesmos...
(isto sem considerar que os povos indígenas já estavam aqui muito antes dos portugueses aqui chegarem!)
Esta adaptação à vida que os povos de países antigos ou do velho mundo possuem,fazem com que tenham muito mais discernimento em sua luta diária e não se desesperem, a ponto de perderem a confiança neles próprios,e em sua força de trabalho.
Mas gostaria de falar sobre a nossa não adaptação às injustiças que nos cercam! Mais especificamente sobre educação e sobre nossa cultura machista e capitalista selvagem!
Não é preciso ser gênia para perceber as razões que levaram nossa educação para o buraco!
A mentalidade machista fez com que a educação ficasse relegada às mulheres, como se elas e as crianças fossem da senzala! Os salários por esta razão, cada vez mais foram diminuindo!
Os "machistas" ( esta expressão engloba para mim a mentalidade de toda nossa sociedade,que considera os homens os centros de tudo, e as mulheres simples satélites a servir os homens!)
Por causa desta mentalidade, a educação das crianças geralmente e em totalidade, fica nas mãos das mulheres. Pouquíssimos homens dedicam-se ao magistério. E se formos ver,nas primeiras séries do ensino básico (primário) ou na pré escola,não encontraremos um único homem trabalhando como professor! (isto é realidade em escolas públicas, nas privadas já não sei afirmar, mas acredito que não seja tão diferente).
Se formos olhar para o âmbito doméstico então! raros são os pais que dedicam-se como deveria à educação dos filhos! Constatamos então que minha tese sobre o machismo não é tão absurda assim!
Resumindo, a educação encontra-se neste caos porque as mulheres são muito mais oprimidas do que os homens! e sendo elas a educar as crianças e adolescentes,só poderia dar nisso!
O círculo vicioso tem funcionado muito bem! pagasse mal as professoras, com isso elas não podem estudar, pesquisar como deveria fazer uma verdadeira educadora,aí os alunos tornam-se cada vez mais rebeldes, por causa da má qualidade de ensino, aí então as professoras ficam cada vez mais desesperançadas e pobres, sem poder comprar sequer um livro por mês!
O sistema malha quem? as professoras que ficam cada vez mais desmoralizadas!
As pessoas condicionadas pelo capitalismo atacam as humildes e pobres professoras, porque num pais onde o importante é ter, ao invés de ser... e assim está montado o circo! E as teorias de Paulo Freire e de Tragtenberg, que poderiam proporcionar alguma saída para as professoras, elas nem conhecem! O que fazer então!? Qual a saída para este caos!? Se as crises é que podem nos trazer novas oportunidades, como pensam os chineses, estejamos certos que embora a transição seja arriscada, dolorosa para muitos, ainda assim devemos nos concentrar e saber que isto é a vida, cheia de desafios vertiginosos e estimulantes! Todos os problemas são passíveis de solução!
é algo normal, é algo que devemos encarar com seriedade e calma! e irmos em frente com muita determinação! muita força! passos firmes e fortes! para amadurecermos é preciso passarmos por muitas atribulações, muitas transformações, e se esta nossa crise educacional junta-se com a crise econômica do país, as transformações das pessoas se dará com mais rapidez, e aí quem sabe tudo possa resolver-se mais rápido!

Nadia Stabile - 14/02/09

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

OFICINA NA NATUREZA


POR BETO SAMÚ
Se apropriar do espaço da natureza para a educação, embaixo de uma mangueira, coqueiro, sentados à grama, ou, como diz Thoreau, em cima de uma abóbora... quer espaço educativo melhor? Qtas conexões podemos fazer, o tempo todo? Um vôo de borboleta, uma fila de formigas, um riacho q corre para um lago, as nuvens passando no céu, a música da natureza, a energia do sol, a chuva que dá vida, as vozes dos animais, contar árvores da mesma espécie, achar galhos espalhados pelo chão com o mesmo formato... tá aí, acho q mencionei todas as disciplinas de uma escola convencional... qual é das duas a mais motivadora?
... nessa escola não precisa de lousa e nem caderno pra anotar, é só prestar atenção ao momento e pensar, divagar, voar... e criar.

FONTE : http://vidanosbosques.blogspot.com/


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Linguagem e leitura




Foi no século XX, mais exatamente a partir de 1980, que a visão de linguagem como um fenômeno social da interação verbal abriu um horizonte heurístico amplo para discutir questões como a da identidade, da subjetividade, da intersubjetividade, da alteridade e das práticas discursivas em geral, envolvendo pensadores como Lev Vygotsky na teoria da cognição; Jacques Lacan na psicanálise; várias correntes filosóficas como o existencialismo.
Vygotsky (1984) teve grande importância para a educação ao enfatizar a origem social da linguagem e do pensamento, sendo o individual e o social elementos mutuamente constitutivos de um todo. Para ele, são as funções psicológicas superiores que se constituem em transformações internalizadas de padrões sociais de interação interpessoal.
Também foi no século XX que se delineou a Análise do Discurso, já citada anteriormente, tendo como espaço qualquer seqüência de enunciados que oferece lugar à interpretação. Assim como todo enunciado é suscetível de tornar-se outro, diferente de si mesmo, há também o outro nas sociedades e na história, relação que abre a possibilidade de interpretação, já que essas ligações promovem memórias e redes de significantes.
Nesse sentido, para a Análise do Discurso é preciso determinar o lugar e o momento da interpretação, em relação aos da descrição. Já toda descrição abre sobre a interpretação, ou seja, tem o discurso-outro como espaço virtual de leitura. Assim, o discurso incorporado a um “corpus” está arriscado a um apagamento do acontecimento, através de sua absorção em uma sobreinterpretação antecipadora.
Bakhtin mostra-nos a dimensão das relações sociointeracionais para o sujeito ao dizer:


Viver significa tomar parte no diálogo: fazer perguntas, dar respostas, dar atenção, responder, estar de acordo e assim por diante. Desse diálogo uma pessoa participa integralmente e no correr de toda sua vida: com seus olhos, lábios, mãos, alma, espírito, com seu corpo todo, e com todos os seus feitos. Ela investe seu ser inteiro no discurso e esse discurso penetra no tecido dialógico da vida humana, o simpósio universal (BAKHTIN, 1997, P. 293).


De acordo com Martins (1982), na tentativa de entender o mundo, atribuindo sentido ao que nos cerca, damos os primeiros passos na aprendizagem da leitura. Somos capazes de entender o processo da leitura, com algumas orientações, necessitando, além do conhecimento lingüístico, de todo um sistema de relações interpessoais e entre as várias áreas do conhecimento e da expressão do homem e das suas circunstâncias de vida (MARTINS, 1982, pp. 13 e 14).
A autora acrescenta que existe um leitor anteriormente à descoberta do significado da palavra escrita, situação decorrente de suas experiências de vida e do mundo social e cultural que o rodeia. Essa leitura, porém, pode encontrar inúmeros obstáculos nas situações em que as pessoas têm pouco convívio humano ou relações sociais restritas, bem como condições de sobrevivência precárias.
Nesse contexto, assume papel preponderante a memória humana, tanto para a vida quanto para a leitura, quando de fato carrega a lembrança de algo significativo, e a valorização da palavra escrita (signo arbitrário) como instrumento de comunicação e registro da história humana em um sentido democrático, não como instrumento de poder, de discriminação. Assim, é possível perceber que o ato de ler está ligado, de forma absoluta, a condições subjetivas e objetivas do leitor, ou seja, qualquer enunciado será compreendido nos aspectos social, político e cultural em que ele acontece.
Sobre o processo da leitura é importante observar que este se dá em circunstâncias dialógicas entre leitor e objeto, na intermediação com outros leitores e de acordo com um contexto. O processo da leitura é de tal forma complexo, que a ele necessitamos conferir uma explanação, sob pena de incorrermos em um reducionismo ao considerá-lo dependente unicamente do leitor ou do professor ou da escola.
Para Foucambert (1994):


Aprender a ler é entrar na funcionalidade de um modo de comunicação escrita; é entrar, portanto, nas razões e redes dessa comunicação. As aquisições técnicas são conseqüências dessa entrada, não sua causa; não podem, pois, ser separadas dela. Para aprender a ler, é preciso estar integrado a um grupo heterogêneo que realmente utiliza a escrita (ou seja, aprender a ler lendo): a leitura é uma função social (FOUCAMBERT, 1994, p.70).

Joyce Sanchotene

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tese: MAURÍCIO TRAGTENBERG E A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA - ANTONIO OZAÍ DA SILVA























Autor: Antonio Ozaí da Silva
Tese: MAURÍCIO TRAGTENBERG E A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA
Orientador: Nelson Piletti
Instituição: Universidade de São Paulo (USP)
Ano: 2004

Resumo: Este trabalho analisa a contribuição de Maurício Tragtenberg, enquanto intelectual engajado, à Pedagogia Libertária. No capítulo primeiro apresentamos um esboço biográfico. No seguinte, analisamos o autodidatismo e a sua práxis no espaço da informalidade (entendido aqui como o espaço externo às instituições e ao ensino formal), em especial sua militância enquanto escritor envolvido com o mundo do trabalho e as lutas sociais. No terceiro capítulo, estudamos a sua obra intelectual, produzida e orientada para e no espaço formal da instituição acadêmica; os aspectos libertários e a sua contribuição enquanto produção intelectual vinculada ao movimento social. Não se teve a pretensão de fazer uma análise definitiva, mas apenas apreender em que medida sua obra se vincula ao projeto pedagógico libertário. No último capítulo, analisou-se o que ele escreveu sobre a universidade e a educação, sua crítica e proposta pedagógica e, também a sua práxis como docente e intelectual, partícipe do campo acadêmico. Examinou-se os seus escritos sobre educação, a sua prática como educador e os vínculos com a Pedagogia Libertária e a Pedagogia Crítica.

Disponível em http://www.4shared.com/file/76216035/366bce7d/DOUTORADO.html

FONTE : http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Incentivo à leitura


Do site: comunicação e informação na internet
gilbertoconsoni.com

Perca um livro de propósito e incentive a leitura
Publicado Terça-feira, Novembro 18, 2008 High tech
Tags: interação, Web 2.0, colaboração

Um serviço da web promete incentivar as pessoas a lerem livros, fazerem seus comentários do mesmo e depois os perderem para que outros os encontrem. O sistema parece simples: acessa-se o sistema e se cadastra o livro colocando o local de onde será perdido, um código é gerado e uma etiqueta impressa com os dados da campanha e do serviço na web para serem colados na primeira página do livro.
Etiqueta Perca um Livro

A etiqueta gerada pelo sistema com o código do livro perdido deve ser anexada no livro

As pessoas acessam o site e descobrem onde os livros serão perdidos e a idéia é que outros os encontrem, leiam e depois os percam novamente, informando o sistema para que terceiros venham a achá-los também. Com isso, cria-se uma rede de leitura de um único livro.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"SOCIEDADE DESESCOLARIZADA" DE IVAN ILLICH (clique aqui)




"SOCIEDADE DESESCOLARIZADA" DE IVAN ILLICH

Enquanto Paulo Freire e seus seguidores pensavam na possibilidade de uma pedagogia do oprimido, Ivan Illich denunciava a opressão da pedagogia, apontando o ensino escolar como o principal expropriador da autonomia individual.

Esse ataque à escola - “essa velha e gorda vaca sagrada”- tanto da direita como da esquerda, lhe rendeu um ostracismo intelectual que só agora começa a se romper com o chamado movimento antiglobalização e o pensamento ecológico radical que direta ou indiretamente foram influenciados pelas críticas do velho padre austriaco.

Título: Sociedade Desescolarizada
Autor: Ivan Illich
Páginas: 114
Formato: 14 x 20

R$ 14,00

FONTE: http://deriva.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=43&Itemid=59?option=com_content&task=view&id=43&Itemid=59

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