Projeto obriga político a matricular filho em escola pública
MS Notícias
18-Fev-2009
O ex-ministro da Educação e senador Cristovam Buarque apresentou projeto de lei no Senado que determina a obrigatoriedade de políticos eleitos matricularem seus filhos nas escolas públicas, como forma de comprometê-los com a melhoria da qualidade de ensino no País. A proposta, apresentada em 2007, prevê a implementação da medida até 2014.
Pode-se estimar, segundo o ex-ministro, que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais - vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República - deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$ 2.373,84 inclusive no exterior. Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoral.
\"Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos\", diz o senador, na justificativa do projeto.
Confira a íntegra do projeto e da justificativa:
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2007
Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica.
Art. 2º Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014.
Parágrafo Único. As Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas Estaduais poderão antecipar este prazo para suas unidades respectivas.
JUSTIFICAÇÃO
No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público.
Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.
Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos. (...)
LEIA NA ÍNTEGRA EM : http://www.cristovam.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2540&Itemid=2
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segunda-feira, 23 de março de 2009
O QUE EDUCAÇÃO TEM A VER COM CIBERCULTURA? E NINGUÉM SABE TUDO!
Se considerarmos que educadores devem estar com os dois pés e a alma em seu tempo e espaço,veremos que educação e cibercultura têm tudo a ver!!
O educador é o cara que educa,e portanto se ele não se educa primeiro,fica impossível e até ridículo ele querer transformar os estudantes se ele próprio não consegue transformar-se!
Estamos passando por grandes mudanças culturais, sociais exatamente por causa deste novo boom tecnológico! Assim como a escola já foi atingida pela era da televisão,e antes ainda,a era do rádio, hoje esta era da Internet sacode de vez todos os paradigmas embolorados,e isto é muito bom porque se os educadores não perceberem que precisam transformar-se mais do que nunca,muitas coisas ruirão de vez, e aí a desconstrução se efetivará de uma vez por todas! Sou daquelas que torcem para as porcarias ruierem mesmo! alicerces ruins não prestam para nada!
Educador que é mesmo educador,dá bons exemplos! A humanidade não precisa de mais exemplos ruins! "Educadores" de carreira são aqueles que só pensam em suas profissões como um emprego, mas ser educador está bem além disso,há a vocação, o talento,assim como um artista!que enxerga sua arte como algo vital,como algo ideal!
E a cibercultura está aí para fazer dos educadores grandes moderadores e talvez ajudar a derrubar o paradigma de que professor sabe tudo e nunca pode reconhecer que não conhece tal fato e que então junto com os estudantes irá pesquisar no maior centro do conhecimento que a humanidade já conheceu!!a Internet!
Se os professores admitissem perante seus alunos que não sabem alguma coisa que seja,derrubariam o mito do professor sábio e que é quase um Deus de uma determinada área do conhecimento! que coisa ridícula! que desserviço ao desenvolvimento intelectual dos estudantes e que hipocrisia! Professor tem o direito de não saber!
ninguém sabe tudo!
Nadia Stabile - 23/03/09
O educador é o cara que educa,e portanto se ele não se educa primeiro,fica impossível e até ridículo ele querer transformar os estudantes se ele próprio não consegue transformar-se!
Estamos passando por grandes mudanças culturais, sociais exatamente por causa deste novo boom tecnológico! Assim como a escola já foi atingida pela era da televisão,e antes ainda,a era do rádio, hoje esta era da Internet sacode de vez todos os paradigmas embolorados,e isto é muito bom porque se os educadores não perceberem que precisam transformar-se mais do que nunca,muitas coisas ruirão de vez, e aí a desconstrução se efetivará de uma vez por todas! Sou daquelas que torcem para as porcarias ruierem mesmo! alicerces ruins não prestam para nada!
Educador que é mesmo educador,dá bons exemplos! A humanidade não precisa de mais exemplos ruins! "Educadores" de carreira são aqueles que só pensam em suas profissões como um emprego, mas ser educador está bem além disso,há a vocação, o talento,assim como um artista!que enxerga sua arte como algo vital,como algo ideal!
E a cibercultura está aí para fazer dos educadores grandes moderadores e talvez ajudar a derrubar o paradigma de que professor sabe tudo e nunca pode reconhecer que não conhece tal fato e que então junto com os estudantes irá pesquisar no maior centro do conhecimento que a humanidade já conheceu!!a Internet!
Se os professores admitissem perante seus alunos que não sabem alguma coisa que seja,derrubariam o mito do professor sábio e que é quase um Deus de uma determinada área do conhecimento! que coisa ridícula! que desserviço ao desenvolvimento intelectual dos estudantes e que hipocrisia! Professor tem o direito de não saber!
ninguém sabe tudo!
Nadia Stabile - 23/03/09
sábado, 14 de fevereiro de 2009
FALANDO EM ADAPTAÇÃO....E EM CRISES...

Esses dois ideogramas chineses ao lado, significam "crise".
É formado pelos ideogramas : risco(perigo) e oportunidade.
Sempre lembro disto! e considero os orientais muito mais preparados para a vida. As dificuldades , os problemas da vida,geralmente são a própria vida! fazem parte de nossas vidas! E se pensarmos na vida dos chineses e até dos japoneses,veremos que deve ser repleta de situações a serem transpostas,muito mais complexas do que as nossas.
Nós brasileiros ainda estamos na infância ou no máximo na adolescência em relação a idade de nosso país,e talvez por este motivo, por sermos um povo jovem, consideramos tudo muito além de nós mesmos...
(isto sem considerar que os povos indígenas já estavam aqui muito antes dos portugueses aqui chegarem!)
Esta adaptação à vida que os povos de países antigos ou do velho mundo possuem,fazem com que tenham muito mais discernimento em sua luta diária e não se desesperem, a ponto de perderem a confiança neles próprios,e em sua força de trabalho.
Mas gostaria de falar sobre a nossa não adaptação às injustiças que nos cercam! Mais especificamente sobre educação e sobre nossa cultura machista e capitalista selvagem!
Não é preciso ser gênia para perceber as razões que levaram nossa educação para o buraco!
A mentalidade machista fez com que a educação ficasse relegada às mulheres, como se elas e as crianças fossem da senzala! Os salários por esta razão, cada vez mais foram diminuindo!
Os "machistas" ( esta expressão engloba para mim a mentalidade de toda nossa sociedade,que considera os homens os centros de tudo, e as mulheres simples satélites a servir os homens!)
Por causa desta mentalidade, a educação das crianças geralmente e em totalidade, fica nas mãos das mulheres. Pouquíssimos homens dedicam-se ao magistério. E se formos ver,nas primeiras séries do ensino básico (primário) ou na pré escola,não encontraremos um único homem trabalhando como professor! (isto é realidade em escolas públicas, nas privadas já não sei afirmar, mas acredito que não seja tão diferente).
Se formos olhar para o âmbito doméstico então! raros são os pais que dedicam-se como deveria à educação dos filhos! Constatamos então que minha tese sobre o machismo não é tão absurda assim!
Resumindo, a educação encontra-se neste caos porque as mulheres são muito mais oprimidas do que os homens! e sendo elas a educar as crianças e adolescentes,só poderia dar nisso!
O círculo vicioso tem funcionado muito bem! pagasse mal as professoras, com isso elas não podem estudar, pesquisar como deveria fazer uma verdadeira educadora,aí os alunos tornam-se cada vez mais rebeldes, por causa da má qualidade de ensino, aí então as professoras ficam cada vez mais desesperançadas e pobres, sem poder comprar sequer um livro por mês!
O sistema malha quem? as professoras que ficam cada vez mais desmoralizadas!
As pessoas condicionadas pelo capitalismo atacam as humildes e pobres professoras, porque num pais onde o importante é ter, ao invés de ser... e assim está montado o circo! E as teorias de Paulo Freire e de Tragtenberg, que poderiam proporcionar alguma saída para as professoras, elas nem conhecem! O que fazer então!? Qual a saída para este caos!? Se as crises é que podem nos trazer novas oportunidades, como pensam os chineses, estejamos certos que embora a transição seja arriscada, dolorosa para muitos, ainda assim devemos nos concentrar e saber que isto é a vida, cheia de desafios vertiginosos e estimulantes! Todos os problemas são passíveis de solução!
é algo normal, é algo que devemos encarar com seriedade e calma! e irmos em frente com muita determinação! muita força! passos firmes e fortes! para amadurecermos é preciso passarmos por muitas atribulações, muitas transformações, e se esta nossa crise educacional junta-se com a crise econômica do país, as transformações das pessoas se dará com mais rapidez, e aí quem sabe tudo possa resolver-se mais rápido!
Nadia Stabile - 14/02/09
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Bronca de mãe para a volta às aulas.

A conversa mais comum entre as mães, este mês, é a volta às aulas. Tumulto nas papelarias, listas de materiais infindáveis, preços abusivos de livros e apostilas. Todo ano a mesma coisa. Com a diferença que, nos últimos anos, a consciência das pessoas aumentou. E a crise fez o "hellôô!" ecoar ainda mais alto.
Só falta as escolas escutarem. Uma mãe disse: "Se eu soubesse que a lista seria assim, não teria matriculado meu filho nesta escola". A lista de material está virando fator de escolha da escola. Não apenas pelo preço. Por uma questão também de sensação de respeito e parceria com os pais. As pessoas estão finalmente mais atentas ao consumo. Escutam por todos os lados apelos para consumirem com mais critério. Sentem que precisam se reeducar para viver com menos. E quando se trata de educação (ou reeducação), nada mais lógico do que esperar que as escolas sejam as primeiras a adotar uma postura consciente, solidária, educadora.
Para mim, a primeira mudança deveria ser nos livros didáticos. A maioria dos livros adotados pelas escolas particulares são feitos para serem descartados após um ano de uso. ABSURDO! Fora do Brasil existem os livros texto e os livros de exercício. Os livros textos, coloridos e bem elaborados, passam de aluno para aluno ao longo dos anos. Os livros de exercícios, impressos em preto e branco e bem mais baratos, são os únicos trocados anualmente. Faz todo sentido. Mas por aqui, eles são montados em um único volume, de forma a serem inutilizados após um ano de uso. Desperdiçando-se uma montanha de dinheiro e de papel. Livro reutilizável deveria ser lei para todas as escolas, públicas ou particulares.
Outra mãe reclama que a escola pediu 8 tubos de cola. Fala sério! Se é para usar tanta cola, porque a escola não compra logo tubões de 1kg, de uso coletivo e muito mais baratos. Ó o "Hellô" não sendo escutado. A outra reclama que a apostila produzida pela própria escola só imprime as folhas na frente. "Hellôô again!" Hoje em dia qualquer copiadora que se preze imprime frente e verso. O custo de papel cai pela metade e também o desperdício.
E por aí vai. De tubinho de guache em tubinho de cola, o que se espera é parceria e respeito. Ninguém quer que falte material. Queremos é sentir que estão respeitando nosso bolso e o momento que o planeta vive. Escola tem que dar exemplo. E nada mais exemplar do que uma lista bem calculada, apenas com o necessário e até mesmo com um acordo entre pais e escola de reposição dos materiais que forem acabando ao longo do ano. Assim nada estraga, nada se perde. É uma postura mais razoável e consciente.
Em tempo, não ouvi só críticas. Algumas mães elogiaram escolas que simplificaram suas listas, optaram por comprar materiais coletivos, reduziram ou mudaram os livros didáticos, trabalham com sucata, doações de livros de literatura e rodas de leitura onde cada aluno compra apenas um livro e é feito um rodízio. Nenhuma delas comentou que a qualidade do ensino caiu. Muito pelo contrário. Elogiam a sensibilidade das escolas e a rica experiência proporcionada aos alunos em compartilhar materiais.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
ESTE BLOG E PROCESSOS!!!
O pouco tempo que estou participando de um blog coletivo, o "SARAU PARA TODOS", deu-me a clareza de que o processo blogueiro pode ser bem interessante para iniciar atitudes democráticas!
A educação democrática,ou libertária, mostrou-me que a saída para começarmos a nos respeitar, a cultivar a tolerância e a respeitar enfim os processos alheios, passa pela convivência rotineira , ainda que de forma virtual, como é o caso da blogosfera!
As pessoas (blogueiros de um blog coletivo,no caso) vão se colocando sem moderação de ninguém e/ou de todos!!! Se a coisa for boa, ou se for ruim!! A polêmica se cria, ou não se cria! (podendo haver assembléias para se decidir linhas de ação)
Mas se assembléias não ocorrerem,ainda assim... ocorrerá algo curioso,que é o seguinte,as respostas virão de um jeito ou de outro nas futuras postagens dos membros do blog! E é aí é que a coisa começa a funcionar!!!
Um diz uma coisa, vem o outro e completa ,ou rebate!! E assim a coisa vai caminhando!! A conversa sempre acontece!! Direta ou indiretamente!!
A tal da autonomia intelectual tão almejada!! tão esperada, para que a educação a distância pudesse funcionar de verdade,para requalificação de professores e profissionais em geral, pode muito bem começar a ser desenvolvida na blogosfera!!
Se muitos hoje,partissem para ter um blog,coletivo ou não, e valorizassem muito mais seus interesses, suas curiosidades intelectuais, quem sabe num futuro próximo
esta autonomia intelectual, que tem tudo a ver com a mentalidade de pesquisador autodidata,chegaria a um bom patamar!
Nadia Stabile - 03/02/09
A educação democrática,ou libertária, mostrou-me que a saída para começarmos a nos respeitar, a cultivar a tolerância e a respeitar enfim os processos alheios, passa pela convivência rotineira , ainda que de forma virtual, como é o caso da blogosfera!
As pessoas (blogueiros de um blog coletivo,no caso) vão se colocando sem moderação de ninguém e/ou de todos!!! Se a coisa for boa, ou se for ruim!! A polêmica se cria, ou não se cria! (podendo haver assembléias para se decidir linhas de ação)
Mas se assembléias não ocorrerem,ainda assim... ocorrerá algo curioso,que é o seguinte,as respostas virão de um jeito ou de outro nas futuras postagens dos membros do blog! E é aí é que a coisa começa a funcionar!!!
Um diz uma coisa, vem o outro e completa ,ou rebate!! E assim a coisa vai caminhando!! A conversa sempre acontece!! Direta ou indiretamente!!
A tal da autonomia intelectual tão almejada!! tão esperada, para que a educação a distância pudesse funcionar de verdade,para requalificação de professores e profissionais em geral, pode muito bem começar a ser desenvolvida na blogosfera!!
Se muitos hoje,partissem para ter um blog,coletivo ou não, e valorizassem muito mais seus interesses, suas curiosidades intelectuais, quem sabe num futuro próximo
esta autonomia intelectual, que tem tudo a ver com a mentalidade de pesquisador autodidata,chegaria a um bom patamar!
Nadia Stabile - 03/02/09
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Edição mundial do Fórum de Mídia Livre começa hoje em Belém do Pará
Henrique Costa - Observatório do Direito à Comunicação
23.01.2009
Coletivos, blogueiros, movimentos sociais, acadêmicos, ONGs e ativistas de várias partes do mundo se reúnem nos dias 26 e 27 no Fórum Mundial de Mídia Livre, que acontece junto ao Fórum Social Mundial (FSM), em Belém do Pará. Sob a identidade do “midialivrismo” e evocando a militância contra-hegemônica, o evento pretende debater e, ao mesmo tempo, praticar formas de comunicação alternativa.
O primeiro Fórum de Mídia Livre ocorreu no Rio de Janeiro em junho de 2008 e contou com a participação de cerca de 500 ativistas, exaltando a pluralidade de experiências e de propostas. Desta vez, a integração ao FSM fomenta a expectativa de que participantes do Brasil e de outros países reflitam sobre a garantia do direito à comunicação através da colaboração entre os diversos veículos alternativos e à luz das novas tecnologias.
“Vamos tentar dar um caráter mundial para o evento, pois contaremos com mais de uma centena de países”, conta Renato Rovai, editor da Revista Fórum e um dos impulsionadores do Fórum de Mídia Livre. Diante da necessidade de enfrentar uma das maiores concentrações de propriedade de mídia do mundo, diz Rovai, torna-se imperativo construir novas redes de produção e troca de conteúdos. “O evento é promovido por veículos de comunicação que não se reconhecem na mídia tradicional.”
Entre eles há várias definições, como descreve Rita Freire, editora da Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada e integrante do GT de comunicação do FSM. “São as mídias alternativa, comunitária, popular, independente, enfim, que estão fora do mercado. Elas vão discutir como defender o direito à comunicação, discutir políticas públicas, marcos regulatórios.”
De fato, é a heterogeneidade a principal característica tanto do FSM, quanto do Fórum de Mídia Livre. É a idéia de construir novos canais de disputa da hegemonia da informação, no entanto, que reúne uma diversidade rara de militantes e organizações. “Muitas pessoas estão se reconhecendo como fazedores de mídia”, conta Ivana Bentes, professora da Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Desafios da mídia livre
Como resultado desse esforço, o Fórum de Mídia Livre promoverá duas mesas de debate e um seminário, tentando abranger os desafios da mídia livre, como a ampliação da comunicação compartilhada e de formas de aumentar a capacidade e abrangência destas redes de informação. Rovai acredita que o movimento atual já é um “ponto crítico da mídia tradicional”. Significa, para ele, que a grande mídia não consegue mais ignorar a profusão de informações por diferentes atores.
Ivana concorda e acredita que é necessário fortalecer a mídia livre apontando para um novo contexto nas comunicações. “Temos muitas iniciativas, mas que ainda não se comunicam entre si.” Nesse caso, impõe-se como desafio “articular-se mantendo a singularidade de cada um”.
Para o Fórum de Mídia Livre, é o momento para reconhecer outras redes para além do Brasil e da América Latina. A crise econômica é o pano de fundo para estas e outras discussões que se darão em Belém. Em um dos debates, é a própria atuação da mídia corporativa diante do caos sócio-econômico, do qual também é cúmplice, que estará no foco das atenções.
Colaborativo
Durante o Fórum Social Mundial, será através de uma rede aberta de cobertura conjunta entre as mídias não-comerciais que o evento se comunicará com o mundo. Esta experiência de comunicação colaborativa vem se aperfeiçoando com a seqüência de FSMs e será tema de um seminário no Fórum de Mídia Livre.
“Estamos discutindo a construção de modelos alternativos num contexto de destruição dos recursos do planeta e, por outro lado, buscando valorizar as diferentes culturas”, conta Rita. Exercício que sugere a superação do modelo mercadológico e que pretende “eliminar o recorte da competição entre os meios de comunicação”. Para a militante da Ciranda, a colaboração é o caminho para o embate com a mídia comercial. “Sem competição e lucro, o mercado não vive.”
Perpectivas
Após o I Fórum de Mídia Livre, em 2008, e desta sua edição mundial, é inevitável imaginar quais serão os resultados e as perspectivas em relação à afirmação da mídia livre resultantes da ação de um conjunto tão amplo de atores e diante da urgência pela democratização da comunicação no país. Alguns sites e blogs brasileiros têm sido bem sucedidos na iniciativa de expor algumas pautas e publicizar opiniões sobre temas polêmicos de maneira mais democrática do que o olhar enviesado da mídia comercial.
Com efeito, Renato Rovai sugere que esta seria uma “conquista subjetiva” da mídia livre. “Economia solidária e software livre, por exemplo, não se discutia na mídia tradicional”, lembra. Mas esta sensibilização é, naturalmente, difícil de ser medida e não é, necessariamente, resultado de uma articulação coletiva, de modo que é possível destacar outros resultados concretos.
Por exemplo, em Belém será apresentado aos participantes do Fórum Social Mundial o edital para os Pontos de Mídia Livre, nos mesmos moldes dos Pontos de Cultura criados pelo Ministério da Cultura, idéia que foi delineada pelos participantes do FML no Rio. Com o edital, o MinC premiará 60 iniciativas de comunicação compartilhada, incluindo sites, rádios, fanzines, blogs, TVs, estúdios de produção de áudio e vídeo e outras mídias.
“É o reconhecimento de quem está fazendo mídia fora do campo corporativo”, opina Ivana Bentes sobre o edital. A professora, porém, acredita que deve haver mais políticas públicas permanentes que dêem sustentabilidade a esta mídia não-comercial.
Este passo, para Ivana, seria dado com a realização da Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação permanente das organizações da sociedade civil. “O Fórum de Mídia Livre é um bom momento para pressionar para sua realização”, concorda Rita Freire. A conferência seria, no caso, a condição para uma transformação estrutural da realidade das comunicações no Brasil através de novos marcos regulatórios.
Verbas para todos
Outra questão que envolve diretamente o governo federal e que incidiria sobre os veículos de comunicação não-comerciais é a destinação de verbas para publicidade estatal. É consenso entre os participantes do evento que o dinheiro público não pode ser monopolizado pelas grandes empresas em detrimento de veículos “que não aceitam dinheiro de corporações”, como destaca Rita em relação à mídia livre. Rovai acredita que os grandes veículos “não informam mais sozinhos” e que é hora de os midialivristas terem seu valor finalmente reconhecido.
FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=4616
23.01.2009
Coletivos, blogueiros, movimentos sociais, acadêmicos, ONGs e ativistas de várias partes do mundo se reúnem nos dias 26 e 27 no Fórum Mundial de Mídia Livre, que acontece junto ao Fórum Social Mundial (FSM), em Belém do Pará. Sob a identidade do “midialivrismo” e evocando a militância contra-hegemônica, o evento pretende debater e, ao mesmo tempo, praticar formas de comunicação alternativa.
O primeiro Fórum de Mídia Livre ocorreu no Rio de Janeiro em junho de 2008 e contou com a participação de cerca de 500 ativistas, exaltando a pluralidade de experiências e de propostas. Desta vez, a integração ao FSM fomenta a expectativa de que participantes do Brasil e de outros países reflitam sobre a garantia do direito à comunicação através da colaboração entre os diversos veículos alternativos e à luz das novas tecnologias.
“Vamos tentar dar um caráter mundial para o evento, pois contaremos com mais de uma centena de países”, conta Renato Rovai, editor da Revista Fórum e um dos impulsionadores do Fórum de Mídia Livre. Diante da necessidade de enfrentar uma das maiores concentrações de propriedade de mídia do mundo, diz Rovai, torna-se imperativo construir novas redes de produção e troca de conteúdos. “O evento é promovido por veículos de comunicação que não se reconhecem na mídia tradicional.”
Entre eles há várias definições, como descreve Rita Freire, editora da Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada e integrante do GT de comunicação do FSM. “São as mídias alternativa, comunitária, popular, independente, enfim, que estão fora do mercado. Elas vão discutir como defender o direito à comunicação, discutir políticas públicas, marcos regulatórios.”
De fato, é a heterogeneidade a principal característica tanto do FSM, quanto do Fórum de Mídia Livre. É a idéia de construir novos canais de disputa da hegemonia da informação, no entanto, que reúne uma diversidade rara de militantes e organizações. “Muitas pessoas estão se reconhecendo como fazedores de mídia”, conta Ivana Bentes, professora da Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Desafios da mídia livre
Como resultado desse esforço, o Fórum de Mídia Livre promoverá duas mesas de debate e um seminário, tentando abranger os desafios da mídia livre, como a ampliação da comunicação compartilhada e de formas de aumentar a capacidade e abrangência destas redes de informação. Rovai acredita que o movimento atual já é um “ponto crítico da mídia tradicional”. Significa, para ele, que a grande mídia não consegue mais ignorar a profusão de informações por diferentes atores.
Ivana concorda e acredita que é necessário fortalecer a mídia livre apontando para um novo contexto nas comunicações. “Temos muitas iniciativas, mas que ainda não se comunicam entre si.” Nesse caso, impõe-se como desafio “articular-se mantendo a singularidade de cada um”.
Para o Fórum de Mídia Livre, é o momento para reconhecer outras redes para além do Brasil e da América Latina. A crise econômica é o pano de fundo para estas e outras discussões que se darão em Belém. Em um dos debates, é a própria atuação da mídia corporativa diante do caos sócio-econômico, do qual também é cúmplice, que estará no foco das atenções.
Colaborativo
Durante o Fórum Social Mundial, será através de uma rede aberta de cobertura conjunta entre as mídias não-comerciais que o evento se comunicará com o mundo. Esta experiência de comunicação colaborativa vem se aperfeiçoando com a seqüência de FSMs e será tema de um seminário no Fórum de Mídia Livre.
“Estamos discutindo a construção de modelos alternativos num contexto de destruição dos recursos do planeta e, por outro lado, buscando valorizar as diferentes culturas”, conta Rita. Exercício que sugere a superação do modelo mercadológico e que pretende “eliminar o recorte da competição entre os meios de comunicação”. Para a militante da Ciranda, a colaboração é o caminho para o embate com a mídia comercial. “Sem competição e lucro, o mercado não vive.”
Perpectivas
Após o I Fórum de Mídia Livre, em 2008, e desta sua edição mundial, é inevitável imaginar quais serão os resultados e as perspectivas em relação à afirmação da mídia livre resultantes da ação de um conjunto tão amplo de atores e diante da urgência pela democratização da comunicação no país. Alguns sites e blogs brasileiros têm sido bem sucedidos na iniciativa de expor algumas pautas e publicizar opiniões sobre temas polêmicos de maneira mais democrática do que o olhar enviesado da mídia comercial.
Com efeito, Renato Rovai sugere que esta seria uma “conquista subjetiva” da mídia livre. “Economia solidária e software livre, por exemplo, não se discutia na mídia tradicional”, lembra. Mas esta sensibilização é, naturalmente, difícil de ser medida e não é, necessariamente, resultado de uma articulação coletiva, de modo que é possível destacar outros resultados concretos.
Por exemplo, em Belém será apresentado aos participantes do Fórum Social Mundial o edital para os Pontos de Mídia Livre, nos mesmos moldes dos Pontos de Cultura criados pelo Ministério da Cultura, idéia que foi delineada pelos participantes do FML no Rio. Com o edital, o MinC premiará 60 iniciativas de comunicação compartilhada, incluindo sites, rádios, fanzines, blogs, TVs, estúdios de produção de áudio e vídeo e outras mídias.
“É o reconhecimento de quem está fazendo mídia fora do campo corporativo”, opina Ivana Bentes sobre o edital. A professora, porém, acredita que deve haver mais políticas públicas permanentes que dêem sustentabilidade a esta mídia não-comercial.
Este passo, para Ivana, seria dado com a realização da Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação permanente das organizações da sociedade civil. “O Fórum de Mídia Livre é um bom momento para pressionar para sua realização”, concorda Rita Freire. A conferência seria, no caso, a condição para uma transformação estrutural da realidade das comunicações no Brasil através de novos marcos regulatórios.
Verbas para todos
Outra questão que envolve diretamente o governo federal e que incidiria sobre os veículos de comunicação não-comerciais é a destinação de verbas para publicidade estatal. É consenso entre os participantes do evento que o dinheiro público não pode ser monopolizado pelas grandes empresas em detrimento de veículos “que não aceitam dinheiro de corporações”, como destaca Rita em relação à mídia livre. Rovai acredita que os grandes veículos “não informam mais sozinhos” e que é hora de os midialivristas terem seu valor finalmente reconhecido.
FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=4616
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
"O poder tem medo da Internet", diz o sociólogo Manuel Castells
10/01/2008
Milagros Pérez Oliva
Se alguém estudou as interioridades da sociedade da informação é o sociólogo Manuel Castells (nascido em Hellín em 1942). Sua trilogia "A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura" (editada no Brasil pela editora Paz e Terra) foi traduzida para 23 idiomas. É um dos primeiros cérebros resgatados: voltou à Espanha para dirigir a pesquisa da Universidade Aberta da Catalunha em 2001, depois de ter pesquisado e dado aulas durante 24 anos na Universidade da Califórnia em Berkeley. Uma de suas pesquisas mais recentes é o Projeto Internet Catalunha, no qual durante seis anos analisou, por meio de 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil através da rede, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social. Ele também acaba de publicar, com Marina Subirats, "Mujeres y hombres, ¿un amor imposible?" (Alianza Editorial), no qual aborda as conseqüências dessas mudanças.
El País - Esta pesquisa mostra que a Internet não favorece o isolamento, como muitos crêem, e sim que as pessoas que mais batem papo são as mais sociáveis.
Manuel Castells - Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenha sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.
EP - Por que acredita que a idéia contrária se propagou com sucesso?
Castells - Os meios de comunicação têm muito a ver. Todos sabemos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos também; mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia... Pensar que é um fator de alienação vem a ser mais interessante do que dizer: a Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet o ajudará um pouco, mas não muito. Os meios de comunicação são de certo modo a expressão do que a sociedade pensa: a questão é por que a sociedade pensa assim.
EP - Por medo do novo?
Castells - Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade da nova, os pais de seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado em um mundo tecnológico, social e culturalmente antigo, em relação ao que lhes vem por cima, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo, que no fundo é. Porque a Internet é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre se baseou no controle das pessoas, através da informação e da comunicação. Mas isso está acabando, porque a Internet não pode ser controlada.
EP - Vivemos em uma sociedade em que a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se transformou na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública exige meios que sejam controláveis, e se a Internet não o é...
Castells - Não é, e isso explica por que os poderes têm medo da Internet. Estive em não sei quantas comissões assessoras de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não podem. Pode haver vigilância, mas não controle.
EP - Se a Internet é tão determinante na vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells - Não, o mais importante continuará sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional, e, antes, o nível educacional, porque sem educação a tecnologia não serve para nada. Na Espanha a chamada divisão digital é uma questão de idade. Os dados são muito claros: entre os maiores de 55 anos, só 9% são usuários da Internet, mas entre os menores de 25 anos são 90%.
EP - Então é só uma questão de tempo?
Castells - Quando minha geração tiver desaparecido não haverá divisão digital no acesso. Mas na sociedade da Internet o complicado não é saber navegar, mas saber aonde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso exige educação. Na realidade, a Internet amplia a mais antiga lacuna social da história, que é o nível de educação. Que 55% dos adultos não tenham completado a educação secundária na Espanha é a verdadeira divisão digital.
EP - Nessa sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que está cada vez mais globalizada, pode aumentar a sensação de insegurança, de que o mundo se move sob nossos pés?
Castells - Há uma nova sociedade que tentei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede, e que não está muito longe da que Bauman define. Creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e há menos controle das instituições tradicionais.
EP - Em que sentido?
Castells - Se amplia a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então todo o nosso chão se move ao mesmo tempo. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e não são confiáveis. Assim, começamos mal. Segundo, pensam que o mercado vai bem para os que ganham e mal para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança do que a lógica pura e dura do mercado possa proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso quer dizer que nosso dinheiro está em algum fluxo global que não controlamos, que a população está submetida a pressões migratórias muito fortes, de modo que é cada vez mais difícil encerrar as pessoas em uma cultura ou em fronteiras nacionais.
EP - Que papel a Internet desempenha nesse processo?
Castells - Por um lado, ao nos permitir o acesso a toda a informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isso é algo que demonstramos pela primeira vez em nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mais ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões de autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer dessas dimensões, utiliza a Internet com freqüência e intensidade muito maiores. E o uso da Internet reforça ao mesmo tempo sua autonomia. Mas, é claro, quanto mais uma pessoa controla sua vida menos confia nas instituições.
EP - E sua frustração pode ser maior devido à distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que se exercem na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos, não acha?
Castells - Sim, há uma enorme defasagem entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios implantaram pontos de acesso sem fio, mas se ao mesmo tempo não forem capazes de articular um sistema de participação eles servirão para que as pessoas organizem melhor suas próprias redes, mas não para participar da vida pública. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia, e portanto essas tecnologias só distanciam ainda mais a política dos cidadãos.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Milagros Pérez Oliva
Se alguém estudou as interioridades da sociedade da informação é o sociólogo Manuel Castells (nascido em Hellín em 1942). Sua trilogia "A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura" (editada no Brasil pela editora Paz e Terra) foi traduzida para 23 idiomas. É um dos primeiros cérebros resgatados: voltou à Espanha para dirigir a pesquisa da Universidade Aberta da Catalunha em 2001, depois de ter pesquisado e dado aulas durante 24 anos na Universidade da Califórnia em Berkeley. Uma de suas pesquisas mais recentes é o Projeto Internet Catalunha, no qual durante seis anos analisou, por meio de 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil através da rede, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social. Ele também acaba de publicar, com Marina Subirats, "Mujeres y hombres, ¿un amor imposible?" (Alianza Editorial), no qual aborda as conseqüências dessas mudanças.
Sociólogo Manuel Castells analisa o papel da Internet nas relações sociais e na política |
Manuel Castells - Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenha sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.
EP - Por que acredita que a idéia contrária se propagou com sucesso?
Castells - Os meios de comunicação têm muito a ver. Todos sabemos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos também; mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia... Pensar que é um fator de alienação vem a ser mais interessante do que dizer: a Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet o ajudará um pouco, mas não muito. Os meios de comunicação são de certo modo a expressão do que a sociedade pensa: a questão é por que a sociedade pensa assim.
EP - Por medo do novo?
Castells - Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade da nova, os pais de seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado em um mundo tecnológico, social e culturalmente antigo, em relação ao que lhes vem por cima, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo, que no fundo é. Porque a Internet é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre se baseou no controle das pessoas, através da informação e da comunicação. Mas isso está acabando, porque a Internet não pode ser controlada.
EP - Vivemos em uma sociedade em que a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se transformou na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública exige meios que sejam controláveis, e se a Internet não o é...
Castells - Não é, e isso explica por que os poderes têm medo da Internet. Estive em não sei quantas comissões assessoras de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não podem. Pode haver vigilância, mas não controle.
EP - Se a Internet é tão determinante na vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells - Não, o mais importante continuará sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional, e, antes, o nível educacional, porque sem educação a tecnologia não serve para nada. Na Espanha a chamada divisão digital é uma questão de idade. Os dados são muito claros: entre os maiores de 55 anos, só 9% são usuários da Internet, mas entre os menores de 25 anos são 90%.
EP - Então é só uma questão de tempo?
Castells - Quando minha geração tiver desaparecido não haverá divisão digital no acesso. Mas na sociedade da Internet o complicado não é saber navegar, mas saber aonde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso exige educação. Na realidade, a Internet amplia a mais antiga lacuna social da história, que é o nível de educação. Que 55% dos adultos não tenham completado a educação secundária na Espanha é a verdadeira divisão digital.
EP - Nessa sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que está cada vez mais globalizada, pode aumentar a sensação de insegurança, de que o mundo se move sob nossos pés?
Castells - Há uma nova sociedade que tentei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede, e que não está muito longe da que Bauman define. Creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e há menos controle das instituições tradicionais.
EP - Em que sentido?
Castells - Se amplia a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então todo o nosso chão se move ao mesmo tempo. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e não são confiáveis. Assim, começamos mal. Segundo, pensam que o mercado vai bem para os que ganham e mal para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança do que a lógica pura e dura do mercado possa proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso quer dizer que nosso dinheiro está em algum fluxo global que não controlamos, que a população está submetida a pressões migratórias muito fortes, de modo que é cada vez mais difícil encerrar as pessoas em uma cultura ou em fronteiras nacionais.
EP - Que papel a Internet desempenha nesse processo?
Castells - Por um lado, ao nos permitir o acesso a toda a informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isso é algo que demonstramos pela primeira vez em nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mais ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões de autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer dessas dimensões, utiliza a Internet com freqüência e intensidade muito maiores. E o uso da Internet reforça ao mesmo tempo sua autonomia. Mas, é claro, quanto mais uma pessoa controla sua vida menos confia nas instituições.
EP - E sua frustração pode ser maior devido à distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que se exercem na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos, não acha?
Castells - Sim, há uma enorme defasagem entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios implantaram pontos de acesso sem fio, mas se ao mesmo tempo não forem capazes de articular um sistema de participação eles servirão para que as pessoas organizem melhor suas próprias redes, mas não para participar da vida pública. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia, e portanto essas tecnologias só distanciam ainda mais a política dos cidadãos.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do El País
FONTE : http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/01/10/ult581u2405.jhtm
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