segunda-feira, 9 de março de 2009
Simetria, Reversibilidade e Reflexividade
Além dessas dicotomias, a antropologia freqüentemente se assentou também sobre uma forte e obsessiva procura da ordem. A análise social era uma tentativa de enquadrar pessoalidades em pessoas, socialidades em sociedades, era integrado. A lei, a estrutura, o fucionamento e a moralidade permitiram à antropologia moderna entender alguns aspectos da vida social, mas agora o resultado analítico vinculado a olhares ancorados de modo rígido em conceitos totalizadores e sistematizadores aparece como deficitário. Essa rigidez aparece - cada vez mais - como mero reflexo da moralidade, lei e sistema político do Ocidente, ou melhor, como reflexo de um Ocidente baseado mais no contrato, no pai, e na regra, do que na imanência das variações e na multiplicidade da experiência. Esse novo olhar, assim, não é uma proposta para a antropologia de tentar entender agora os povos, ou diversas situações, como um pastiche desconexo (não seria isso o correlato pós-modernista ocidental do reflexo feito pela antropologia moderna sobre seu objeto?). Um novo olhar, talvez, é a proposta de uma análise que não tenha apoio único e definitivo no momento da lei, da ordem e do controle estatal, social ou cultural.
Trata-se hoje, pois, de tentar responder à seguinte questão: em um terreno histórico e teórico onde se torna cada vez menos pertinente a distinção entre Primitivo e Civilizado (ou Eles e Nós, “observado” e ”observador”), Indivíduo e Sociedade (ou Parte e Todo, “micro” e “macro”) e Natureza e Cultura (ou Uno e Múltiplo, “realidade” e “representação”), que relevância continua a ter a idéia tradicional de “antropologia social” ou “cultural”? Para além disso, que relevância pode ter a idéia mesma de antropologia, uma vez que tanto o anthropos - enquanto totalidade transcendental - quanto o logos - enquanto prática de conhecimento supostamente privilegiada - estão sob suspeita? É preciso que nos decidamos de uma vez por todas a ir além dessa disciplina, ou bastará livar-nos simplesmente dos adjetivos que a caracterizam? As respostas - esta é a nossa aposta - implicam a elaboração de uma linguagem conceitual alternativa, centrada nas idéias de rede (que dissolve a distinção entre parte e todo), multiplicidade (que desloca o dilema da unidade e da pluralidade), e simetria ou simetrização (que extrai todas as conseqüências da falência do contraste entre primitivo e civilizado).
* Ressalte-se que, de fato, a idéia de simetrização talvez seja preferível à de simetria. Simetrização indica uma prática, em oposição à simetria (latouriana, mas não apenas), que pode trair um a priori conceitual fundado na idéia de um cancelamento progressivo das diferenças, quando na verdade se trata de exponenciar as diferenças, torná-las intensivas e ondulatórias.
A elaboração de tal linguagem alternativa não é tarefa fácil, nem consensual. Pois as transformações radicais ocorridas no campo da antropologia “sociocultural” ao longo das três últimas décadas parecem ter se refletido muito mediocremente em seu ensino e em suas formas institucionais de organização e divulgação. Em relação ao primeiro ponto, Tim Ingold já observava, desde 1996, (“Preface” a Key debates in anthropology, p. IX), que parece haver “uma distância cada vez maior entre a antropologia tal qual é praticada e o modo pelo qual a disciplina é publicamente apresentada e ensinada aos estudantes. Por que supor que todos os grandes debates (...) tiveram lugar no mais distante passado?”. Diagnóstico que é provavelmente verdadeiro para muitas das outras disciplinas que ocupam esse vago campo denominado ciências humanas. E que, por outras e consabidas razões, é ainda mais provavelmente verdadeiro no que concerne ao ensino da antropologia (e demais ciências humanas) no Brasil. (...)
LEIA MAIS EM : http://abaete.wikia.com/wiki/Simetria%2C_Reversibilidade_e_Reflexividade
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
"CIBERNÉTICA E SOCIEDADE" - LIVRO DE NORBERT WIENER - década de 50
Com respeito ao livro base, foi redigido em 1950 e revisado em 1954. Seu autor, um renomado professor de matemática do Massachussets Institute of Technology, procurou estabelecer conexões entre o nascimento de uma nova tecnologia e a sociedade, relatando não somente o plano tecnológico como também extravasando para outros campos do conhecimento humano, tais como a Psicologia, a Filosofia, a Filologia, entre outros.
O livro reflete o espírito cientificista do autor que para cada assunto citado faz uma digressão à respeito.
Esta característica talvez não seja encontrada nos cidadãos da atual sociedade com frequência, o que pode ser justificado pelo fato de que o livro foi revisado à 45 anos atrás, assim a enorme expansão do conhecimento humano neste período, criou uma sociedade de pessoas especializadas em determinadas funções, dificultando o estudo de diversas áreas do conhecimento assim como a inter-relação entre estas. Além do mais, no decorrer destes anos ocorreram mudanças drásticas no comportamento social, visto que o aparecimento de uma grande diversidade de formas de entretenimento acabou por afastar a atenção das pessoa em relação aos livros e ao estudo. O cidadão moderno tornou-se extremamente objetivo e pouco indagativo com questões de caráter filosófico. Afinal a guerra fria acabou, e o capitalismo ficou, e com este permaneceu a busca pelo lucro, pela vida baseada no consumo e diversão sem nenhum medo de estar cometendo um pecado. As pessoas estão buscando informações rápidas e fáceis, que estejam de acordo com seus objetivos de vida.
Entretanto, apesar de ultrapassado em alguns poucos trechos, o livro coloca em discussão temas bastante atuais, além de temas que provocam muitas reflexões interessantes.
Muito se pode discutir a respeito dos assuntos abordados, e isto é que o será feito a seguir pelos componentes de nosso grupo:
Escolha um dos ítens abaixo e viaje conosco:
Fobia e Fluxo de Informação
Comunicação e Entropia
Entropia e globalização
Comunicação através da Internet
Um cibernético poderá ser considerado ser vivo?
Links
FONTE : http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/ep2/wiener/Principa.html
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
ESTE BLOG E PROCESSOS!!!
A educação democrática,ou libertária, mostrou-me que a saída para começarmos a nos respeitar, a cultivar a tolerância e a respeitar enfim os processos alheios, passa pela convivência rotineira , ainda que de forma virtual, como é o caso da blogosfera!
As pessoas (blogueiros de um blog coletivo,no caso) vão se colocando sem moderação de ninguém e/ou de todos!!! Se a coisa for boa, ou se for ruim!! A polêmica se cria, ou não se cria! (podendo haver assembléias para se decidir linhas de ação)
Mas se assembléias não ocorrerem,ainda assim... ocorrerá algo curioso,que é o seguinte,as respostas virão de um jeito ou de outro nas futuras postagens dos membros do blog! E é aí é que a coisa começa a funcionar!!!
Um diz uma coisa, vem o outro e completa ,ou rebate!! E assim a coisa vai caminhando!! A conversa sempre acontece!! Direta ou indiretamente!!
A tal da autonomia intelectual tão almejada!! tão esperada, para que a educação a distância pudesse funcionar de verdade,para requalificação de professores e profissionais em geral, pode muito bem começar a ser desenvolvida na blogosfera!!
Se muitos hoje,partissem para ter um blog,coletivo ou não, e valorizassem muito mais seus interesses, suas curiosidades intelectuais, quem sabe num futuro próximo
esta autonomia intelectual, que tem tudo a ver com a mentalidade de pesquisador autodidata,chegaria a um bom patamar!
Nadia Stabile - 03/02/09
domingo, 7 de dezembro de 2008
A COOPERAÇÃO - HOMEM NEOLÍTICO
Costumeiramente, situamos o início do período Neolítico ao final da era glacial, há aproximadamente 10 mil anos. Com o aquecimento da crosta terrestre e o degelo em diversas regiões, ocorreu uma elevação no nível dos mares, e consequentemente, profundas transformações climáticas, possibilitando o surgimento das zonas tropicais, subtropicais e temperadas. Desapareceram grandes felinos e alguns animais de elevado porte como os mamutes, um antepassado dos elefantes, dando origem a fauna atual. A vida vegetal também sofreu grandes modificações. Nesse novo ambiente, algumas áreas tornaram-se mais favoráveis à sobrevivência humana, geralmente aquelas próximas aos grandes rios.
As transformações ambientais e as conquistas técnica, possibilitaram. gradativamente, um controle do homem sobre natureza, libertando-o do modelo de sobrevivência baseado na caça e na coleta. Aprendeu a produzir e reproduzir plantas e animais, dando início a Revolução Neolítica.
Podemos supor que o processo, iniciado há cerca de 10 mil anos, tenha ocorrido no Oriente Médio, e em momentos diferentes, na Índia, China, Europa e América.
Ao tornar-se pastor e agricultor, portanto produtor de alimentos, o homem começou a sua sedentarização, o que contribuiu para um sensível crescimento populacional. Vivendo em comunidades, surgiu um sistema de cooperação, em que a posse dos instrumentos e da produção era coletiva. As atividades produtivas fundamentavam-se na divisão sexual do trabalho. As relações sociais tornaram-se mais complexas, e a hordas coletoras cederam lugar às tribos.
As conquistas tecnológicas ampliaram-se nesse período. Dois momentos se destacaram: a produção da cerâmica (potes e panelas), bem como de moradia.
No final do Neolítico o homem desenvolveu a metalurgia, dando início a Idade dos Metais. Foi a partir desse momento que importantes avanços ocorreram. Em algumas regiões foram desenvolvidos a escrita, a roda e o calendário.
Apesar da impossibilidade de estabelecer uma cronologia exata desses avanços, supõe-se que o bronze foi utilizado em diversas áreas do Oriente já por volta de 4000 a.C., alcançando a Europa e o mundo mediterrâneo cerca de 2000 anos depois.
fonte : http://www.historiapaulochaves.com.br/aulasvirtuais/OrigemHome.doc.
(...)Do Paleolítico ao neolítico, cerca de 3.500 a.C. a 4.000 a.C., os povos que viviam na
África e na Europa deixaram pinturas nas cavernas criadas com objetivos práticos e ritualísticos.
Em algumas imagens, as presenças de marcas aparentam serem feitas por lanças, sugerindo o seu
uso em rituais mágicos organizados para conseguir êxito na caçada, e na instrução de jovens à
caça como um esforço de cooperação em grupo. (...)
FONTE: http://www.historiaimagem.com.br/edicao6abril2008/09-evolucao-grafica-cinema-digital.pdf.
O ALTISTA: A COMUNICAÇÃO DAS MÍDIAS DIGITAIS - RETIRADO DE NET ART - FAPESP
por angeles — Última modificação 23/12/2006 05:51
Resumo Este trabalho destina-se a discorrer sobre a interatividade, a singularidade e particularidades que estão sendo desenvolvidas a partir do desenvolvimento dos equipamentos de comunicação e de informação e o aparecimento das mídias digitais. Também, procuramos entender algumas alterações que estão acontecendo com relação à comunicação voltada para o indivíduo isolado. Palavras Chave: Mídias Digitais, Comunicação, Interatividade, Singularidades, Particularidades
SUMÁRIO
1. A Web Arte.........................................................................................................................03
2. Linkado com as Mídias Digitais.......................................................................................05
3. A espetacularização do cotidiano.....................................................................................08
Considerações Finais............................................................................................................10
Bibliografia............................................................................................................................11
Introdução
Neste texto procuraremos sintetizar todas as leituras efetuadas durante a disciplina oferecida pela Profa. Dra. Giselle Beiguelman.
Nossas leituras se voltaram para o receptor diante das mídias digitais. Procuramos compreender interatividades, direcionalidades, particularidades e singularidades que vem ocorrendo quando do desenvolvimento dos equipamentos de comunicação e de informação e o aparecimento das mídias digitais.
Abordaremos também alguns pontos positivos e negativos dessas novas mídias, tanto destinadas a sociedade como para o indivíduo isolado.
Discorreremos também, sobre a espetacularização do cotidiano que já vem sendo produzidas pelas mídias de massa e, agora com muito mais força pelas mídias digitais. Museus, feiras e exposições promovem condições para que espetáculos particulares sejam elaborados individualmente, com o objetivo de atrair espectadores.
Finalizando as considerações finais e a bibliografia.
1. A web arte
Temos como objetivo neste texto faze uma reflexão a respeito da comunicação produzida em alguns sites voltados para a Web Arte. Os sites foram visitados em 28 de agosto de 2006 e foram os seguintes: http://influenza.etc.br/madridmousaic/, http://vizinhodojefferson.blogger.com.br/,http://des-echo.blogspot.com/, http://www.detanicolain.com.br/.
Pudemos constatar que a comunicação oferecida nos sites visitados é totalmente diferente do que os meios de comunicação de massa nos oferecem. A comunicação se dá de forma individualizada e interativa. É o receptor que de certa maneira faz as escolhas e os caminhos a serem percorridos se dá de forma particular e individual, os quais são inúmeros.
Sobre o assunto nos fala a pesquisadora Cristina Costa:
(...) “trata-se de usuários que fazem escolhas e criam hábitos muito individualizados, e que os meios eletrônicos cada vez mais fornecem ferramentas para que o gosto e a curiosidade pessoais sejam satisfeitos, seja pela grande oferta de produtos, seja pela sofisticação tecnológica dos equipamentos”[1].
O receptor tem a possibilidade de “viajar” para onde seus sentidos e olhos os leve, não existindo assim, interferência por parte do produtor do site ou da mídia. É uma comunicação estruturada em parâmetros diferentes das mídias de massas, como já foi dito anteriormente.
O sujeito é receptor e emissor ao mesmo tempo. É o sujeito implicado em todo um processo de significação, ele percorrer o caminho de acordo com seus próprios valores.
A recepção, nesse caso se dá, segundo Umberto Eco[2] como se fosse uma “obra aberta” não é acabada pelo autor mas sim finalizada pelo intérprete. Essa “obra aberta” conforme o autor: “(...) valoriza o intérprete e instaura nele uma série de atitudes, tais como; uma liberdade consciente, que lhe dá o direito à crítica, criando sua própria forma(...)”. [3]
Por outro lado, uma vez que o receptor é dono do seu caminho corre o risco de se “perder”, em virtude da quantidade de informações que recebe ser muito grande, o que possibilita segundo Umberto Eco[4], "Anarquia do Saber", uma vez que não existe uma filtragem na informação. O que pode gerar inclusive uma grande confusão entre o que é conhecimento e o que é informação; a informação em si não é conhecimento; o conhecimento é algo que o indivíduo pode vir a construir, a partir da informação.
Como aponta Guilhermo Orozco Gómez[5], embora hoje o volume de informação disponível seja enorme, e o acesso a ela seja relativemente amplo, não significa que esteja havendo construção de conhecimento. O autor afirma que
“ (...) a informação se converteu em um bem de consumo, aparentemente cada vez mais necessário para os indivíduos e os grupos em seu esforço por uma existência plena de sucesso em uma sociedade moderna, repleta de interações sociais informatizadas”.[6]
Está evidente que, estamos diante de nova mídia que apresenta uma comunicação, que em certo sentido, está na “contra-mão” das mídias dirigidas as massas (jornal, rádio, TV, etc). Visto que, os meios dirigidos às massas oferecem ao receptor a informação pronta, elaborada, terminada, ou seja, não há questionamentos. O receptor não compartilha da elaboração e da construção das informações que recebe. Enfim, é um agente passivo, na produção do produto que recebe, tudo é elaborado de acordo com as necessidades e objetivos dos produtores.
Afirma Santaella:
“(...) os meios de comunicação de massa são meios de produção que estão sob o poder político de uma minoria economicamente privilegiada, sendo suas mensagens produzidas por poucos para serem recebidas por uma massa de consumidores que não participa da escolha das mensagens que lhe são dirigidas”[7].
Isto é, os meios de comunicação de massa não se preocupam com as particularidades, elas estão voltadas para o geral, ao contrário dessa nova mídia que a preocupação está centrada no indivíduo, em saberes particulares. Por outro lado, uma mídia que possibilita tornar os sujeitos mais críticos, uma vez que cada indivíduo interage da forma que mais lhe convém.
Essas questões são bem expostas do livro Link-se, de autoria de Giselle Beiguelman, assunto de nosso próximo item.
2. Linkado com as Mídias Digitais
Neste texto procuramos fazer uma reflexão acerca do capítulo Políticas Ácidas do livro já mencionado acima. Percebemos que o texto trata de várias questões que estão acontecendo a partir do desenvolvimento das mídias digitais. Questões como: a) grandes transformações na área da comunicação; b) as mídias digitais produzem algo jamais pensados pelos meios de comunicação de massa; c) aparecem novos formatos de sociabilidades; d) novas maneira de produzir arte e cultura; e) convívio e interação entre homem e máquina etc, etc, etc.
Sobre essas questões nos fala Lev Manovich no texto Post-media Aesthetics, e afirma que as mídias digitais estão provocando uma nova cultura, uma cultura da interface, que se modela de acordo com a necessidade.
É que se por um lado, é um meio que proporciona grande maleabilidade ao receptor, por outro é um meio que exclui socialmente os indivíduos, visto possuir uma engenharia e uma arquitetura que exige habilidade e conhecimento. Como nos mostra o texto O Meulular Que Me Pariu[8] , texto que trata da invasão de privacidade como é o caso do rmiranda. Situação que somente pode acontecer no caso de muita habilidade digital do operador.
Ao contrário do que acontece com as mídias de massa, que inclui o sujeito socialmente no mundo comunicacional. As mídias digitais proporcionam uma comunicação dirigida e direcionada a um determinado público. Elas não se preocupam em produzir mensagens para um grande número de pessoas, como é o caso das mídias de massa. A respeito ressalta COSTA:
“Se a comunicação de massa tendeu sempre à centralização e unidirecionalidade, com poucos dirigindo-se a muitos (a massa), nas mídias digitais esse modelo se desregulamenta, sendo possível um usuário falar com outro, um dirigir-se a muitos, muitos comunicarem-se com muitos e um navegador isolado interagir apenas com a máquina. Em razão disso, a comunicação digital se caracteriza pela multiplicidade de relações envolvida e de direcionamento das mensagens.”[9]
Uma vez que, as mídias digitais se caracterizam pela multiplicidade de relações e pela direcionalidade de mensagens, podemos reafirmar que o sujeito quando interage com elas é receptor e emissor ao mesmo tempo, portanto, pode ser também interventor da comunicação que recebe, com a condição inclusive de transformar a informação.
Como se sabe, as informações de um computador, é uma grande quantidade de informações numéricas, ou seja, sons, imagens ou textos, são conjuntos de dados digitais. É uma linguagem universal em bites de 0 e 1, que Santaella chama de esperanto das máquinas[10]. Ou seja, os estudos dos processos de comunicação, a partir das mídias digitais, não se sustentam mais, pois questões como estas, jamais foram discutidas, por exemplo, num contexto de recepção da comunicação de massa.
Está claro que, as mídias digitais produzem um processo de comunicação que não pode ser tratado mais como algo que acontece mecanicamente, centrado no emissor e receptor.
A abordagem tradicional da comunicação pode ser considerada hoje limitada e insuficiente para analisar o processo comunicativo voltado as mídias digitais, dado a sua complexidade. Afirma Maria Ângela Mattos[11] que “a comunicação é um campo interdisciplinar por excelência, para o qual convergem a política, a sociologia, a pedagogia, a psicologia, a antropologia, a ética e o direito”. Isto é, várias áreas de conhecimento se convergem num mesmo sentido.
Elizabeth Saad Corrêa, outra pesquisadora do assunto, diz que os processos de comunicação, estão passando por transformações para incorporar as inovações da tecnologia e, ao mesmo tempo, manter sua função original. Afirma que:
“Observamos emissores – as empresas informativas – buscando adequar suas estruturas internas de organização de atividades e pessoas; buscando um outro modelo de sustentação de seus negócios. Pelo lado dos receptores, emerge um papel transformado do leitor/espectador/ouvinte, um usuário internauta, com um enorme poder de intervenção, diálogo e escolha de emissores e mensagens. A própria mensagem passa por transformações, seja no fluxo de produção de conteúdos, no próprio conceito de conteúdo alavancado pelos recursos de hipermídia(...)[12]”
A informação segundo Corrêa está em processo de gestação na maioria das empresas informativas. E diz que:
“ O fato claro é que no mundo da informação digital a estrutura não-linear de apresentação de conteúdos é de grande diferencial. Quem sair na frente e narrar de forma não-linear tem enorme vantagem. Diante disso, poderíamos inferir que apenas quem domina o conjunto de tarefas que geram informações, conteúdos ou mensagens é que teria em mãos os instrumentos, habilidades e competências para trabalhar nesse novo formato informativo[13]”.
É fato que estamos vivendo uma grande mudança na área da comunicação, ou até uma revolução como definiram Umberto Eco[14] e o historiador François Caron[15]. Segundo os autores, estamos vivendo a terceira grande revolução, a partir do surgimento da Internet.
Essa nova mídia além modificar a comunicação, vem produzindo e transformando comportamentos da sociedade. Ou será que os comportamentos não mudaram, só mudou o meio de expressão?
Segundo Manuel Castells:
“A Internet é um instrumento que desenvolve, mas que não muda comportamentos; ao contrário, os comportamentos apropriam-se da Internet, amplificam-se e potencializam-se a partir do que são”.
“Isso não significa que a Internet não seja importante, mas não é a Internet que muda os comportamentos, mas os comportamentos que mudam a Internet.”[16]
Enfim, é uma mídia que dá a possibilidade ao receptor de interagir constantemente com o seu emissor, tornando-se também um emissor, ou seja, transformam-se totalmente os conceitos de comunicação pensada na perspectiva das mídias de massa.
Como Lev Manovich, afirma as mídias digitais se modelam de acordo com as necessidades. Podendo inclusive arquitetar a informação no sentido de tornar o cotidiano em um espetáculo, item que discorreremos abaixo.
3. A Espetacularização do Cotidiano
Na visão de Guy Debord[17], o espetáculo é parte da sociedade, um instrumento que unifica, uma ritualização necessária na cultura ocidental, do mesmo modo que as danças rituais de tribos indígenas ou a troca de presentes no Natal.
Para o autor, o espetáculo acontece através da criação de um “falso olhar”, em que as manifestações socioculturais são apropriadas ao contexto da comunicação, não da ação. A televisão devolve ao receptor uma realidade espetacularizada, e essa realidade construída passa a ser a realidade assumida, motor da constituição de formas de conceber, avaliar e produzir a mesma realidade.
Hoje, com as mídias digitais estamos constantemente sendo convidados a construir e espetacularizar uma certa realidade, interagimos com a informação e simulamos as sensações. Museus, feiras e exposições disponibilizam equipamentos com o objetivo de fazer com que o indivíduo interaja efetivamente com as máquinas e crie seu próprio espetáculo.
Por outro lado, essa interatividade, pode tornar-se um verdadeiro “objeto” que na verdade não servem para nada, o que nos remete a Jean Baudrillard que chamou de gadget[18], algo sem utilidade nenhuma
Claudia Gianette outra pesquisadora do assunto diz que os usuários das mídias digitais estão cada vez mais dispersos e isolados, provocando os chamados gadgets. E afirma que:
“la manera como los "gadgets" telemáticos están siendo empleados, “producen habladurías y palabrerías cósmicas vacías, una ola de imágenes técnicas banales, que están tapando definitivamente todas las lagunas entre las masas de usuarios del teclado, cada vez más aisladas y dispersas”.
Ou seja, corremos o risco de cairmos no chamado gadget, uma vez que a interação é feita sem objetivo e sem utilidade. É como se essas novas mídias proporcionassem um grande espetáculo, no qual todos os integrantes da sociedade fossem convidados a participar, sem que haja de fato uma necessidade explicita, ou seja, tudo é banalizado. Conforme Claudia Gianette:
"Reconocemos fácilmente en ésta una de las estrategias del espectáculo. Si entendemos el ciberespacio como un fenómeno sociocultural y económico, y no simplemente técnico y mediático, entonces podemos valorar la magnitud de su potencial como medio dispersivo y entrópico, como “lugar” del espectáculo en la era postindustrial”
Está claro que, estamos vivenciando uma nova comunicação, que está resultando como Gianette afirma em um fenômeno sócio-cultural e econômico e não é apenas tecnológico ou mediático, mas também sensorial. As mídias digitais têm nos dado à opção, por exemplo, de utilizarmos todos os nossos sentidos ao mesmo tempo.
Por outro lado, pode causar um grande problema no sentido de acesso à informação, justamente em virtude da hibridização das linguagens, da interação e da grande quantidade de informações que nos é oferecida. De acordo com Gianette no texto La cultura on-line[1]
, diz que:
“De la misma manera, la red telemática ofrece el acceso, como muchos autores ya han señalado, a algo parecido a la "biblioteca de Babel" de Jorge Luis Borges, con un universo casi infinito de información sin elemento central. La existencia de una inconmensurable cantidad de bits de información significa también un aumento equivalente respecto a la dificultad de selección, y por lo tanto, un obstáculo para el acceso a un determinado contenido”.
De fato, as mídias digitais estão provocaram uma nova forma de comunicação. Uma comunicação interativa, hipermediática, com novas propostas para qualquer homem, e em particular para os artistas ou produtores culturais. Todos são chamados para essa nova comunicação interativa e hipermediática que surge com nova linguagem e novos parâmetros. Uma linguagem, segundo Santaella: “Trata-se, de fato, de uma linguagem inaugural em um novo tipo de meio ou ambiente de informação no qual ler, perceber, escrever, pensar e sentir, adquirem características inéditas”.[2]
Isto é, houve uma fusão entre as linguagens das mídias existentes, nascendo assim, uma nova linguagem. As mídias digitais convidam o homem, de forma geral, a interagir com a informação ou simular a interação.
Considerações Finais
Para concluírmos, a interação depende somente do homem, pois é ele que irá interpretar a mensagem, o equipamento ou a sofisticada tecnologia são estruturas abertas que dão a possibilidade ao sujeito se interelacionar-se ou interpretar as informações de acordo com seu repertório.
Afirma Baudrillard: “A máquina de alta tecnicidade é uma estrutura aberta, pois o conjunto das máquinas abertas pressupõe o homem como um organismo e interprete vivo”.[3]
Ou, como Félix Guattari nos fala o mundo contemporâneo está cada vez mais dominado pelo aumento de reivindicações de singularidade subjetiva. Diz:
“De um modo geral, pode-se dizer que a história contemporânea está cada vez mais dominada pelo aumento de reivindicações de singularidade subjetiva – querelas lingüísticas, reivindicações autonomistas, questões nacionalísticas, nacionais que, em uma ambigüidade total, exprimem por um lado uma reivindicação de tipo liberação nacional, mas que, por outro lado, se encarnam no que eu denominaria reterritorializações conservadoras da subjetividade[4]”
O autor vem se dedicando a entender o que o mundo singular e subjetivo Busca compreender o que está rodeado o mundo humano de forma particular.
É justamente o caminho que parece que estamos seguindo com o desenvolvimento da tecnologia e das mídias digitais, ou seja, cada vez mais as produções estão sendo dirigidas as particularidades, as singularidades. Caminho inverso que estiveram e estão às mídias de massa.
Bibliografia
BAUDRILLARD, Jean. O sistema dos objetos. São Paulo, Perspectiva, 1968.
CARON, François. Jornal O Estado de São Paulo, em 04.06.2000
CASTELLS, Manuel,. “Organização comunicacional e transformação cultural”. In: Moraes, Denis de (org.) Por uma outra comunicação. Rio de Janeiro: Record, 2003.
CORRÊA, Elizabeth Saad. Arquitetura estratégica no horizonte da terra cognita da informação digital.Revista USP Comunicação. n. 22, São Paulo.1989.
COSTA, Cristina. Ficção Comunicação e mídias. São Paulo: Senac, 2002.
DEBORD, Guy. Commentario sulla societá dello spettacolo e la societá dello spettacolo. Milano: Sugar Company Edizioni, 1990.
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GIANETTI, Claudia “La cultura on-line” disponível em http://www.mecad.org/proy.html: 20 de out. 2006.
GUATARRI, Félix. Caosmose Um novo paradigma estético, Rio de Janeiro, Editora 34, 1992.
GUILHERMO OROZCO Gómez. “Professores e meios de comunicação: desafios e estereótipos”. Revista Comunicação e Educação. n. 10. São Paulo: Moderna/CCA.
MATTOS, Maria Ângela. Revendo o Pensamento Comunicacional e os processos de aprendizagem na contemporaneidade. Revista Latinoamerica de Ciências de La Comunicación. Ano 1, n.1. São Paulo: ALAICA, 2004.
SANTAELLA, Lucia. Matrizes da linguagem e pensamento: sonora visual verbal. São Paulo, Iluminuras, 2005.
______, Lúcia. Navegar no ciberpaço: O perfil cognitivo do leito imerso. São Paulo: Paulus. 2004
______, Lúcia. Cultura das mídias.São Paulo: Experimento. 1996.
[1]GIANETTI, Claudia “La cultura on-line” disponível em http://www.mecad.org/proy.html: 20 de out. 2006.
[2] SANTAELLA, Lucia. Matrizes da linguagem e pensamento: sonora visual verbal. São Paulo, Iluminuras, 2005. p. 369.
[3] BAUDRILLARD, Jean. O sistema dos objetos. São Paulo, Perspectiva, 1968. p. 119
[4] GUATARRI, Félix. Caosmose Um novo paradigma estético, Rio de Janeiro, Editora 34, 1992. p. 13
[1] COSTA, Cristina. Ficção Comunicação e mídias. São Paulo: Senac, 2002. p. 83
[2] ECO, Umberto. Obra Aberta, São Paulo, Perspectiva, 1976.
[3] ibdem
[4] ECO, Umberto. Jornal Folha de São Paulo. 10.01.2000.
[5] GUILHERMO OROZCO Gómez. “Professores e meios de comunicação: desafios e estereótipos”. Revista Comunicação e Educação. n. 10. São Paulo: Moderna/CCA.
[6] ibdem. p. 58.
[7] SANTAELLA, Lúcia. Cultura das mídias.São Paulo: Experimento. 1996. p. 48.
[8] Ibid. p.136
[9] COSTA, Cristina. Ficção Comunicação e mídias. São Paulo: Senac, 2002. p. 82
[10] SANTAELLA, Lúcia. Navegar no ciberpaço: O perfil cognitivo do leito imerso. São Paulo: Paulus. 2004
[11] MATTOS, Maria Ângela. Revendo o Pensamento Comunicacional e os processos de aprendizagem na contemporaneidade.Revista Latinoamerica de Ciências de La Comunicación. Ano 1, n.1. São Paulo: ALAICA, 2004.
[12] CORRÊA, Elizabeth Saad. Arquitetura estratégica no horizonte da terra cognita da informação digital.Revista USP Comunicação. n. 22, São Paulo.1989.
[13] Ibden
[14] ECO, Umberto. Jornal Folha de São Paulo. 10.01.2000.
[15] CARON, François. Jornal O Estado de São Paulo, em 04.06.2000.
[16] CASTELLS, Manuel,. “Organização comunicacional e transformação cultural”. In: Moraes, Denis de (org.) Por uma outra comunicação. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 273.
[17] DEBORD, Guy. Commentario sulla societá dello spettacolo e la societá dello spettacolo. Milano: Sugar Company Edizioni, 1990.
[18] “É toda a gratuidade do concurso Lépine que, sem jamais inovar e por simples combinatória de esteriótipos técnicos, ajusta objetos de função extraordinariamente específica e perfeitamente inútil a função visada é tão precisa que só pode ser um pretexto: de fato tais objetos são subjetivamente funcionais, vale dizer: obsessionais”.
FONTE: http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/angeles/Interatividade%202/
TIDD - PUC - SÃO PAULO - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÂO EM TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA E DESIGN DIGITAL
O grupo interdisciplinar de professores envolvidos nesse programa começou a se integrar em 1998. Trata-se de professores provenientes de três diferentes Centros da PUCSP, o Centro das Ciências Exatas e Tecnologia, o Centro de Educação e o Centro de Ciências Humanas. Esse grupo considerou que o melhor caminho para começar a sistematizar e sedimentar, a nível interno (dentro da universidade) e externo (as relações da universidade com a sociedade), as atividades de ensino e pesquisa frente à revolução digital em curso estava primeiramente na criação de um curso de graduação interdisciplinar inovador, capaz de responder aos desafios tecnológicos atuais, aglutinando competências científicas, humanísticas, educacionais, artísticas e técnicas.
Dentro desse espírito, nasceu na PUCSP, em 1999, um curso de graduação interdisciplinar em Tecnologia e Mídias Digitais, abrindo-se em três habilitações: (1) Design de Interfaces, (2) Educação à Distância e (3) Arte e Tecnologia.
Na linha de continuidade dessa iniciativa interdisciplinar inovadora e visando à necessária integração da graduação com a produção e pesquisa em nível de pós-graduação, o mesmo grupo de professores projetou este programa de pós-graduação, mestrado, em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, um projeto pioneiro no Brasil.
FONTE: http://www.pucsp.br/pos/tidd/proposta.html
Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do póshumano - "SANTAELLA"
TECNOLOGIAS DO IMAGINÁRIO
Da cultura das
mídias à
cibercultura: o
advento do póshumano
RESUMO
Este artigo trata da questão do desenvolvimento das
tecnologias da informação e da comunicação e sua im pli ca ção
em todas as esferas da sociedade.
PALAVRAS-CHAVE (KEY WORDS)
- Tecnologias (Technologies)
- Complexidade (Complexity)
- Cultura das mídias (Media cultures)
Lúcia Santaella
JÁ ESTÁ SE TORNANDO lugar-comum afirmar
que as novas tecnologias da informação
e comunicação estão mudando não
apenas as formas do entretenimento
e do lazer, mas potencialmente todas
as esferas da so ci e da de: o trabalho
(robótica e tecnologias para escritórios),
gerenciamento político, ati vi da des militares
e policiais (a guerra ele trô ni ca), consumo
(transferência de fundos ele trô ni cos),
comunicação e educação (apren di za gem
a distância), enfi m, estão mudando toda a
cultura em geral. Para Ro bins e Webster
(1999, p. 111), se as forças do capital
corporativista e os interesses po lí ti cos
forem bem-sucedidos na introdução
sis te má ti ca dessas novas tecnologias – da
robótica aos bancos de dados, da internet
aos jogos de realidade virtual, então a vida
social será transformada em quase todos
os seus aspectos. O desenvolvimento
es tra té gi co das tecnologias da informática
e co mu ni ca ção terá, então, reverberações
por toda a estrutura social das sociedades
ca pi ta lis tas avançadas.
Tendo em vista a relevância das
re ver be ra ções que já se fazem presentes
e da que las que estão por vir, tenho
defendido a idéia de que nós, intelectuais,
pes qui sa do res e mestres, devemos nos
dedicar à tarefa de gerar conceitos que
sejam capazes de nos levar a compreender
de modo mais efe ti vo as complexidades
com que a re a li da de em mutação nos
desafi a. Este tra ba lho que aqui apresento
é parte do esforço que tenho desenvolvido
para ir ao encontro dessa tarefa. Prova
desse esforço está no meu livro recémlançado
Culturas e Artes do Pós-Humano.
Da cultura das mídias à ci ber cul tu ra (2003).(...)
(...) Nem mesmo McLuhan, com sua
cé le bre pro vo ca ção O meio é a mensagem
(1964), tão criticada há algumas décadas
e hoje trans for ma da em axioma para
todos os “plu ga dos”, chegou ao nível de
obliteração da linguagem que o fetiche das
mídias tem alcançado. Ao contrário, com
sua afi r ma ção, McLuhan estava justamente
se des vi an do da tendência comum nas
teorias da comunicação de sua época, que
separavam, de um lado, o modo como a
mensagem é transmitida, de outro lado,
o conteúdo da mensagem. Ao colocar
ênfase nos meios, McLuhan insistia na
impossibilidade de se separar a mensagem
do meio, pois a men sa gem é determinada
muito mais pelo meio que a veicula do que
pelas intenções de seu autor. Portanto, em
vez de serem duas funções separadas, o
meio é a men sa gem (Lunenfeld, 1999a, p.
130).
Do mesmo modo que essa frase de
McLuhan foi denegrida pelos amantes dos
conteúdos semânticos, sem que esses
crí ti cos tivessem se dado ao trabalho
de bem compreendê-la, hoje se fala
de mídia de ma nei ra atabalhoada, sem
a preocupação e compromisso com o
escrutínio das com ple xi da des semióticas
que as constituem.
Ora, mídias são meios, e meios, como
o pró prio nome diz, são simplesmente
mei os, isto é, suportes materiais, canais
físicos, nos quais as linguagens se
corporifi cam e através dos quais transitam.
Por isso mes mo, o veículo, meio ou mídia
de co mu ni ca ção é o componente mais
superfi cial, no sen ti do de ser aquele que
primeiro aparece no processo comunicativo.(...)
LEIA NA ÍNTEGRA EM:
http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/famecos/article/viewFile/229/174
FUNDAMENTOS BIOCOGNITIVOS DA COMUNICAÇÃO. APLICAÇÕES NOS PROCESSOS DE NAVEGAÇÃO NO CIBERESPAÇO. "SANTAELLA" - CNPQ
Os resultados do projeto constam do livro
Santaella, Lucia (2004). Navegar no ciberespaço: O perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus.
Apoio CNPq, ref.: 522903/96-7 (NV)
PROJETO INTEGRADO
Dra. Maria Lucia Santaella Braga
TÍTULO DO PROJETO:
FUNDAMENTOS BIOCOGNITIVOS DA COMUNICAÇÃO. APLICAÇÕES NOS PROCESSOS DE NAVEGAÇÃO NO CIBERESPAÇO.
EQUIPE DE PESQUISADORES
I. COORDENAÇÃO GERAL E ELABORAÇÃO DOS FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO PROJETO: PROFA. DRA. MARIA LUCIA SANTAELLA BRAGA, PUCSP
II. SUB-COORDENAÇÃO E ELABORAÇÃO DOS CONCEITOS DE HIPERMÍDIA: PROF. DR. SÉRGIO BAIRON
III SUPERVISÃO TÉCNICA DO PROJETO: UM BOLSISTA DE APOIO TÉCNICO
III. ASSESSORIA À COORDENAÇÃO
IV. 3 BOLSISTAS DE APERFEIÇAMENTO
3 BOLSISTAS DE INICIAÇÃO
1. RESUMO DO PROJETO:
Tendo por objeto de estudo as redes comunicacionais da teleinfromática, este projeto parte da hipótese de que essas redes não se fazem mais entender sob um ponto de vista meramente tecnológico, exigindo, ao contrário, investigações situadas nas interfaces complexas da biologia com simulações computacionais e a interatividade cérebro e máquina. A partir do levantamento de alguns dos fundamentos bio-cognitivos da comunicação, este projeto visa estudar as transformações perceptivas-cognitivas implicadas nos processos de navegação no ciberespaço
2. ANTECEDENTES E CONTEXTO INSTITUCIONAL DO PROJETO
Em 1987, há quase dez anos, o programa de pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP, naquela época um programa de pequeno porte, contando com cerca de 70 alunos de mestrado, e menos de uma dezena de doutorandos, deu início a um processo que, desde então, tem crescido e se sedimentado: a organização de grupos coletivos de pesquisa de grande porte capazes de romper com o individualismo e formalismo das velhas formas de produção acadêmica restritas a aulas, seminários, monografias, tudo isso se canalizando para a defesa de uma dissertação ou tese.
Sem negar a importância do trabalho intelectual individual, já naquele tempo, alguns dos professores e também alunos do programa, alimentados por discussões que a CAPES estava levantando, colocavam a necessidade de que um programa de pós-graduação fosse capaz de criar meios de intercâmbio, confronto e debate, especialmente meios de produção coletiva que fossem capazes de estimular, alimentar a pesquisa de cada um através de compromissos coletivamente assumidos e das trocas que um tal tipo de pesquisa traz.
Foi assim que nasceu em 1988, o projeto coletivo, Imagens técnicas: do mundo mecânico-industrial ao mundo eletrônico pós-industrial. Implicações estéticas, culturais e epistemológicas, sob coordenação de Lucia Santaella e Arlindo Machado. Aprovado pela FINEP, esse projeto trouxe ao programa um pequeno laboratório de computação gráfica, o primeiro a existir em uma universidade brasileira, no qual foram geradas também as primeiras pesquisas universitárias sobre computação gráfica, inclusive a primeira dissertação brasileira sobre computação gráfica, de autoria de Rejane Caetano Augusto, com orientação de Lucia Santaella, em 1989. O laboratório era pequeno, mas, sem dúvida, serviu como mola propulsora para uma nova dinâmica de pós-graduação que vem sendo implantada com sucesso cada vez maior no programa.
Tendo terminado o projeto da Finep, os mesmos coordenadores, mas agora acompanhados de novos professores e pesquisadores, deram início a um outro projeto temático, de maior porte e maior ambição, este dirigido à FAPESP, sob o título de Avanços tecnológicos e novas gramáticas da sonoridade: implicações estéticas, culturais e epistemológicas. Esse projeto trouxe ao programa um laboratório de música acústica de nível internacional que atraiu para a PUCSP pesquisadores em música eletro-acústica de qualidade.
Com a infraestrutura acima descrita e os grupos de pesquisa que dela tiram proveito para a realização de projetos coletivos, realizaram-se no programa os primeiros livros e trabalhos em CDROM produzidos em universidades brasileiras (Ensaios sobre a contemporaneidade, de Arlindo Machado, Eisenstein, multimídia, de Arlindo Machado e equipe, Mário de Andrade, de autoria de uma equipe de pesquisadores artistas e Mallarmé, também de uma equipe de pesquisadores artistas. Estão em progresso um livro de contos em CDROM, de autoria de Lucia Santaella, além de outros projetos em fase de elaboração. Foi também na Comunicação e Semiótica da PUCSP que foi defendida a primeira tese em CDROM do país, de autoria de Tania Fraga e orientação de Arlindo Machado, em maio de 1995.
O número de projetos sonoros já realizados e em realização no laboratório de som chega a algumas dezenas.
Enfim, já existe uma larga tradição no programa de COS para a realização de projetos de pesquisa sobre e com novas tecnologias, o que tem sido facilitado pela existência de laboratórios específicos para essas pesquisas, além de um grande número de pesquisadores dispostos para as tarefas de um trabalho colaborativo.
Estando o projeto integrado sobre multimídia, apoiado pelo CNPq, sob a coordenação de Lucia Santaella, em fase final de realização, conforme pode ser atestado pelo relatório parcial que foi entregue ao CNPq, temos agora condições de enfrentar um projeto de pesquisa um pouco mais complexo, na área das tecnologias da comunicação, respaldado em resultados obtidos e a partir de novas questões que foram surgindo no projeto anterior.
3. CONTEXTO GERAL E JUSTIFICATIVA DA PESQUISA
Nas palavras de Joël de Rosnay (1997: 29), estamos vivendo neste final de século um verdadeiro choque do futuro resultante sobretudo dos avanços das ciências físicas e biológicas. Enquanto a física e a eletrônica levaram ao desenvolvimento da informática e das técnicas de comunicação, a biologia levou à biotecnologia e à bioindústria. Estamos, sem dúvida, entrando numa revolução da informação e da comunicação sem precedentes que está desafiando nossos métodos tradicionais de análise e de ação.
No cerne dessas transformações, os computadores e as redes de comunicação passam por uma evolução acelerada, catalisada pela multimídia, hipermídia, a digitalização e a compressão dos dados. Alimentada com tais progressos, a internet, rede mundial das redes interconectadas, explode de maneira espontânea, caótica, superabundante. Nesse mesmo ambiente técnico e científico, emergem setores inquietantes, tais como a realidade virtual e a vida artificial.
Cérebros humanos, computadores e redes interconectadas de comunicação ampliam, a cada dia, um ciberespaço mundial no qual todo elemento de informação encontra-se em contato virtual com todos e com cada um, tudo isso convergindo para ‘a constituição de um novo meio de comunicação, de pensamento e de trabalho para as sociedades humanas’, enfim, de uma nova antropologia própria do ciberespaço (Lévy 1998: 12).
Segundo Lévy (ibid.: 13), a fusão das telecomunicações, da informática, da imprensa, da edição, da televisão, do cinema, dos jogos eletrônicos em uma indústria unificada da multimídia é o aspecto da revolução digital que tem sido mais enfatizado. Entretanto, esse não é o aspecto mais importante. A par dos aspectos civilizatórios, tais como novas estruturas de comunicação, de regulação e de cooperação, linguagens e técnicas intelectuais inéditas, modificação das relações de espaço e tempo etc., o mais importante está no fato de que a forma e o conteúdo do ciberespaço ainda estão especialmente indeterminados. Diante disso, não se trata mais de raciocinar em termos de impacto (qual o impacto das infovias na vida econômica, política, cultural, científica?), mas em termos de projetos.
A proposta de pesquisa que aqui se segue, insere-se dentro dessa perspectiva: estamos buscando raciocinar através de um projeto voltado para um tópico específico e especializado da revolução bio-cibernética que apresenta relevância para a área da comunicação.
O foco do projeto se dirige, em primeiro lugar, para a noção das redes de comunicação. Partimos da hipótese de que se trata de uma noção que não se faz entender à luz de uma visão estritamente tecnológica. Tanto é assim que o funcionamento das redes de comunicação apresenta semelhanças com o comportamento do sistema nervoso, do sistema imunológico, podendo ser simulado através de programas computacionais que estão no centro das preocupações dos cientistas de inteligência artificial. A compreensão desse funcionamento parece exigir, portanto, a interface e cooperação da pesquisa em comunicação com algumas disciplinas, tais como as ciências cognitivas, as ciências da informação, inteligência artificial e a biologia que, a despeito da especificidade de cada uma, estão lidando com questões que são, antes de tudo, questões comunicacionais. As ciências da comunicação tem, portanto, muito para dar e receber nesse convergência.
Assim sendo, o projeto aqui proposto, principalmente na parte de seus fundamentos, enquadra-se naquilo que Lucien Sfez (1994: 11) caracteriza como o núcleo epistemológico da comunicação ‘que reúne em torno de pontos comuns grande diversidade de saberes: biologia, psicanálise, mass media studies, instituições, direito, ciência das organizações, inteligência artificial, filosofia analítica etc. Esses conceitos comuns às ciências da comunicação parecem dever constituir pouco a pouco os elementos de uma forma simbólica em gestação’.
Essa mesma linha de argumentação foi utilizada por Eliseo Verón na apresentação da coleção de publicações na área de comunicação sob o título de ‘El mamífero parlante’ da editora Gedisa (Buenos Aires, Barcelona, México), por ele dirigida. Ao consagrar o ‘Mamífero parlante’ à difusão de teorias e investigações no campo das ciências da comunicação, Verón explica que ‘o plural ciências, frequentemente utilizado, expressa indiretamente a complexidade de tal campo. Não dizemos ciência da comunicação nem comunicologia, porque não se trata de uma disciplina, mas de um cruzamento de múltiplas problemáticas correspondentes a disciplinas tradicionalmente diferenciadas. As ciências da comunicação constituem hoje em dia um nó transdisciplinar, no campo das ciências brandas, comparável ao nó das ciências cognitivas, no território das ciências duras’. Em função disso, Verón justifica a presença na coleção de uma ótica antropológica aplicada às sociedades urbanas, de uma ótica epistemológica, semiótica, sociológica, histórica, cognitiva, política, todos esses modos pertinentes de acesso aos fenômenos da comunicação, em particular aqueles associados à emergência e funcionamento de tecnologias mediáticas.
O projeto aqui proposto insere-se em um nó transdisciplinar como foi nomeado por Verón, assim como visa à gestação da forma simbólica de que fala Sfez. Evidentemente não estaremos lidando com todas as disciplinas mencionadas por ambos, mas apenas com aquelas que contribuem mais diretamente para o encontro de respostas à questão comunicacional básica que o projeto interroga, como se verá a seguir.(...)
LEIA NA ÍNTEGRA EM : http://www.pucsp.br/~lbraga/fs_proj_fina.htm
Travelling School of Life - (clique aqui)
Bem vind@ ao wiki do Travelling School of Life (Escola Viajante da Vida). Este é um site interativo para conectar as pessoas que querem compartilhar habilidades e conhecimento entre si e encontrar maneiras alternativas e individuais de aprendizagem.
Este site é sobre aprendizagem e troca de habilidades e conhecimento auto-direcionados e para toda a vida, baseado em acordos individuais. Nossas páginas wiki servem para tornar mais visível a existência de maneiras alternativas de aprendizagem além das instituições educativas tradicionais, e para ajudá-l@ a encontrar locais de aprendizagem e pares para compartilhamento de habilidades. A Travelling School of Life é um processo em andamento. Você pode participar do desenvolvimento - como no Software Livre; mas na vida real. ... leia mais
>> Se você quer participar, por favor,
- registre-se
- escreva um perfil do usuário (com email)
- faça acordos de aprendizado com outras pessoas
- venha ao próximo encontro!
http://wiki.tsolife.org/Category:Portugu%C3%AAs
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
IVAN ILLICH E AS REDES
Segundo o autor, há quatro espécies de recursos ou Redes, nos quais a educação se baseia. A função das novas instituições educativas seria tornar estas redes disponíveis e acessíveis a todos.
I- Um serviço encarregue de pôr à disposição do público os objectos educativos, isto é, os instrumentos, as máquinas e os aparelhos utilizados para a educação formal.
II- Um serviço de troca de conhecimentos, uma lista actualizada de pessoas desejosas de fazer aproveitar os outros da competência própria, mencionando as condições em que desejariam fazê-lo.
III- Um organismo que facilitaria os encontros entre pares. Verdadeira rede de comunicações, registaria a lista das pretensões em matéria de educação daqueles que se lhe dirigissem para encontrar um companheiro de trabalho ou de pesquisa.
IV- Serviços de referência em matéria de educadores que permitiriam estabelecer uma espécie de anuário onde se encontrassem os endereços dessas pessoas, profissionais ou amadores, fazendo ou não parte de qualquer organismo.
I - O acesso aos objectos educativos
Segundo Illich, os objectos materiais constituem um recurso educativo fundamental. O autor enfatiza a importância da utilização e manipulação, quer dos objectos que são concebidos numa perspectiva puramente educativa, quer dos que fazem parte da vida quotidiana. Para permitir o acesso a estes bens materiais, os objectos concebidos com um fim educativo seriam apresentados em bibliotecas, laboratórios, salas de exposição (museus e salas de espectáculo, por exemplo); os outros, utilizados nas actividades diárias, em fábricas, aeroportos, quintas, etc., poderiam ser acessíveis às pessoas que desejassem conhecê-los durante um período de aprendizagem ou fora das horas de trabalho.
Na opinião do autor, o Homem encontra-se cada vez mais afastado da natureza real dos objectos concebidos pela nossa sociedade, uma vez que desconhece a constituição e o funcionamento da maioria dos produtos criados pela indústria que utiliza no dia a dia, como é o caso do telefone, ou de um simples relógio. "Com efeito, as crianças nascidas na era do plástico e dos especialistas da eficiência, não conseguem transpor certos obstáculos que se opõem à compreensão dos produtos da técnica moderna� (Illich, 1974, pp.19). Ainda que tente explorar e compreender esses objectos, é imediatamente desencorajado pela sociedade e até pelos próprios fabricantes, sob ameaça da sua avaria irremediável, de eventuais repreensões, ou utilizando vários outros pretextos. "O homem vive num meio que ele próprio concebeu e este ambiente artificial vai-se-lhe tornando tão impenetrável como a natureza o é para os primitivos� (Illich, 1974, pp.20).
No que respeita aos objectos concebidos com uma finalidade puramente educativa, como é o caso dos manuais escolares, livros, microscópios, computadores, etc., o autor considera que o acesso a estes bens materiais é também fortemente condicionado em termos de horários de acesso e de qualificações exigidas aos utilizadores. Sob o pretexto da sua conservação e protecção, o acesso aos mesmos é reduzido, retirando-lhes o seu potencial educativo. Por outro lado, alguns desses objectos, tais como os jogos didácticos realizados no âmbito escolar, são muitas vezes transformados em torneios, perdendo assim o seu carácter educativo e lúdico, desenvolvendo, em sua vez, o espírito competitivo. "É etiquetando todas as coisas, fazendo delas utensílios educativos, que a escola lhes faz perder a sua virtude viva� (Illich, 1974, pp.21). Illich propõe assim uma alteração das condições de acesso e utilização desses objectos, de modo a tornar acessíveis o meio físico e os recursos materiais próprios para a educação, devolvendo-lhes o seu valor educativo.
Segundo Illich, nas cidades modernas, o facto de as pessoas e, sobretudo as crianças, serem mantidas longe dos centros de actividades (fábricas, indústrias, etc.), sob o pretexto de que são particulares, impede o conhecimento e a compreensão dos métodos de produção. Neste sentido, acusa igualmente as empresas, bem como as entidades ligadas à investigação científica, de quererem, para seu interesse económico, manter a exclusividade no que respeita a conhecimentos técnicos e científicos, métodos e bens de produção, impedindo por isso a sua divulgação e impossibilitando a partilha de conhecimentos. O autor defende, pelo contrário, o reconhecimento do valor educativo destes centros de actividade e a permissão de acesso às respectivas instalações. Illich defende ainda que uma maior participação social das crianças através do desempenho de cargos na comunidades, contribuiria para o seu desenvolvimento pessoal, beneficiando igualmente a sociedade no geral.
"Desapareça o controle que o sector privado ou as instituições profissionais exercem sobre as possibilidades de educação contidas nos objectos� (Illich, 1974, pp.33).
II- A troca de conhecimentos
Illich defende a existência de um serviço de troca de conhecimentos cuja função seria permitir o encontro e a reunião de pessoas que queiram transmitir/receber um conhecimento específico. Essa troca, segundo o autor, seria baseada na demonstração directa por parte de quem pretende transmitir determinado conhecimento. São referidos exemplos como a aprendizagem de línguas, a culinária, a condução, etc. Ao constatar o desaproveitamento de muitas das pessoas capazes de demonstrar determinado conhecimento, Illich manifesta-se contra a exigência de diplomas e currículos aos educadores. "Os diplomas representam um obstáculo à liberdade da educação, fazendo do direito de partilhar os seus conhecimentos um privilégio reservado aos empregados das escolas� (Illich, 1974, pp.38). Considera ainda desprovido de sentido esperar dos educadores que inspirem o gosto de aprender nos alunos, já que acredita que esse interesse existe em cada um. "A instrução tem de partir de uma escolha pessoal" (Illich, 1974, pp.21).
Actualmente, de acordo com o autor, não existe partilha de conhecimentos técnicos por parte do profissional moderno, pois a especialização e o monopólio da informação são tidos como uma vantagem competitiva em relação aos demais. Illich defende por isso a criação de centros abertos ao público, em particular nas zonas industriais, que forneçam certas habilitações: saber ler, escrever à máquina, aprender línguas estrangeiras, conhecer a programação, compreender circuitos eléctricos, etc. Propõe ainda um sistema em que aquele que adquira determinados conhecimentos nestes centros, se dedique posteriormente à sua demonstração. Para tal, existiriam organismos e centros de informação encarregues de estabelecer e difundir as listas dos educadores voluntários e dos educandos interessados e as informações sobre ambos. "Apareceria uma escola inteiramente nova, constituída por aqueles que teriam ganho a sua educação partilhando-a com os outros" (Illich, 1974, pp.40).
Na perspectiva do autor, os exames curriculares utilizados como critério de escolha pelos empregadores, deveriam ser substituídos por provas práticas de competência, baseadas na demonstração dos conhecimentos. Desta forma, a selecção do profissional seria não só mais justa, como também mais eficiente e vantajosa para o empregador. "Basear a escolha, em matéria de emprego, apenas numa competência demonstrada, por oposição a toda a discriminação que parta de um currículo educativo" (Illich, 1974, pp.40).
III- A reunião dos pares
Illich defende a ideia de que "um autêntico sistema educativo deveria permitir a cada um escolher qualquer actividade, para a qual procuraria um par da sua força" (Illich, 1974, pp.42). O termo pares refere-se a pessoas que, partilhando interesses e aptidões comparáveis, decidem realizar juntas a sua pesquisa, ou que se unem para se exercitar na prática de uma actividade partilhada. Esta definição inclui conjuntos de pessoas interessadas em actividades tão diversas quanto comentar livros ou artigos, praticar determinados jogos, realizar excursões, partilhar conhecimentos de mecânica, ou qualquer outra actividade.
Para permitir a aproximação e o encontro daqueles que, num dado instante, partilham um mesmo interesse específico, o autor propõe a organização de reuniões entre crianças desde a mais tenra idade como forma de incentivar a descoberta e partilha de interesses comuns. Propõe ainda a criação de um sistema, ou rede de comunicação apoiada numa base de dados informática, onde cada utente procederia a uma inscrição indicando o seu nome, morada e actividade para a qual pretendesse companheiro(s). As respostas à respectiva solicitação seriam dadas através do correio ou, nas grandes cidades, através de terminais informáticos. "Uma tal rede dispondo de recursos públicos seria o único meio de garantir o direito de livre reunião e de preparar os cidadãos para esta actividade fundamental� (Illich, 1974, pp.44). O direito de reunião livre de pessoas, apesar de ser reconhecido legal e politicamente, é desrespeitado sempre que a lei impõe determinadas formas de reunião que passam por um recrutamento obrigatório, de que são exemplo o Serviço Militar e a Escola. Descolarizar passa então pela abolição dessa obrigatoriedade, ao mesmo tempo que pelo reconhecimento do direito à participação de qualquer pessoa numa reunião de pares, independentemente da idade ou do sexo. Os edifícios escolares seriam reconvertidos em pontos de encontro de acesso livre para a reunião dos pares, criando-se assim um espaço privilegiado para a troca de ideias.
Illich prevê o surgimento de objecções a estas redes, nomeadamente por poderem (a) ser consideradas um meio artificial de contacto; (b) ser menos acessíveis aos pobres, que mais dela necessitam; (c) constituir uma forma de comunicação impessoal (através dos computadores); (d) desagradar aos que consideram que qualquer aproximação deve basear-se em experiências partilhadas e em afinidades profundas. No entanto, ressalva outras características que considera compensatórias, como a possibilidade de participação em vários grupos de pares e de reunião de pessoas de diferentes pontos geográficos capazes de permitir partilhar experiências de vida muito diferentes. Segundo Illich, este sistema de comunicação poderia dar origem ao aparecimento de comunidades, ou seja, ao desenvolvimento da vida comunitária à escala local, em muitos casos desaparecida. A rede de comunicações permitiria ainda aos cidadãos uma maior independência das instituições públicas, bem como uma perspectiva mais crítica e livre relativamente aos profissionais creditados que lhes prestam os serviços, cuja competência não pode, de outra forma, ser aferida. A troca de informação através das redes de comunicação, permitiria ao estudante escolher o seu professor, ao doente conhecer o seu médico, etc.
IV- Educadores profissionais
A ideia base é a de que se os cidadãos dispusessem de possibilidades de escolha da sua instrução, aumentaria a procura de especialistas nas áreas do seu interesse. Desta forma, a descolarização da educação contribuiria para dinamizar a procura de indivíduos possuidores de uma competência prática, assegurando a sua independência e, logo, a sua credibilidade.
Illich distingue três tipos distintos de competências educativas necessárias ao funcionamento das redes:
a) administradores educativos - encarregues de pôr em funcionamento as redes, ou seja, de garantir a eficiência e permanência das vias de acesso aos serviços administrativos;
b) conselheiros pedagogos - responsáveis por guiar estudantes e pais na utilização das redes, isto é, auxiliar a encontrar o caminho mais apropriado para atingir os respectivos objectivos;
c) iniciador educativo - mestre ou verdadeiro guia, encarregue de auxiliar nos caminhos da exploração intelectual.
As duas primeiras são consideradas como verdadeiras profissões educacionais, que visam facilitar os encontros entre os seres desejosos de aprender e aqueles que possam servir-lhes de orientação, permitindo-lhes o acesso aos objectos educativos. Quanto ao iniciador educativo, ser-lhe-ia exigida disciplina intelectual, imaginação vasta e vontade de se associar a outras pessoas para as esclarecer. Neste último caso, estabelecer-se-ía uma relação de mútua estima entre mestre e discípulo, de onde ambos retirariam prazer, o que beneficiaria, em muito, a aprendizagem. É para mestre e discípulo "uma espécie de recreio (em grego scholê), porque esta actividade contenta-se com ter um sentido para ambos, sem se propor qualquer objectivo particular" (Illich, 1974, pp.58). Neste sentido, o iniciador educativo tornar-se-ía numa espécie de pedagogo, uma vez que, ao contrário do professor tradicional, teria o poder de agir fora da escola, sobre a sociedade inteira.
Em suma, para Illich, a defesa do direito de livre acesso aos instrumentos de ensino e do direito de partilhar conhecimentos e crenças com outros, pressupõe uma revolução educativa que:
* torne livre o acesso às coisas, abolindo o controle que as entidades particulares e as instituições exercem sobre o seu valor educativo;
* torne livre a partilha das aptidões, garantindo o direito de as ensinar ou de as demonstrar a pedido;
* torne livre os recursos criadores e críticos dos seres humanos, restituindo a todo o indivíduo o poder de convocar reuniões ou de participar nelas;
* liberte o indivíduo da obrigação de limitar as suas esperanças de acordo com os serviços que podem oferecer-lhe as profissões estabelecidas.
"A descolarização da sociedade extinguirá inevitavelmente as distinções entre a economia, a educação e a política, sobre as quais repousam a estabilidade do mundo actual e das nações"(Illich, 1974, pp.62).
FONTE : http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/illich/index.htm#As%20Novas%20Redes
PROJETAR!!
talvez seja uma nova forma de repensar tudo...
geralmente uma forma nova,aplicada em conteúdos meio velhos,
podem nos trazer novos conteúdos!
Educadores, professores,geralmente já estão carecas de saber o que é educação!
Mas,digamos que poderemos colocar a educação num outro lugar,é, mudar a educação de casa! colocá-la no ciberespaço! o que poderia acontecer com o contexto da educação?
com os estudantes e com os professores!?
Este contexto virtual, ainda novo para a maioria,coloca-nos em outros padrões...
quais são estes padrões? que formas novas de pensar e agir eles nos trazem?
Ainda que conheçamos as teorias da semiótica, da pedagogia, das ciências humanas em geral!...me parece que chegou a hora de engendrarmos tudo isso e deste processo
chegarmos a algo nunca feito antes na história! se passamos por mudanças cruciais no mundo, em vários aspectos,quem poderá dizer que aprender a lidar com tudo isso,
não está justamente em nossa dedicação e capacidade de entendimento,desta urgente
integração da educação com a cibercultura!? para daí possivelmente surgirem
saídas extraordinárias às grandes questões de nossa época!
Temos muito o que projetar para o nosso presente e para nosso futuro!
Um blog pode contribuir para uma boa conversa entre os colaboradores,
e entre os que o lêem!
Quais ações poderíamos idealizar? Como atuarmos nas escolas, nas empresas para contribuirmos com esta passagem histórica dos brasileiros?
Muitos ainda nem sabem o que é a Internet,qual sua utilidade...enfim,
tenho certeza que está nas mãos dos educadores e professores esta importante
missão,de fazer a ponte,de mostrar a todos as incríveis possibilidades desta nova tecnologia que temos e que precisamos tomar posse o mais rápido que pudermos!
As tecnologias existem para melhorar a humanidade, no início sempre são utilizadas de maneira errada,mal aproveitadas,desperdiçadas!
Temos muito o que caminhar para aproveitarmos com eficiência todas estas potencialidades,junto com o maior número de pessoas que pudermos incluir!
Esta é a Era da cooperação! espero que de uma vez por todas entendamos esta nova mentalidade que ressurge!
Nadia Stabile - 05/12/08
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
O QUE É UM BLOG? (CLIQUE AQUI)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Um weblog, blog, blogue ou caderno digital[carece de fontes?] é uma página da Web, cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos de tamanho variável, chamados artigos, ou "posts). Estes são organizadas cronologicamente de forma inversa (como um diário) costumam abordar a temática do blog, e podem ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog.
O weblog conta com algumas ferramentas para classificar informações técnicas a seu respeito, todas elas são disponibilizadas na internet por servidores e/ou usuários comuns. As ferramentas abrangem: registro de informações relativas a um site ou domínio da internet quanto ao número de acessos, páginas visitadas, tempo gasto, de qual site ou página o visitante veio, para onde vai do site ou página atual e uma série de outras informações.
Os sistemas de criação e edição de blogs são muito atrativos pelas facilidades que oferecem, pois dispensam o conhecimento de HTML, o que atrai pessoas a criá-los.
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"SOCIEDADE DESESCOLARIZADA" DE IVAN ILLICH (clique aqui)

"SOCIEDADE DESESCOLARIZADA" DE IVAN ILLICH
Enquanto Paulo Freire e seus seguidores pensavam na possibilidade de uma pedagogia do oprimido, Ivan Illich denunciava a opressão da pedagogia, apontando o ensino escolar como o principal expropriador da autonomia individual.
Esse ataque à escola - “essa velha e gorda vaca sagrada”- tanto da direita como da esquerda, lhe rendeu um ostracismo intelectual que só agora começa a se romper com o chamado movimento antiglobalização e o pensamento ecológico radical que direta ou indiretamente foram influenciados pelas críticas do velho padre austriaco.
Título: Sociedade Desescolarizada
Autor: Ivan Illich
Páginas: 114
Formato: 14 x 20
R$ 14,00
FONTE: http://deriva.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=43&Itemid=59?option=com_content&task=view&id=43&Itemid=59
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