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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

VOCÊ SE INTERESSA PELA QUESTÃO DAS REDES!? (NOVO BLOG)



“CONVIVEMOS,VIVEMOS EM MUITAS REDES,E NEM NOS DAMOS CONTA DISTO!”

“TUDO QUE É SUSTENTÁVEL TEM O PADRÃO DE REDE”>>> AUGUSTO DE FRANCO

Este novo blog surgiu por causa da 1ª Oficina de AEL – REDE VIVO , em São Paulo,se propõe a discutir, a transformar, a “oficinar”...  “redes”de pessoas...como? na medida  em que a rede for se formando neste blog... (eu com mania de blogs, montei o blog) e os outros que compreendem que blogs podem cooperar com a interação, com a transformação das redes, das conexões entre as pessoas....e se quiserem participar deste blog, é só mandarem respostas com seus emails que eu mando o convite!! Conexões são vitais hoje, mais do que nunca! Por isso continuo tentando me conectar e tentar promover conexões através de blogs...se funciona mesmo...não sei!! Algumas coisas boas tem acontecido com os blogs coletivos! Mas o negócio todo começa na vontade de cada um, sem ela...nada acontece! Abrações!

Nadia Stabile - 19/11/09

 (novo blog) OFICINAS DE REDES (clique nos links para ler)

http://oficinasderedes.blogspot.com/        

Arquivo do blog


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

RECICLAR O SER HUMANO (leia os comentários dos colaboradores deste blog no link abaixo)

Muito se fala em reciclar, em preservar a natureza,
mas como sabemos, pouco se faz...
Todos os processos de transformação da consciência humana,
parecem demorar muito mais do que a descoberta e utilização de processos tecnológicos.
Por exemplo a reciclagem ou a formação continuada de professores,
quase sempre hiper falha,e nada eficiente...
e eu lhes pergunto por que?
Porque na verdade a formação de seja lá quem for se inicia sempre por uma vontade
enorme de transformar-se...vem de dentro,vem da experiência individual de que muitas coisas precisam ser mudadas para melhor! lógico!!!!
Queria escrever aqui também sobre a "reciclagem" das pessoas idosas,
os avós de nossos estudantes, que geralmente tinham vida muito mais simples do que atualmente,que consumiam muito menos alimentos industrializados, e que viviam sem tantos "apetrechos" tecnológicos e que poderiam compartilhar suas vivências nas escolas rotineiramente. Este "linkamento" seria vital,pois se formos encarar que todos fazem parte de uma rede, comunidades são redes,e os idosos também precisam ser incluídos nestas redes! Precisam ser respeitados assim como precisamos aprender a respeitar a natureza, nossa mãe, nossa casa...
Reduzir o consumo de produtos comprados em super mercados já seria um grande passo,
ir mais às feiras livres (outro fenômeno cultural brasileiro) onde o consumo é muito mais humano até no tipo de negociação, na feira ainda dá para se "pechinchar"...
E lógico, pensemos na grande evolução que pode ocorrer quando somente uma pessoa, somente uma...começa a influenciar a comunidade em que vive e consegue mobilizar as demais a terem o ânimo de por exemplo, produzirem os compostos orgânicos, enterrando o lixo de restos de cascas de frutas,e etc...e podendo dispor de verduras,legumes e até frutas produzidas em suas próprias hortas! TUDO É POSSÍVEL TENDO BOA VONTADE, DEDICAÇÃO E INFORMAÇÃO! e como foi dito aqui, a escola pode e deve incluir a comunidade toda em suas ações, porque geralmente se a criança aprende que comer verduras e legumes faz bem a sua saúde, se as mães não estiverem informadas, dificilmente a coisa se concretiza! E sobre a reciclagem do lixo seria até mais fácil de se fazer, como a Taís propôs.
LEIA AQUI OS COMENTÁRIOS FEITOS NESTE BLOG
SOBRE O LIXO E SUA RECICLAGEM :

http://edudemocraticaciber.blogspot.com/2009/08/o-lixo-nosso-de-cada-dia.html

NADIA STABILE - 04/09/09

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Web 2.0: Marcelo Tas



Jornal de Debates pergunta Web 2.0: Revolução ou Evolução?

Web 2.0: Paulo Henrique Amorim



Jornal de Debates pergunta Web 2.0: Revolução ou Evolução?

Resposta de Paulo Henrique Amorim, Jornalista e Blogueiro

Mídia Social (Social Media) - legendado

O que é Twitter ?

Facebook - Documentário "A Internet" no Discovery Channel



Este foi o 4º episódio do especial sobre "A Internet" no Discovery Channel. Editei somente a parte que falava sobre o Facebook, apesar de haver uma batalha entre Myspace e Facebook.

Então divulguem o facebook no Brasil, porque as demais redes sociais são apenas cópias, de tudo que já acontece na maior rede social do mundo.
http://pt-br.facebook.com

Discovery Channel - Brasil
Outubro de 2008
Todos os direitos reservados.
Categoria: Ciência e tecnologia
Palavras-chave:
discovery channel internet facebook redes sociais web2.0

segunda-feira, 23 de março de 2009

ESTUDANTES E REDES SOCIAIS - E A BLOGOSFERA

Enquanto os professores trabalham em três escolas e não tem tempo de utilizar a Internet,os estudantes usam ,e conversam com muitos amigos pelo MSN, pelo Orkut e etc.
Talvez os estudantes percebam antes dos professores que as redes virtuais podem lhes trazer muito mais integração com o meio do que frequentar a escola!

Ivan Illich previa que as redes iriam surgir e talvez desbancassem pra valer as escolas! e isto já está acontecendo! Eu pessoalmente tenho adquirido muita coisa boa conversando com amigos, com profissionais de outras áreas!! em qual escola eu poderia trabalhar e ter contato com tanta gente com profissões diversas da minha!?

Os jovens já perceberam isso há muito tempo, acho hiper positiva esta interação que a web proporciona a todos! Há muitos jovens blogueiros, e isto é extraordinário, pois sendo blogueiro,surpreendentes experiências podem ocorrer!

A blogosfera tem tido um papel social incrível! inclui pessoas que nunca seriam incluidas em espaço algum! e além disso desenvolve, organiza o intelecto dos jovens!
Acho que seria uma boa proposta educacional, os professores começarem a propor aos estudantes fazerem blogs, os professores teriam ali um ótimo portfólio do processo intelectual de seus alunos ,e ainda os alunos poderiam avaliar facilmente o processo
de seus colegas!

Só pra lembrar, a blogosfera é uma rede de troca de conhecimento muito eficiente!

Nadia Stabile - 23/03/09

sábado, 14 de março de 2009

Hackers, monopólios e instituições panópticas - Sérgio Amadeu da Silveira

Poder, governança e vigilância na Internet

Um excelente artigo sobre disputas de poder, monopólio, vigilância e governança na Internet, apresentado por Sérgio Amadeu no congresso da Intercom, em Setembro de 2006.

Hackers, monopólios e instituições panópticas

Por Sérgio Amadeu da Silveira

Introdução: Velhos Direitos, Novas Violações e a Ambiguidade das Redes.

A comunicação mediada por computador e a digitalização intensa de grande parte dos conteúdos de expressão – textos, sons ou imagens — ampliaram as possibilidades das grandes organizações – Estados, companhias transnacionais e redes criminosas – de observar e rastrear o comportamento e o cotidiano dos cidadãos. A comprovação empírica dessa afirmação pode ser encontrada exatamente nos Estados Unidos, um dos países com grande tradição na defesa da privacidade e, ao mesmo tempo, a nação com o maior número de computadores e internautas. Em Dezembro de 2005, o jornal The New York Times divulgou que presidente George W. Bush teria autorizado o NSA (National Secutity Agency) a realizar milhares de escutas telefônicas e scaneamento de e-mails sem a prévia autorização judicial. O governo alega que a Lei USA Patriot, aprovada no fim de 2001, permite a espionagem de pessoas sem consulta ao Judiciário, pois isto seria indispensável para um combate ágil e eficaz ao terrorismo.

No mês de maio de 2006, o site de buscas Google, recusou-se a entregar ao Departamento de Justiça norte-americano uma lista contendo palavras e sites pesquisados por todos usuários durante uma determinada semana. O governo já vinha utilizando as bibliotecas para captar informações sobre o que as pessoas consultam. A Lei USA Patriot permite tais ações de rastreamento. É notável que antes mesmo dos ataques de 11 de Setembro, o FBI (polícia federal norte-americana) já scaneava e-mails que transitavam pelos backbones (redes de alta velocidade) e seus roteadores instalados nos Estados Unidos. Esta prática de vigilância ocorria a partir de um sistema chamado Carnivore que permitia ler todos os e-mails e copiar aqueles que continham determinadas frases e palavras-chaves. É importante ressaltar que mesmo denunciado no parlamento por organizações da sociedade civil, tais como a EFF (Eletronic Frontier Foundation) e EPIC (Eletronic Privacy Information Center), o Carnivore violou e-mails de cidadãos americanos e também de estrangeiros. Todas as mensagens “suspeitas” que tiveram o território norte-americano como rota de passagem foram violadas.

Talvez muito mais do que os Estados, algumas poucas corporações estão buscando legitimar a alteração no imaginário social sobre o espaço da privacidade em um mundo inseguro. Empresas que controlam algoritmos embarcados nos códigos de programação computacional, amplamente empregados como intermediários da comunicação contemporânea, tais como sistemas operacionais, estão realizando intrusões em computadores pessoais sem que nenhuma reação revoltosa seja noticiada. A tecnologia DRM (Digital Rights Management) usada para tentar impedir o uso não autorizado, denominado “pirata”, de softwares, games, vídeos, filmes e músicas, está permitindo que em nome da defesa do copyright seja destruído o direito a intimidade e a privacidade.

Além disso, o caráter transnacional da rede de comunicação mediada por computador, coloca o problema sobre a definição das regras básicas de operação da rede que são definidas por protocolos de comunicação, padrões e pela estrutura dos nomes de domínios. Emerge a questão da governança da Internet que envolve a disputa entre cinco grandes interesses não necessariamente contrapostos: dos comitês técnicos que definiram até agora os protocolos da Internet; dos Estados nacionais; das corporações de Tecnologia de Informação; da sociedade civil mundial e das várias comunidades hacker; e o interesse do Estado norte-americano. Uma série de decisões aparentemente técnicas que afetarão a privacidade e o anonimato dos internautas estão sendo debatidas e poderão ser adotadas sem que os cidadãos do planeta, que utilizam a Internet, tenham a mínima possibilidade de debatê-las ou mesmo de recusá-las. Se for definido que o protocolo de comunicação básico entre as milhares de redes deverá ter como o padrão o fim do anonimato na comunicação, isto afetará completamente a forma como conhecemos a Internet hoje.

Estes exemplos reforçam a necessidade de observarmos mais atentamente a relação entre comunicação, tecnologia e mudança social. Também indicam que a comunicação mediada por computador, por seu caráter transnacional, afeta cidadania e exige a reconfiguração dos direitos para uma vida coletiva no ciberespaço. Sem dúvida, a rede mundial de computadores tem servido às forças democratizantes para compartilhar não somente mensagens e bens simbólicos, mas também conhecimentos tecnológicos que estão gerando as possibilidades distributivas de riqueza e poder extremamente promissoras. Exatamente nesse contexto, que um conjunto de mega-corporações atuam para manter e ampliar em uma sociedade informacional os poderes que detinham no capitalismo industrial. Para tanto, precisam conter a hiper-comunicação pública e torná-la comunicação privadamente controlada, substituindo a ideia de uma cultura livre pela cultura da submissão ou do licenciamento.

Algumas Considerações Sobre a Noção de Cidadania.

John Perry Barlow, um dos fundadores da Eletronic Frontier Foundation, escreveu a A declaration of the Independence of Cyberspace, em fevereiro de 1996, como reação ao Ato de Decência nas Comunicações, uma lei que visava o controle de conteúdos na Internet, proposta pela administração do presidente norte-americano Bill Clinton. Barlow foi enfático: “Governments of the Industrial World, you weary giants of flesh and steel, I come from Cyberspace, the new home of Mind. On behalf of the future, I ask you of the past to leave us alone.” Apesar do seu apelo, dez anos depois é preciso constatar que ele não foi atendido, nem pelos Estados nacionais, nem pelas mega corporações. Isto porque o ciberespaço não existe descolado do mundo material. A Internet depende da infra-estrutura lógica e física que está sobre o comando de pessoas e empresas que habitam os territórios controlados pelos velhos gigantes estatais, os Leviatãs.

Sem dúvida alguma, a Internet representa uma mudança de paradigma das comunicações e é vista por uma série de teóricos como a maior expressão da chamada revolução das tecnologias da informação (CASTELLS). A supremacia da comunicação baseada na difusão, a partir de um ponto, está sendo substituída pela comunicação em rede. A Internet assegura a possibilidade de qualquer cidadão disputar a atenção da rede para seus sites, blogs ou mensagens. A net é um meio técnico com características intrínsecas que permitem a democratização da criação de conteúdos. Considerando ainda que a Internet é uma rede transnacional baseada no fluxo de dados, que transitam sobre um mesmo conjunto de protocolos e regras de codificação e decodificação de códigos, fica evidente que os Estados nacionais não teriam o controle total do fluxo de conteúdos, como ocorre no caso da TV e do rádio. O fluxo da Internet pode originar-se fora do território nacional. A lei nacional tem enorme dificuldade de ser executada se um provedor de conteúdo que hospeda um site de pedofilia encontrar-se hospedado em um país distante.

Todavia, existem possibilidades de controle de conteúdos e de aplicações que são realizadas por meio da própria tecnologia. É preciso relativizar a idéia de que os Estados não possuem formas de bloquear e até mesmo controlar determinados fluxos da Internet. O governo autoritário da China filtra conteúdos e impede o acesso a determinados sites porque controla os dois backbones por onde transitam todos os dados que entram e saem do país. Desconhecer estas possibilidades de controle significa abandonar a jornada da humanidade na luta pela legitimação do direito à livre comunicação como um dos direitos fundamentais do homem e do cidadão. É olhar somente para as promessas democratizantes da comunicação mediada por computador e esquecer de sua face panóptica. É desconsiderar a gravidade do fato do Google organizar buscas censuradas para poder ter acesso ao mercado chinês, prática já realizada pelo Yahoo e MSN.

Donna Haraway, em sua brilhante reflexão feminista, qualificou o momento em que vivemos como a “transição das velhas e confortáveis dominações hierárquicas para as novas e assutadoras redes (…) de ‘informática de dominação’”. (HARAWAY, p.65) As redes possuem uma linguagem comum entre as máquinas e estas são intermediários indispensáveis para as linguagens naturais humanas, em um ambiente de comunicação via máquinas de processar dados. O jurista Lawrence Lessig já havia alertado, no final dos anos 1990, que no ciberespaço o código tem o mesmo papel de uma legislação. (LESSIG). Exatamente pelos intermediários tecnológicos que Estados autoritários e neo-autoritários (falo dos Estados Unidos), bem como gigantescas empresas imperiais do capitalismo informacional tentam controlar os cidadãos.

Weissberg denunciou a contradição existente entre o desejo de uma comunicação cada vez mais transparente e desintermediada, a partir do dinamismo e do potencial interativo da Internet, e a realidade de sua operação. Por isso, afirmou que “o objetivo de supressão dos intermediários se transforma, conforme seu próprio movimento, em criação de uma nova camada de mecanismos mediadores que automatizam a mediação.”(p.123) Mas como fica a noção de cidadão em um mundo cada vez mais transnacionalizado e com a comunicação mediada por padrões e códigos (softwares) que são apresentados por instâncias definidas como técnicas e distantes dos mecanismos de controle democrático?

Aqui é necessário enfrentar pelo menos duas questões: primeiro, a da evolução da cidadania; segundo, a questão do papel da comunicação e da tecnologia para a mudança ou permanência das relações sociais.

Segundo vários autores, podemos definir “cidadania” como o direito a ter direitos. T. H. Marshall observando a evolução do conceito na Inglaterra, defendeu existir direitos de primeira e segunda geração. Para Marshall, primeiro teriam surgido os direitos civis e depois os políticos (séculos XVIII e XIX). Uma segunda geração de direitos surgiram no século XX e conformariam os chamados direitos sociais. Apesar de acusada de etnocêntrica e linear, a proposição de Marshall passou a ser referência para a observação da mutabilidade histórica da cidadania. Nesse sentido, alguns teóricos observaram o surgimento na segunda metade do século XX dos direitos de terceira geração, ou seja, direitos de grupos, de minorias e etnias, direitos difusos que ganham força em todo o mundo. Questões como o direito ao meio ambiente, o feminismo e a defesa do consumidor, são incorporados em várias legislações e discursos políticos. (LISZT)

A comunicação transnacional mediada por computador coloca a necessidade de reivindicar novos direitos? Como reivindicar novos direitos em um ambiente transnacional? Mas não seria um exagero exigir deliberação democrática e debate público sobre as funcionalidades de sistemas, códigos e protocolos considerados técnicos pelas indústrias de TI e pelo senso comum?

Vamos verificar um caso concreto que interferirá no cotidiano de todas as pessoas do planeta que utilizam e cada vez mais dependem da rede mundial de computadores. O protocolo de comunicação da Internet chamado IP (Internet Protocol) permite o endereçamento de dados entre todas as redes que a compõem. A versão deste protocolo que permitiu a expansão veloz da rede por todo o planeta é denominada de IPv4 e está sendo substituída por uma nova versão, o IPv6. Entre os vários motivos de criar uma nova versão estão as razões de segurança. O IPv6 permite que os cabeçalhos dos pacotes de dados sejam assinados digitalmente por chaves criptográficas. Estas chaves servem para identificar o autor das mensagens. Pois bem, se for definido que o padrão de comunicação entre redes será a identificação criptográfica de todos os pacotes, então a Internet terá suprimido o anonimato na comunicação. Suponha que boa parte ou a maioria dos cidadãos dos vaŕios países do mundo sejam contra o fim do anonimato na Internet. Como influenciarão esta decisão? A quem recorrer? Qual será o fórum de decisão? Ou continuaremos a acreditar que estas decisões são meramente técnicas?

Guarinello coloca-nos um ponto extremamente relevante: “Há, certamente, na história, comunidades sem cidadania, mas só há cidadania efetiva no seio de uma comunidade concreta, que pode ser definida de diferentes maneiras, mas que é sempre um espaço privilegiado para a ação coletiva e para a construção de projetos para o futuro.”(p.46) O problema é que a Internet por ser transnacional não se enquadra facilmente no terreno onde a cidadania tem conseguido avanços, ou seja, nos espaços nacionais.

Entretanto, Liszt Vieira aponta que “recentes concepções mais democráticas pretendem dissociar completamente a cidadania da nacionalidade. (…) Por esta concepção, seria possível pertencer a uma comunidade política e ter participação independente da questão de nacionalidade.”(p.32) Mark Poster avança e questiona: “podem os novos meios de comunicação promover a construção de novas formas políticas não amarradas a poderes territoriais e históricos? Quais são as características dos novos meios de comunicação que promovem novas relações políticas e novos sujeitos políticos?”(p.328)

Talvez uma boa linha de investigação tenha sido lançada por Benedict Anderson quando afirmou que a nação é uma comunidade imaginada. Os meios de comunicação foram fundamentais para a constituição da idéia moderna de nação. A partir dessa perspectiva, Gustavo Lins Ribeiro defende que do mesmo modo que “Benedict Anderson mostrou, retrospectivamente, a importância do capitalismo literário para a criação de uma comunidade imaginada que evoluiria para tornar-se uma nação. Sugiro que o capitalismo eletrônico-informático é o ambiente necessário para o desenvolvimento de uma transnação.” (p.469)

A emergência de uma “comunidade transnacionalmente imaginada”, nos dizeres de Ribeiro, exige o aparecimento de lealdades superiores a dos Estados Nacionais, forjadas a partir do ciberespaço. Nesse contexto, Mark Poster vê a possibilidade de surgimento de uma espécie de cidadão planetário: “o net-cidadão pode ser a figura formativa num novo tipo de relação política, que partilha a lealdade à nação com a lealdade à Internet e aos espaços políticos planetários que ela inaugura.”(p.329)

Comunicação, Tecnologia e o Mito da Neutralidade.

O problema da cidadania, em um cenário de globalização e transnacionalidade, coloca-nos diante da necessidade de enfrentarmos a discussão do papel das comunicações e das tecnologias da informação nos processos de mudança e permanência das relações sociais. Dominique Wolton escreveu:

“Se uma tecnologia da comunicação desempenha o papel essencial, é porque simboliza ou catalisa, uma ruptura radical da ordem cultural ocorrendo simultaneamente na sociedade. Não foi a imprensa que, por si, transformou a Europa, mas sim a ligação entre esta e o profundo movimento que subverteu o poder da Igreja Católica.” (WOLTON, 2003, p.32)

Para Wolton, as tecnologias de informação e os meios de comunicação não criam revoluções, ao contrário, são utilizados pelos processos revolucionários ou mudancistas. Sem dúvida, não foi a revolução industrial que criou o capitalismo, mas sem dúvida alguma, o domínio da tecnologia da máquina assegurou a primazia sobre o processo de apropriação da riqueza produzida e, este domínio econômico, gerou mais poder sobre a sociedade. Os capitalistas não poderiam impor suas relações de produção se não incorporassem a forma mais produtiva e avançada de geração de bens materiais.

Wolton vê nas promessas em torno das tecnologias da informação as mesmas ilusões que geraram prognósticos otimistas para os impactos da TV, do Rádio, do satélite, do cabo, no convívio humano. O teórico francês não percebeu que a TV e todas as formas do paradigma de difusão não têm nenhuma relação com as tecnologias da informação. Estas são mais do que formas de comunicação intensa e múltipla, são também tecnologias da inteligência (LÉVY) que ampliam as possibilidades de transformar informações em conhecimento. São tecnologias que reivindicam um comportamento interativo e se baseiam na proliferação da cópia. Permitem fundir sons a imagens e estas a textos, sendo multidirecionais e capazes de armazenar bilhões de dígitos na mesma máquina receptora e transmissora de mensagens.

Ao afirmar que “a técnica não é suficiente para mudar a comunicação na sociedade”, Wolton pode estar desconsiderando dois importantes elementos: um histórico e outro teórico. Primeiro, a tecnologia da informação nasceu no âmbito do cálculo e do processamento de dados. Somente depois que o computador tornou-se uma ferramenta de comunicação. De um projeto militar no cenário da Guerra Fria, o paradigma da computação em rede surgiu e foi reconfigurado inúmeras vezes por cientistas, hackers e pensadores da contracultura californiana (CASTELLS). Assim surgiu a Internet real, tal como a conhecemos hoje. É inegável que sua expansão está mudando a face das comunicações no planeta. E a comunicação em rede é completamente distinta do broadcasting.

Segundo, talvez a insistência de Wolton em afirmar que a tecnologia não muda a sociedade guarde a concepção de que as tecnologias são socialmente neutras. Técnicas quando inventadas sempre guardam decisões de quem as criou. Muitas delas podem ser reconfiguradas, outras têm o uso ambíguo, como a Internet, mas nunca são criadas sem objetivos, de modo neutro. É exatamente esta a questão que aqui discuto. Decisões sobre a arquitetura das redes e seus protocolos estão sendo tomadas por engenheiros, mas têm grande impacto social e podem limitar ou ampliar a liberdade da comunicação entre as pessoas. São decisões de grande impacto público, portanto, adquirem relevância política, mesmo que tenham sido tomadas por comitês técnicos.

Considerar que determinadas tecnologias guardam potenciais revolucionários, não significa também assumir a proposta de McLuhan. Mattelart criticou a supremacia que McLuhan dava ao meio. Sem dúvida, o meio condiciona, mas dificilmente poderá determinar os conteúdos. São visíveis os exageros de McLuhan quando advogou que “o grande abalo que rompeu o corpo da comunicação e a desmembrou teve lugar na Idade Média. Se a Igreja perdeu posição nessa época, se ela aí perdeu sua unidade mística, foi por causa da tecnologia.”(MATTELART, p.103) Por outro lado, é necessário reconhecer que a invenção de Gutenberg viabilizava a proposta de doutrinadores da Reforma que queriam romper com os intermediários entre o homem e Deus, entre a portador da fé e os escritos sagrados. A impressão de tipos móveis “baniu o estilo de vida comum em favor de uma comunidade massiva onde cada indivíduo pode se tornar um leitor e onde a leitura se torna uma experiência privada.” (idem, p.103)

Em outro texto mais recente, Wolton parece reconhecer a magnitude e a complexidade da comunicação em rede e aponta um problema que indica a necessidade da deliberação pública sobre os caminhos da comunicação mediada por computador, principalmente, a Internet: “É no que o tema da sociedade da informação é perverso: ele homogeneiza tudo e faz desaparecer o homem por de trás dos fluxos de informação. Numa economia do signo, tudo é possível. Cabe então ao homem inventar seus próprios limites.”(WOLTON, 2004, p.155)

Conclusão: Concentração de Poder e Cultura Hacker

Carlos Afonso, um dos pioneiros da Internet no Brasil, ao comentar o debate sobre a governança da Internet na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, ocorrida em duas fases, Genebra, em 2003, e Túnis, em 2005, afirmou:

“Os equívocos de alguns participantes do debate global vão desde acreditar que o tráfego de conteúdo passa pelo sistema de servidores-raiz até pensar que as funções de governança da Internet como um todo deveriam estar sob a alçada da UIT (União Internacional das Telecomunicações). A ICANN também costuma ser apresentada como uma organização global, o que é verdade apenas numa pequena parte e, em termos legais, não o é de forma alguma. A ICANN está sujeita às leis federais dos Estados Unidos e às leis do estado da Califórnia, e o seu poder de governança da Internet está limitado por vários contratos e por um Memorando de Entendimento (ou MoU, na sigla em inglês) envolvendo o governo dos EUA, a ICANN e a principal operadora do sistema global de nomes de domínio, uma empresa privada chamada Verisign.” (AFONSO, p.11)

O que mais chama a atenção na crítica de Carlos Afonso não é a ignorância de alguns participantes, mas o grande poder do governo norte-americano sobre um dos órgãos técnicos que definem regras da comunicação em rede. Por outro lado, este poder não está apenas no contexto da governança da Internet, pois uma sociedade em rede ou informacional exige um conjunto de intermediários e de decisões técnicas de enorme impacto sócio-planetário.

A concentração de poder comunicacional na sociedade da informação poderá ser muito maior do que a ocorrida com a mídia de massas na sociedade industrial. No ano de 2002, mais de 90% dos computadores pessoais do mundo utilizavam o sistema operacional de uma única empresa norte-americana, a Microsoft. O sistema operacional é o principal programa de uma máquina de processar informações. Ele define como a máquina deve agir, como deve alocar a memória, que tipos de programas podem ou não podem ser instalados nela, entre outras funções. “Por dominar a linguagem básica dos computadores, esta empresa também passou a dominar o mercado de navegadores web (browser), uma vez que passou a vender o browser junto com seu sistema operacional, desbancando todos os outros existentes.”(SILVEIRA, p.157)

Mark Poster alerta-nos que a saída para a democratização da sociedade informacional está na construção de novas estruturas políticas fora do Estado-nação em colaboração com as máquinas.”(p. 322) Ou seja, é na formação de um movimento de opinião pública planetário, transnacional, no ciberespaço com consequências em todos os territórios, pois para Poster não há como criar processos decisórios mundiais. Poster acredita que “a nova ‘comunidade’ não será uma réplica de uma ágora, mas será mediada por máquinas de informação. Portanto, o exigido é uma doutrina dos direitos da interface homem/máquina.”(p.322)

Para construirmos a idéia de novos direitos de caráter planetário, será fundamental observarmos a cultura hacker que esteve presente desde o nascimento e em toda a expansão da comunicação baseada nas redes informacionais. A Internet evoluiu aberta, vencendo tentativas de apropriação privada de seus elementos principais, exatamente pela forte influência dos hackers em seus processos vitais. A cultura hacker também está escrevendo uma das mais contundentes críticas a opacidade dos códigos e ao bloqueio do fluxo de conhecimento tecnológico na sociedade da informação. Dela nasceram movimentos como software livre e fenômenos como a maior enciclopédia do mundo, a wikipedia.

Ao estudar a cultura hacker, o filósofo finlandês Pekka Himanen escreveu:

“A ética de trabalho dos hackers consiste em combinar paixão com liberdade, e foi essa a parte da ética dos hackers cuja influência foi sentida com maior intensidade.” (…) “um terceiro e crucial aspecto da ética dos hackers é a atitude dos hackers em relação às redes, ou seja, é a sua ética da rede, que é definida pelos valores da atividade e do cuidar. Atividade, nesse contexto, envolve a completa liberdade de expressão em ação, privacidade para proteger a criação de um estilo de vida individual, e desprezo pela passividade frente à procura pela paixão individual. Cuidar significa aqui a preocupação com o próximo como um fim em si mesmo e um desejo de libertar a sociedade virtual da mentalidade da sobrevivência que tão facilmente resulta de sua lógica.” (p.126)

Os hackers do movimento de software livre estão enfrentando as companhias que buscam monopolizar no planeta o controle dos intermediários da comunicação (softwares, códigos e protocolos da comunicação em rede). Estas companhias alegam que seus direitos de propriedade estão acima de todos os demais direitos, inclusive da liberdade de conhecer, do uso justo de uma obra protegida pelo copyright, do direito à privacidade, à segurança e ao anonimato. Enfim, estamos em uma novo terreno. Dele emanam a reivindicação de novos direitos, direitos de comunicação, de liberdade de expressão e da possibilidade democrática de tomar decisões em uma sociedade em rede, virtual ou ciberespacial. O debate mal começou.

Sérgio Amadeu da Silveira é doutor em ciência política e professor de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero.

FONTE: http://dalberto.wordpress.com/tag/software-livre/.

Blog do Sérgio Amadeu da Silveira : http://samadeu.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Dialogismo e ciberespaço

LINGUAGEM: A NATUREZA DIALÓGICA NO ESPAÇO VIRTUAL


Joyce de Castro Sanchotene


RESUMO


O estudo descrito a seguir foi realizado por meio da observação e da análise da linguagem exercida em ambientes virtuais de comunicação com o objetivo de determinar alguns aspectos da interação em tais contextos. Os aportes teóricos foram encontrados em Bakthin, Faraco, Chartier e Silva, dentre outros. Entendendo a linguagem de forma dialógica e que, é na relação com os outros que nos constituímos, pretendeu-se, aqui, investigar de que maneira os internautas organizam sua interação, tanto em ambientes virtuais ou híbridos para que se possa registrar esses fatos historicamente com o objetivo de contribuir na investigação e constituição de formas pedagógicas a serem utilizadas em ambientes formais de educação.

Palavras-chave: Interação virtual. Ambiente. Linguagem. Educação.
1 INTRODUÇÃO

O presente artigo é resultado de uma reflexão embasada em conceitos de linguagem dialógicos e na observação e análise do efetivo exercício dessa linguagem em ambientes virtuais como sites, blogs e comunidades que fazem parte da Internet. Além disso, também foi observada a forma como se organizam as redes sociais, qual seu conteúdo e a que extrato social pertencem as pessoas que se habilitam a usar as ferramentas adequadas e participar da troca ciberespacial.
O acesso a computadores e à rede da Internet tem se ampliado significativamente nos últimos anos e estudos sobre o assunto tornam-se urgentemente necessários em curto espaço de tempo, para determinar o impacto das atividades realizadas em ambientes de interação social, principalmente em ambientes híbridos, sobre o processo formal de aprendizagem.
O conceito de linguagem aqui apresentado tem como pressuposto que esta é uma visão de mundo que busca as formas e instauração de sentido que passa pela abordagem lingüística e discursiva, pela semiótica da cultura, podendo ser definida como um conjunto de imagens entretecidas e ainda não de todo desveladas.
Para que se tenha uma idéia da importância da leitura, é importante citar Barthes e Compagnon apud Silva (2003).

Sabe-se que a leitura – o saber ler – foi, durante milênios, um operador brutal de discriminação social. A escrita-leitura (visto que uma não existe sem a outra) esteve, desde o início, ligada (com os escribas reais) às esferas do poder e da religião. Como padrão do tempo, da comunicação, da memória, do segredo, só podia ser um instrumento privilegiado do poder – ainda que este saber estivesse delegado numa casta de técnicos (escravos e clérigos) que dependia do poder. É por isso que a ‘alfabetização’ (ou difusão da escrita como técnica) sempre esteve ligada às lutas políticas e sociais da história.( Silva, 2003, p. 9)


Desta maneira, podemos dizer que, novamente, nos deparamos com outro operador de discriminação, o analfabetismo digital. Conforme Chartier (2002)

(...) quanto à ordem dos discursos, o mundo eletrônico provoca uma tríplice ruptura: propõe uma nova técnica de difusão da escrita, incita uma nova relação com os textos, impõe-lhes uma nova forma de inscrição. A originalidade e a importância da revolução digital apóiam-se no fato de obriga o leitor contemporâneo a abandonar todas as heranças que o plasmaram, já que o mundo eletrônico não mais utiliza a imprensa, ignora o ‘livro unitário’ e está alheio à materialidade do códex. É ao mesmo tempo uma revolução da modalidade técnica da produção do escrito, um a revolução da percepção das entidades textuais e uma revolução das estruturas e formas mais fundamentais dos suportes da cultura escrita. Daí a razão do desassossego dos leitores, que devem transformar seus hábitos e percepções, e a dificuldade para entender uma mutação que lança um profundo desafio a todas as categorias que costumamos manejar para descrever o mundo dos livros e da cultura escrita.( Chartier, 2002, p. 23-4)

Percebe-se, no momento atual, um temor das pessoas em relação à tecnologia, que os pegou desprevenidos, pois, além de não terem acesso e conhecimentos para usar, conforme o mínimo exigido dos profissionais hoje em dia, são facilmente passados para trás até por crianças que ainda não freqüentam a escola. Convivemos, também, com a tradicional falta de visão e decisão por parte das autoridades que, supostamente, deveriam cuidar do assunto.
De acordo com Brait (2001, p.77) “(...) a linguagem não é falada no vazio, mas numa situação histórica e social concreta no momento e no lugar da atualização do enunciado.” Isso significa que é necessário analisar a dimensão histórica e intersubjetiva do evento, pois, a dimensão é uma atualização do enunciado do ponto factual e semântico, ou seja, no momento de sua realização e não extraída após o acontecimento, apenas como uma forma gramatical seja ela palavra ou frase. Interessa-nos, na análise em questão, saber de que maneira tem sido feita na escola a formação do leitor do texto eletrônico, quais são as características da internet e do computador como suportes e produtores de textos, além da forma como são estruturados os textos digitais e de que forma se processa a interação com o leitor. Assim, foi feita uma análise documental e a observação de comunidades virtuais de estudos, discussões e de propagação de notícias, entre outros. Na verdade, tal idéia corrobora o pensamento de Bakthin, isto é, de que a perspectiva da semiótica das ideologias pode ser flagrada no intercurso social e nas manifestações de linguagem aí produzidas.

2 O DIALOGISMO NO CIBERESPAÇO

Entende-se que o sujeito nasce e é constituído como tal em um complexo caldo de heteroglossia e dialogização. Assim esse sujeito, no princípio, percebe a realidade lingüística como múltiplas vozes sociais que se realizam “em múltiplas relações dialógicas – relações de aceitação e recusa, de convergência e recusa, de convergência e divergência, de harmonia e de conflitos, de intersecções e hibridizações.” (Faraco, 2003, p. 80).
Bakthin define uma visão dialógica de mundo, ou seja, um diálogo entre existência e linguagem, entre mundo e mente, entre o que é dado e criado, que estão presentes nas discussões que faz sobre autoria, respondibilidade, mesmo e outro, mundo como experiência em ação, mundo como representação no discurso. Esses aspectos serão apresentados como conclusão deste trabalho, após a análise e estudo das comunidades virtuais de acordo com os pressupostos descritos acima. É interessante relembrar que em muitos lugares do mundo a alfabetização tradicional, que usa suportes mais simples do que os tecnológicos, ainda não chegou a resultados satisfatórios. Os suportes tecnológicos são, também, considerados intelectuais, já que promovem a experiência e a atribuição conceitual aos elementos utilizados.
Os estudos sobre questões de linguagem e de leitura, na formação de professores, perante a força de modelos discursivos não científicos, os quais orientam o ensino da língua no Brasil, bem como dos preconceitos lingüísticos e, por extensão, pedagógicos que são postos em todos os setores da sociedade, podem, também, ser equiparados à problemática da alfabetização digital com a qual a sociedade se depara neste momento. Considerando-se a função mediadora da tecnologia no processo de aprendizagem, torna-se primordial a discussão dos vários pressupostos teóricos relacionados a essa nova linguagem e não simplesmente a sua utilização como ferramenta. Por outro lado, são as crianças que dominam o assunto e conhecem todas as possibilidades do ambiente multimídia, dominando a sua utilização. Praticam várias experiências no ciberespaço, como, por exemplo, a formação e a participação em comunidades sociais que, por sua vez, pressupõem padrões, costumes e códigos sociais partilhados no ambiente.
Silva (2003) salienta:

É importante destacar que a tecnologia propriamente dita presente na Internet não é questionada pelas crianças enquanto aparato técnico, pois ela adquiriu uma determinada transparência que lhes permite lidar com pessoas, informações, jogos, serviços, aplicações e amigos. Por isso, é necessário considerar as implicações trazidas pela sua utilização sobre a percepção da realidade social, isto é, ao nos conectarmos com as informações por meio da Internet, estão ocorrendo mudanças externas, mas também internas. É fundamental reconhecer que o computador tornou-se um novo ambiente cognitivo.(Silva, 2003, p. 110)


Muitas são as considerações e estudos que se fazem necessários sobre os objetos informáticos, já que esses são imateriais e de existências virtuais, além de potencialmente interativos e, por tais motivos, são bem adaptados a uma pedagogia ativa.
Ainda sobre os ambientes interativos virtuais, é possível citar vários grupos de estudo e troca de experiências como, por exemplo, o Blogs Educativos, comunidades diversas formadas e interligadas por temas de estudo em várias áreas do conhecimento como o edudemocratica-Grupos, ou de interesse por notícias como o dHitt, redes de relacionamento como Orkut, Plaxo e muito mais.(...)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"BRONCA DE MÃE...!!!" - GENIAL TEXTO DE TAIS!!

Tais, como mãe,é um membro deste blog,fundamental! Ela conhece bem sua realidade e a realidade da escola de seu filho!(eu já tenho filho grandinho!rsrsrssss)
Mas todos sabemos que as mulheres sempre interagem mais nas comunidades onde vivem, do que os homens! e esta interação que Tais relata, nos trás fortes sinais de que talvez a mentalidade cada vez mais interativa da Web 2.0,esteja migrando para a nossa realidade! além é claro da forçosa interação originária de nossa crise!
Frase antiga dizia: "O SOFRIMENTO UNE" , coisa que a antiga classe média cheia de "farturas" não conhecia e só achava interessante exclamar como papagaios...referindo-se ao que a classe mais pobre já passava!(anos 70)
Esta Web 2.0, que propõe uma interação muito maior do que a antiga web,que chegou a nos surpreender com uma possível biblioteca universal e gigantesca, hoje nos surpreende pelas incríveis possibilidades de exposição e interação social!
As redes sociais e os "Seconds Lifes" chegam a nos fazer imaginar que o contato real entre as pessoas possa um dia desaparecer! O limite entre o homem e a máquina surge como algo a ser necessariamente repensado,filosofemos sobre ele!
Se nos lembrarmos do filme Blade Runner,ou 2001 Uma Odisséia no Espaço, ou Inteligência Artificial...poderemos iniciar um caminho de reflexão em busca de nosso lado humano! Onde reivindicar cooperação, participação, solidariedade de um diretor de escola poderá significar um grande salto em direção a uma escola exemplar para nossos filhos e netos! Alienação, na vida real ou virtual é o que menos se espera!
Um educador,ou pais blogueiros,pode significar algo hiper democrático e colaborativo!
O eco que Tais ou outros educadores,ou adolescentes,enfim, que tomam posse desta "nova" mídia,pode e muito cooperar com a interação, com o debate e a cooperação na vida real! Lógico!

Nadia Stabile - 04/02/09

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

ESTE BLOG E PROCESSOS!!!

O pouco tempo que estou participando de um blog coletivo, o "SARAU PARA TODOS", deu-me a clareza de que o processo blogueiro pode ser bem interessante para iniciar atitudes democráticas!
A educação democrática,ou libertária, mostrou-me que a saída para começarmos a nos respeitar, a cultivar a tolerância e a respeitar enfim os processos alheios, passa pela convivência rotineira , ainda que de forma virtual, como é o caso da blogosfera!

As pessoas (blogueiros de um blog coletivo,no caso) vão se colocando sem moderação de ninguém e/ou de todos!!! Se a coisa for boa, ou se for ruim!! A polêmica se cria, ou não se cria! (podendo haver assembléias para se decidir linhas de ação)
Mas se assembléias não ocorrerem,ainda assim... ocorrerá algo curioso,que é o seguinte,as respostas virão de um jeito ou de outro nas futuras postagens dos membros do blog! E é aí é que a coisa começa a funcionar!!!
Um diz uma coisa, vem o outro e completa ,ou rebate!! E assim a coisa vai caminhando!! A conversa sempre acontece!! Direta ou indiretamente!!

A tal da autonomia intelectual tão almejada!! tão esperada, para que a educação a distância pudesse funcionar de verdade,para requalificação de professores e profissionais em geral, pode muito bem começar a ser desenvolvida na blogosfera!!
Se muitos hoje,partissem para ter um blog,coletivo ou não, e valorizassem muito mais seus interesses, suas curiosidades intelectuais, quem sabe num futuro próximo
esta autonomia intelectual, que tem tudo a ver com a mentalidade de pesquisador autodidata,chegaria a um bom patamar!

Nadia Stabile - 03/02/09

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Economia solidária, comunicação e redes - Por Carlos Antônio da Silva (MATÉRIA ESCRITA EM 2007)

Quando comecei a escrever este artigo, fiquei um tempo procurando qual seria a melhor definição para o termo “economia solidária”. Pesquisei muitas páginas na internet e falei com algumas pessoas que trabalham dentro dessa área. Cada pessoa que tive o prazer de interpelar me deu uma visão do que seria a economia solidária, e no final todas tinham o mesmo objetivo: a valorização do ser humano dentro de um processo de democratização econômica.

As instituições que trabalham com economia solidária devem definir políticas e estratégias, destinadas a conseguir um efeito maior com o mínimo de desgaste - as mudanças não têm ocorrido rapidamente apenas no mundo tecnológico, mas também dentro do contexto local e do convívio social, de maneira que os conhecimentos de ontem já não são suficientes para responder às novas realidades.

Atuar num mundo cada vez mais “interconectado” requer conhecimentos diversos e maiores que dificilmente podem ser adquiridos somente através da experiência local, e é neste sentido que a internet aparece como um recurso maravilhoso, por sua capacidade de ampliar e dar velocidade ao intercâmbio de informações.

Tendo a internet como uma ferramenta atualmente essencial, o caminho para o fortalecimento das organizações é o trabalho colaborativo em conjunto – um trabalho em rede, fortalecendo-se mutuamente. Não é inovador ter uma rede desse tipo – já existem várias redes de organizações ligadas a economia solidária – porém o desafio é fazer com que essas redes sejam, efetivamente, eficientes. Para que sejam eficientes, é necessário que haja comunicação e participação entre os atores envolvidos.

Dentro de uma rede, a comunicação é um elemento que deve estar presente em sua estrutura e em seus programas de formação. A participação em encontros e oficinas, mesmo à distância, se apresenta como um dos fatores mais importantes para a assimilação e o desenvolvimento conjunto de novos conhecimentos.

As trocas de informações que se implementam nas redes de organizações não só propiciam a abertura de novas temáticas e problemáticas diferentes como também contribuem para a consolidação do entendimento que cada integrante tem elaborado a partir de sua própria realidade. Nestes processos de troca, cada organização pode verificar que seus problemas são comuns às demais e aprender com outras abordagens e experiências, de tal modo que esses conhecimentos, a partir de uma realidade próxima, são assimilados com uma visão mais universal.

A criação de uma “cultura” da disseminação de informação é gradual. É um processo longo, pois iniciar um trabalho em rede também está muito ligado à situação e ao meio em que a organização vive, sua trajetória e seus propósitos – principalmente se falamos de trabalhar em rede usando a internet, pois o acesso ainda é um grande problema.

Para fortalecer a economia solidária, precisamos trabalhar em rede. Para fortalecer a rede, precisamos nos comunicar. Para facilitar a comunicação, termos acesso a informações diversas e melhorar a comercialização de produtos da rede, precisamos ter acesso às tecnologias de informação e comunicação, e friso, nesse caso, a internet como ferramenta de uso múltiplo. O acesso trará mais desenvolvimento ao território e as pessoas que nele vivem. Segundo Franklin Coelho, em seu livro “Desenvolvimento local e construção social - o território como sujeito”, considera-se o “desenvolvimento econômico local como a constituição de uma ambiência produtiva inovadora, na qual se desenvolvem e se institucionalizam formas de cooperação e integração das cadeias produtivas e das redes econômicas e sociais, de tal modo que amplie as oportunidades locais, gere trabalho e renda, atraia novos negócios e crie condições para um desenvolvimento humano sustentável”.

A participação em redes, para muitas organizações, é o que as motiva a compartilhar sua informação e experiência com outras. Esse intercâmbio de informações também faz que aquele que envia valorize mais seu próprio conhecimento e a possibilidade de expô-lo. A percepção da importância da comunicação tem crescido e algumas organizações estão descobrindo as diversas dimensões e possibilidades de uma rede, entre elas seu papel nas relações humanas e organizacionais, tanto internas quanto externas.

Segundo Pierre Lévy em seu livro “A inteligência coletiva. Por uma antropologia do ciberespaço”, as ”proposições de um ciberespaço e da criação de comunidades virtuais são respostas aos limites organizacionais de uma realidade complexificada com a globalização e seus efeitos negativos e positivos”. Com a internet, o intercâmbio de informações tradicional do “um-para-vários” é mudado para o “muitos-para-muitos”. A relação torna-se multidirecional, consolidando, assim, um processo de enriquecimento intelectual mútuo.

Claro que não se cria e se fortalece uma rede da noite para o dia – ainda existem alguns obstáculos como recursos humanos, recursos financeiros e, principalmente, tempo. Sustentar uma rede exige um esforço singular, e somente algumas organizações que já têm bem definida a necessidade da comunicação como um elemento essencial, conseguem dar continuidade. Cada qual, a partir de sua realidade, deve articular devidamente sua estratégia, para que possa atingir seus objetivos.

A motivação para que este intercâmbio de informações ocorra em uma rede depende, segundo Dalberto Adulis, diretor executivo da ABDL (http://www.abdl.org.br), da “percepção de que existam objetivos ou interesses compartilhados que possam ser alcançados através do processo de interação dos mesmos no âmbito da própria rede (networking)”. Para isso seria necessário, que os objetivos das instituições que têm a intenção de trabalhar em rede sejam favorecer a circulação e a troca de informações, o compartilhamento de experiências, a colaboração em ações e projetos, o aprendizado coletivo e inovador, o fortalecimento de laços entre os membros, a manutenção do espírito de comunidade e a ampliação do poder de pressão do grupo – seguindo, praticamente, as mesmas premissas que regem a economia solidária.

Viviane Amaral afirma em seu texto “Rede Brasileira de Educação Ambiental: 10 anos construindo relações cidadãs para uma sociedade sustentável”, que a “sustentabilidade da rede repousa e depende do interesse das pessoas em se comunicarem e compartilharem seus conhecimentos, seus anseios, seus objetivos”.

Para finalizar, temos então nesse artigo o delineamento do seguinte caminho: economia solidária, colaboração, trabalho em rede, fortalecimento, acesso às tecnologias de comunicação, uso social e solidário da internet, desenvolvimento local e sustentabilidade. Uma receita interessante que tem funcionado em algumas regiões e que pode ser um bom caminho a ser trilhado.

30.08.2007 | Por Carlos Antônio da Silva, exclusivo para Mosaico Social

FONTE: http://www.mosaicosocial.org/apc-aa-mosaicosocial/mosaicosocial/fulltext_all.shtml?vid=18&cmd[18]=i-18-41a9b094cdc43a3a99c540cf5d261402

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

USOS DA INTERNET : EDUCAÇÃO - DA WIKIPÉDIA

Educação

O uso das redes como uma nova forma de interação no processo educativo amplia a ação de comunicação entre aluno e professor e o intercâmbio educacional e cultural, desta forma, o ato de educar (com o auxílio da Internet), proporciona a quebra de barreiras, de fronteiras e remove o isolamento da sala de aula, acelerando a autonomia da aprendizagem dos alunos em seus próprios ritmos, assim a educação pode assumir um caráter coletivo e tornar-se acessível a todos (embora ainda exista a barreira do preço e o analfabetismo tecnológico).

Ao utilizar o computador no processo de ensino-aprendizagem, o mais importante a destacar é a maneira como esses computadores serão utilizados, quanto à originalidade, à criatividade, à inovação que serão empregadas em cada sala de aula.

Para o trabalho direto com essa geração, que anseia muito ter um “contato” direto com as máquinas, é necessário também um novo tipo de profissional de ensino. Que esse profissional não seja apenas reprodutor de conhecimento já estabelecido, que esteja voltado ao uso dessas novas tecnologias. Não basta que as escolas e o governo façam com a multimedia o que vem fazendo com os livros didáticos, tornando-os a panacéia da atividade do professor.

A utilização da Internet leva-nos a acreditar numa nova dimensão qualitativa para o ensino, através da qual se coloca o ato educativo voltado para a visão cooperativa. Além do que, o uso das redes traz para a prática pedagógica um ambiente atrativo onde o aluno se torna capaz, através da auto-aprendizagem e de seus professores, de poder tirar proveito dessa tecnologia para sua vida.

A preocupação de tornar cada vez mais dinâmico o processo de ensino e aprendizagem, com projetos interativos que usem a rede eletrônica mostra-nos que todos os processos são realizados por pessoas. Portanto elas são o centro de tudo, e não as máquinas. Consequentemente, não podemos perder isto de vista e tentarmos fazer mudanças no ensino sem passar pelos professores, e sem proporcionar uma preparação para este novo mundo que esta surgindo.

Aliar as novas tecnologias aos processos e atividades educativas é algo que pode significar dinamismo, promoção de novos e constantes conhecimentos, e mais que tudo, o prazer do estudar, do aprender, criando e recriando, promovendo a verdadeira aprendizagem e renascimento constante do indivíduo, ao proporcionar uma interatividade real e bem mais verdadeira, burlando as distâncias territoriais e materiais. Significa impulsionar a criança, enfim, o sujeito a se desfazer da persona da passividade.

Necessário se torna que educadores se apropriem das novas tecnologias, vendo nestas veículos de expressão de linguagens e espaço aberto de aprendizagens, crescimento profissional, e mais que isso, porta de inserção dos indivíduos na chamada sociedade da informação. Para isso deve a instituição escolar extinguir o "faz-de-conta" através da pura e limitada aquisição de computadores, para abrir o verdadeiro espaço para inclusão através do efetivo uso das máquinas e do ilimitado ambiente web, não como mero usuário, mas como produtor de novos conhecimentos.

O computador se tornou um forte aliado para desenvolver projetos, para trabalhar temas discutíveis. Ele é um instrumento pedagógico que ajuda na construção do conhecimento não só para os alunos, mas também aos professores. Entretanto é importante ressaltar que por si só o computador não faz nada. O potencial de tal será determinado pela teoria escolhida e pela metodologia empregada nas aulas. No entanto, importante lembrar que colocar computadores nas escolas não significa informatizar a educação, mas sim introduzir a informática como recurso e ferramenta de ensino, dentro e fora da sala de aula, isso sim se torna sinônimo de informatização da educação.

Sabe-se que a mola mestra de uma verdadeira aprendizagem está na parceria(aluno-professor) e a construção do conhecimento nesses dois sujeitos.Para que possa haver um ensino mais significativo que abranjam todos os alunos, as aulas precisam ser participativas, interativas, envolventes, tornando os alunos sempre “agentes” na construção de seu próprio conhecimento. Também é essencial que os professores estejam bem preparados para lidar com esse novo recurso. Isso implica um maior comprometimento desde a sua formação, estando este apto a utilizar, ter noções computacionais, compreender as noções de ensino que estão nos software utilizados estando sempre bem atualizados.(...)

Índice

[esconder]
LEIA MAIS EM : http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

INTELECTUAIS,REALIZADORES E GRATIDÃO!! SEM DEMAGOGIAS!!

Tentando levar as palavras à sério,vou até a Wikipédia e pego a definição de DEMAGOGIA:
"Demagogia é conduzir o povo a uma falsa situação. Em termos etimológicos provém do Grego, querendo dizer "a arte de conduzir o povo".

Dizer ou propor algo que não pode ser posto em prática, apenas com o intuito de obter um benefício ou compensação.

No nosso contexto actual, está muito associado ao mundo da política e a promessas de "mundos e fundos", que depois na prática não se concretizam.

Dizem os manuais que o demagogo, na sua expressão grega primitiva, era apenas o chefe ou condutor do povo, sem qualquer sentido pejorativo, e, como tal, se qualificavam Sólon ou Demóstenes, intimamente ligados à defesa da democracia. Contudo, a expressão sofreu uma evolução semântica, deixando de ser uma arte neutral, principalmente depois da morte de Péricles, em 429 a.C., quando surgiram novos líderes, não ligados às antigas famílias, os quais, a partir do século seguinte, começaram a ser fortemente criticados pelos adversários dos modelos democráticos.(...)" leia mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Demagogia

Este mundo virtual que muitos classificam como sendo superficial,
arrisco dizer que poderemos reverter isso,ou transformar(palavra que aprendi a usar com Helena Singer,e sou eternamente grata a ela e a todos que cruzaram meus caminhos!),poderia tentar citar tudo o que tenho aprendido também com meus amigos virtuais! e posso dizer que não foram coisas superficiais, pelo contrário!
Reverter a superficialidade do ciberespaço,está em nossas mãos!
Assim como transformar para melhor seja lá o que for!
Temos como membro neste blog, nada mais, nada menos do que um "discípulo" de Maurício Tragtenberg, o Ozaí, o chamarei assim, pois antes de tudo ele é um grande amigo que também dedico minha gratidão! AH!! mas não aquela gratidão antiga e estagnada! esta também transformei!(risos) Transformei no sentido de
saber que se eu conseguir realizar algo em conjunto com ele e com todos vocês,
aí sim poderei dizer que minha gratidão é real e não "demagoga".
As sementes quando jogadas em terrenos férteis, quase sempre germinam!
Então, ainda faltou falar de Evandro Castlilho,este grande cara, que se não fosse ele, hoje nunca estaria aqui a escrever em blogs e a tentar realizar coisas novas!
Evandro marcou! representou a antítese de muitas coisas !(falando em bom filosofês!!kkk) Evandro jogou na minha cara a importância de ser realizador!
Evandro,assim como Illich,Tolstói,Paulo Freire,Helena Singer,Tragtenberg,e tantos outros, que ao invés de só ficarem nas torres do intelectualismo,colocaram os pés na realidade e as mãos na massa! Como eu sempre fui mais do fazer,do que intelectual, me identifiquei logo!
Ainda não consegui definir exatamente o que será este blog!
Só sei que resolvi escrever hoje aqui, porque tenho sonhos em relação à ele! e graças à vida,um grupo existe! São vocês! sem união não podemos fazer nada!
Seria bem interessante que juntos fossemos compondo a estrutura deste blog,que se tudo for caminhando...quem sabe ele extrapole a blogosfera!...o ciberespaço,e possa ir de encontro com as ideias de Tragtenberg, de Illich, de Levy...e de tantos outros!

Agradeço muito mesmo a todos que citei e aos outros,
que pessoalmente estou sempre a reconhecer seus valores!
Esqueci da turma do Lumiar! deram-me um grande empurrão!

Abraços pra todos e feliz 2009!
Nadia Stabile - 22/12/08

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

IVAN ILLICH E AS REDES

As Novas Redes

Segundo o autor, há quatro espécies de recursos ou Redes, nos quais a educação se baseia. A função das novas instituições educativas seria tornar estas redes disponíveis e acessíveis a todos.

I- Um serviço encarregue de pôr à disposição do público os objectos educativos, isto é, os instrumentos, as máquinas e os aparelhos utilizados para a educação formal.

II- Um serviço de troca de conhecimentos, uma lista actualizada de pessoas desejosas de fazer aproveitar os outros da competência própria, mencionando as condições em que desejariam fazê-lo.

III- Um organismo que facilitaria os encontros entre pares. Verdadeira rede de comunicações, registaria a lista das pretensões em matéria de educação daqueles que se lhe dirigissem para encontrar um companheiro de trabalho ou de pesquisa.

IV- Serviços de referência em matéria de educadores que permitiriam estabelecer uma espécie de anuário onde se encontrassem os endereços dessas pessoas, profissionais ou amadores, fazendo ou não parte de qualquer organismo.


I - O acesso aos objectos educativos

Segundo Illich, os objectos materiais constituem um recurso educativo fundamental. O autor enfatiza a importância da utilização e manipulação, quer dos objectos que são concebidos numa perspectiva puramente educativa, quer dos que fazem parte da vida quotidiana. Para permitir o acesso a estes bens materiais, os objectos concebidos com um fim educativo seriam apresentados em bibliotecas, laboratórios, salas de exposição (museus e salas de espectáculo, por exemplo); os outros, utilizados nas actividades diárias, em fábricas, aeroportos, quintas, etc., poderiam ser acessíveis às pessoas que desejassem conhecê-los durante um período de aprendizagem ou fora das horas de trabalho.

Na opinião do autor, o Homem encontra-se cada vez mais afastado da natureza real dos objectos concebidos pela nossa sociedade, uma vez que desconhece a constituição e o funcionamento da maioria dos produtos criados pela indústria que utiliza no dia a dia, como é o caso do telefone, ou de um simples relógio. "Com efeito, as crianças nascidas na era do plástico e dos especialistas da eficiência, não conseguem transpor certos obstáculos que se opõem à compreensão dos produtos da técnica moderna� (Illich, 1974, pp.19). Ainda que tente explorar e compreender esses objectos, é imediatamente desencorajado pela sociedade e até pelos próprios fabricantes, sob ameaça da sua avaria irremediável, de eventuais repreensões, ou utilizando vários outros pretextos. "O homem vive num meio que ele próprio concebeu e este ambiente artificial vai-se-lhe tornando tão impenetrável como a natureza o é para os primitivos� (Illich, 1974, pp.20).

No que respeita aos objectos concebidos com uma finalidade puramente educativa, como é o caso dos manuais escolares, livros, microscópios, computadores, etc., o autor considera que o acesso a estes bens materiais é também fortemente condicionado em termos de horários de acesso e de qualificações exigidas aos utilizadores. Sob o pretexto da sua conservação e protecção, o acesso aos mesmos é reduzido, retirando-lhes o seu potencial educativo. Por outro lado, alguns desses objectos, tais como os jogos didácticos realizados no âmbito escolar, são muitas vezes transformados em torneios, perdendo assim o seu carácter educativo e lúdico, desenvolvendo, em sua vez, o espírito competitivo. "É etiquetando todas as coisas, fazendo delas utensílios educativos, que a escola lhes faz perder a sua virtude viva� (Illich, 1974, pp.21). Illich propõe assim uma alteração das condições de acesso e utilização desses objectos, de modo a tornar acessíveis o meio físico e os recursos materiais próprios para a educação, devolvendo-lhes o seu valor educativo.

Segundo Illich, nas cidades modernas, o facto de as pessoas e, sobretudo as crianças, serem mantidas longe dos centros de actividades (fábricas, indústrias, etc.), sob o pretexto de que são particulares, impede o conhecimento e a compreensão dos métodos de produção. Neste sentido, acusa igualmente as empresas, bem como as entidades ligadas à investigação científica, de quererem, para seu interesse económico, manter a exclusividade no que respeita a conhecimentos técnicos e científicos, métodos e bens de produção, impedindo por isso a sua divulgação e impossibilitando a partilha de conhecimentos. O autor defende, pelo contrário, o reconhecimento do valor educativo destes centros de actividade e a permissão de acesso às respectivas instalações. Illich defende ainda que uma maior participação social das crianças através do desempenho de cargos na comunidades, contribuiria para o seu desenvolvimento pessoal, beneficiando igualmente a sociedade no geral.

"Desapareça o controle que o sector privado ou as instituições profissionais exercem sobre as possibilidades de educação contidas nos objectos� (Illich, 1974, pp.33).
II- A troca de conhecimentos

Illich defende a existência de um serviço de troca de conhecimentos cuja função seria permitir o encontro e a reunião de pessoas que queiram transmitir/receber um conhecimento específico. Essa troca, segundo o autor, seria baseada na demonstração directa por parte de quem pretende transmitir determinado conhecimento. São referidos exemplos como a aprendizagem de línguas, a culinária, a condução, etc. Ao constatar o desaproveitamento de muitas das pessoas capazes de demonstrar determinado conhecimento, Illich manifesta-se contra a exigência de diplomas e currículos aos educadores. "Os diplomas representam um obstáculo à liberdade da educação, fazendo do direito de partilhar os seus conhecimentos um privilégio reservado aos empregados das escolas� (Illich, 1974, pp.38). Considera ainda desprovido de sentido esperar dos educadores que inspirem o gosto de aprender nos alunos, já que acredita que esse interesse existe em cada um. "A instrução tem de partir de uma escolha pessoal" (Illich, 1974, pp.21).

Actualmente, de acordo com o autor, não existe partilha de conhecimentos técnicos por parte do profissional moderno, pois a especialização e o monopólio da informação são tidos como uma vantagem competitiva em relação aos demais. Illich defende por isso a criação de centros abertos ao público, em particular nas zonas industriais, que forneçam certas habilitações: saber ler, escrever à máquina, aprender línguas estrangeiras, conhecer a programação, compreender circuitos eléctricos, etc. Propõe ainda um sistema em que aquele que adquira determinados conhecimentos nestes centros, se dedique posteriormente à sua demonstração. Para tal, existiriam organismos e centros de informação encarregues de estabelecer e difundir as listas dos educadores voluntários e dos educandos interessados e as informações sobre ambos. "Apareceria uma escola inteiramente nova, constituída por aqueles que teriam ganho a sua educação partilhando-a com os outros" (Illich, 1974, pp.40).

Na perspectiva do autor, os exames curriculares utilizados como critério de escolha pelos empregadores, deveriam ser substituídos por provas práticas de competência, baseadas na demonstração dos conhecimentos. Desta forma, a selecção do profissional seria não só mais justa, como também mais eficiente e vantajosa para o empregador. "Basear a escolha, em matéria de emprego, apenas numa competência demonstrada, por oposição a toda a discriminação que parta de um currículo educativo" (Illich, 1974, pp.40).
III- A reunião dos pares

Illich defende a ideia de que "um autêntico sistema educativo deveria permitir a cada um escolher qualquer actividade, para a qual procuraria um par da sua força" (Illich, 1974, pp.42). O termo pares refere-se a pessoas que, partilhando interesses e aptidões comparáveis, decidem realizar juntas a sua pesquisa, ou que se unem para se exercitar na prática de uma actividade partilhada. Esta definição inclui conjuntos de pessoas interessadas em actividades tão diversas quanto comentar livros ou artigos, praticar determinados jogos, realizar excursões, partilhar conhecimentos de mecânica, ou qualquer outra actividade.

Para permitir a aproximação e o encontro daqueles que, num dado instante, partilham um mesmo interesse específico, o autor propõe a organização de reuniões entre crianças desde a mais tenra idade como forma de incentivar a descoberta e partilha de interesses comuns. Propõe ainda a criação de um sistema, ou rede de comunicação apoiada numa base de dados informática, onde cada utente procederia a uma inscrição indicando o seu nome, morada e actividade para a qual pretendesse companheiro(s). As respostas à respectiva solicitação seriam dadas através do correio ou, nas grandes cidades, através de terminais informáticos. "Uma tal rede dispondo de recursos públicos seria o único meio de garantir o direito de livre reunião e de preparar os cidadãos para esta actividade fundamental� (Illich, 1974, pp.44). O direito de reunião livre de pessoas, apesar de ser reconhecido legal e politicamente, é desrespeitado sempre que a lei impõe determinadas formas de reunião que passam por um recrutamento obrigatório, de que são exemplo o Serviço Militar e a Escola. Descolarizar passa então pela abolição dessa obrigatoriedade, ao mesmo tempo que pelo reconhecimento do direito à participação de qualquer pessoa numa reunião de pares, independentemente da idade ou do sexo. Os edifícios escolares seriam reconvertidos em pontos de encontro de acesso livre para a reunião dos pares, criando-se assim um espaço privilegiado para a troca de ideias.

Illich prevê o surgimento de objecções a estas redes, nomeadamente por poderem (a) ser consideradas um meio artificial de contacto; (b) ser menos acessíveis aos pobres, que mais dela necessitam; (c) constituir uma forma de comunicação impessoal (através dos computadores); (d) desagradar aos que consideram que qualquer aproximação deve basear-se em experiências partilhadas e em afinidades profundas. No entanto, ressalva outras características que considera compensatórias, como a possibilidade de participação em vários grupos de pares e de reunião de pessoas de diferentes pontos geográficos capazes de permitir partilhar experiências de vida muito diferentes. Segundo Illich, este sistema de comunicação poderia dar origem ao aparecimento de comunidades, ou seja, ao desenvolvimento da vida comunitária à escala local, em muitos casos desaparecida. A rede de comunicações permitiria ainda aos cidadãos uma maior independência das instituições públicas, bem como uma perspectiva mais crítica e livre relativamente aos profissionais creditados que lhes prestam os serviços, cuja competência não pode, de outra forma, ser aferida. A troca de informação através das redes de comunicação, permitiria ao estudante escolher o seu professor, ao doente conhecer o seu médico, etc.
IV- Educadores profissionais

A ideia base é a de que se os cidadãos dispusessem de possibilidades de escolha da sua instrução, aumentaria a procura de especialistas nas áreas do seu interesse. Desta forma, a descolarização da educação contribuiria para dinamizar a procura de indivíduos possuidores de uma competência prática, assegurando a sua independência e, logo, a sua credibilidade.

Illich distingue três tipos distintos de competências educativas necessárias ao funcionamento das redes:

a) administradores educativos - encarregues de pôr em funcionamento as redes, ou seja, de garantir a eficiência e permanência das vias de acesso aos serviços administrativos;

b) conselheiros pedagogos - responsáveis por guiar estudantes e pais na utilização das redes, isto é, auxiliar a encontrar o caminho mais apropriado para atingir os respectivos objectivos;

c) iniciador educativo - mestre ou verdadeiro guia, encarregue de auxiliar nos caminhos da exploração intelectual.

As duas primeiras são consideradas como verdadeiras profissões educacionais, que visam facilitar os encontros entre os seres desejosos de aprender e aqueles que possam servir-lhes de orientação, permitindo-lhes o acesso aos objectos educativos. Quanto ao iniciador educativo, ser-lhe-ia exigida disciplina intelectual, imaginação vasta e vontade de se associar a outras pessoas para as esclarecer. Neste último caso, estabelecer-se-ía uma relação de mútua estima entre mestre e discípulo, de onde ambos retirariam prazer, o que beneficiaria, em muito, a aprendizagem. É para mestre e discípulo "uma espécie de recreio (em grego scholê), porque esta actividade contenta-se com ter um sentido para ambos, sem se propor qualquer objectivo particular" (Illich, 1974, pp.58). Neste sentido, o iniciador educativo tornar-se-ía numa espécie de pedagogo, uma vez que, ao contrário do professor tradicional, teria o poder de agir fora da escola, sobre a sociedade inteira.

Em suma, para Illich, a defesa do direito de livre acesso aos instrumentos de ensino e do direito de partilhar conhecimentos e crenças com outros, pressupõe uma revolução educativa que:

* torne livre o acesso às coisas, abolindo o controle que as entidades particulares e as instituições exercem sobre o seu valor educativo;
* torne livre a partilha das aptidões, garantindo o direito de as ensinar ou de as demonstrar a pedido;
* torne livre os recursos criadores e críticos dos seres humanos, restituindo a todo o indivíduo o poder de convocar reuniões ou de participar nelas;
* liberte o indivíduo da obrigação de limitar as suas esperanças de acordo com os serviços que podem oferecer-lhe as profissões estabelecidas.


"A descolarização da sociedade extinguirá inevitavelmente as distinções entre a economia, a educação e a política, sobre as quais repousam a estabilidade do mundo actual e das nações"(Illich, 1974, pp.62).

FONTE : http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/illich/index.htm#As%20Novas%20Redes

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