quarta-feira, 29 de abril de 2009
Geometria Fractal: Arte ou Ciência?
Os fractais são formas geométricas de dimensão fracionária. Eles servem como ferramenta para: descrever as formas irregulares da superfície da terra; modelar fenômenos, aparentemente imprevisíveis (teoria do caos), de natureza meteorológica, astronômica, econômica, biológica, etc. Os fractais permitem desenhar (ou modelar) qualquer coisa (ou fenômeno) da natureza numa tela de computador (computação gráfica), tudo isto graças a álgebra dos números complexos.
A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA É FUNDAMENTAL! IVAN ILLICH ESCREVEU QUE O CONHECIMENTO HUMANO NÃO PODE SER DE PROPRIEDADE DE NIGUÉM! PERTENCE A TODOS!
"Tem sido objeto de especulação a data do nascimento da divulgação científica. Situam-no alguns no século XVII, quando começou a surgir a moderna ciência e o conhecimento dos sistemas do mundo passou a fazer parte da educação das pessoas. Representativo desse esforço de espalhar a ciência seria o livro de Bernier le Bovier de Fontenelle "Entretiens sur la pluralitè des mondes", publicado em 1686. Criatura extraordinária, esse sobrinho de Pierre Corneille foi nomeado secretário da Academia de Ciências e assim entrou em contato com os principais sábios de seu tempo, em particular os chamados filósofos naturais, cujas idéias absorveu e procurou difundir.
"Poderíamos então considerar Fontenelle como popularizador da ciência se ele escrevia apenas para a aristocracia, que era a classe interessada nesse tipo de conhecimento, e manifestava até a convicção de que o conhecimento científico devia constituir o privilégio da elite? Dedicando sua obra a uma gentil marquesa, que se supõe imaginária, jamais escondeu que a massa ignorante não deveria ter acesso aos "mistérios" a cujo respeito se informava entre os filósofos naturais. Seu objetivo era, pois aristocratizar a ciência, em vez de massificá-la, como pretendem fazer os atuais divulgadores.
"Não podemos, todavia, censurar o prestativo e culto Fontenelle pelo raciocínio que desenvolveu. Como explicar ciência a um público maior, se este era praticamente analfabeto? Somente com ampla difusão da escola se alcançaria a real popularização do conhecimento.
"Essas dúvidas levaram-nos a sustentar que a divulgação científica encontra seus antepassados naqueles sofistas que, no dizer de Highet, iam de cidade em cidade ensinando aos gregos "o que nenhum outro povo do Mediterrâneo jamais aprendera, isto é, que o pensamento é, por si só, uma das maiores forças da vida humana". Dir-se-á que aqueles sofistas debatedores não ensinavam especificamente a ciência, mas a arte de pensar e duvidar. O que a nosso ver os aproxima dos modernos divulgadores é o empenho em mobilizar na população o conhecimento, qualquer que seja ele.
"Diferentemente pensa a Dra. Laming, que em aprofundado estudo prefere situar o início da divulgação em 1830, e na França. Muito nos agrada registrar a localização, nesse País, do berço da atividade a que temos dedicado tantos anos de nossa vida, porque foi em livros franceses, originais ou traduzidos, que em nossos tempos jovens inundavam a irrisório preço as livrarias brasileiras, que encontramos os primeiros chamados para a ciência.
"Como eram palpitantes aqueles livros, singelamente escritos pelos maiores cientistas do mundo. Numa época em que as escolas pouco faziam para dar aos estudantes um efetivo preparo científico, eles pareciam como verdadeira benção a quem sentia dentro de si, ainda mal definida, a paixão pelo conhecimento da natureza em termos objetivos.
"O advento da Revolução Industrial trouxe o interesse por um tipo especial de divulgação. Com o progresso técnico alguns homens de larga visão entenderam conveniente dar aos mecânicos e outros profissionais de mesmo nível conhecimentos básicos de ciência, para melhorar-lhes o desempenho. A situação educacional da grande massa, de onde saíam aqueles trabalhadores, ainda não permitia superpor-lhes uma formação científica. Malogrou mais de uma tentativa nesse sentido, continuando a ciência limitada aos seus artífices e a reduzida aristocracia no século XIX.
"Mudaram os tempos e a escolarização aumentou. Cresceu o interesse do público por assuntos de ciência e muitos jornais os incluíram em seu texto. Quando do lançamento do primeiro sputnik dobrou nos jornais americanos, segundo alguns, o espaço dedicado à informação científica, que por vezes se infiltrou nas manchetes.
"Mudaram os tempos e a escolarização aumentou. Cresceu o interesse do público por assuntos da ciência e muitos jornais os incluíram em seu texto. Quando do lançamento do primeiro sputnik dobrou nos jornais norte-americanos, segundo alguns, o espaço dedicado à informação científica, que por vezes se infiltrou nas manchetes.
"Diferenciou-se em certos países uma espécie de repórter científico, espécie da qual Lorde Ritchie Calder, que começou sua carreira como jornalista de polícia, e chegou a professor de relações internacionais, constitui excelente exemplo. Não foi, todavia, fácil a penetração da ciência pelo jornalismo puro. Houve sérias lutas e graves desentendimentos, culpados ambos os lados, os jornalistas, ainda pouco diferenciados para esse mister, muito preocupados com os aspectos sensacionais da ciência, e os cientistas por vezes demasiadamente zelosos quanto à precisão da informação, entendendo caber no jornal o jargão por eles empregado em seus encontros com outros cientistas. Foi a luta do sensacionalismo com a torre de marfim.
"Os progressos operados na própria imprensa e na mentalidade dos cientistas permitiram que se chegasse a um razoável meio termo e até animou o cientista a buscar com certa atividade a redação dos jornais e assumir o encargo sobre sua ciência para o grande público.
"Olhando a lista dos prêmios Kalinga podemos ver que as duas categorias se acham nela representadas. Se entre os cientistas se destacam um de Broglie, um Lorenz, um von Frisch, um Gamow; entre os jornalistas temos, além do citado Calder, o pioneiro Waldemar Kaempffert. Examinando esse rol percebe-se ser maior o número de cientistas do que de jornalistas agraciados, o que talvez se explique por serem, vários dos cientistas premiados, verdadeiros apóstolos da disseminação da ciência e do amplo debate de suas implicações políticas, econômicas e sociais. Assim devemos encarar a presença de um Rabinowitch, fundador do "Bulletin of the Atomic Scientists", hoje "Science and Public Affaire", de um Abelson, há tanto responsável pela revista "Science", ou de um Piel, que fez o "Scientific American" o principal órgão de alta divulgação no mundo moderno.
"No Brasil a divulgação se implantou tardiamente, se é que podemos dizer esteja ela firmada. Em nosso País, como em outros na faixa dos ainda em busca de desenvolvimento, durante muito tempo se confundiu com divulgação científica a informação técnica de natureza agrícola ou sanitária, que em certas nações, segundo podemos verificar num seminário realizado em 1963 no Chile, ainda é a única atividade que aparece regularmente com o título de divulgação científica. Esta é algo diferente do transmitir orientação sobre como fazer em determinadas situações.
"A divulgação científica radicou-se como propósito de levar ao grande público, além da notícia e interpretação dos progressos que a pesquisa vai realizando, as observações que procuram familiarizar esse público com a natureza do trabalho da ciência e a vida dos cientistas. Assim conceituada, ela ganhou grande expansão em muitos países, não só na imprensa mas sob forma de livros e, mais refinadamente, em outros meios de comunicação de massa.
"Recentemente um conhecido divulgador inglês, Maurice Goldsmith, hoje quase exclusivamente preocupado com os problemas mundiais de política de ciência, de que trata na revista "Science and Public Policy", que dirige, proclamou que a popularização da ciência, nos tempos que acabamos de referir, perdeu sentido no mundo atual, que por tantos meios enseja o cidadão comum sentir o progresso da ciência e sua natureza. Em lugar desse tipo de popularização o que importaria hoje fazer seria a promoção do debate em torno da implicações sociais, políticas e econômicas do progresso científico, mobilizando para isso uma classe que a divulgação em geral tem mobilizado pouco, os cientistas sociais.
"Não disse novidade Golsmith, pois em mensagem que enviamos ao I Congresso Ibero-americano realizado em Caracas salientáramos a imperiosa necessidade desse tipo de ação, que deve acordar o público e os cientistas para as responsabilidades que a ciência acarreta para uns e outros. É impossível aceitar, porém a drástica conclusão de Goldsmith, que aliás reconhece o seu exagero. Pelo menos em países que se acham no estado de desenvolvimento do nosso, a experiência diz que a ciência divulgada pelo jornal encontra muitos consumidores que a ela não teriam fácil acesso.
"Não podemos perder de vista nossas deficiências educacionais. A divulgação criteriosamente feita nos jornais e nas revistas serve para preencher lacunas de formação básica ou mesmo específica. Segundo nos relatou o Prof. Paulo Sawaya, nossos artigos de divulgação eram uma das principais fontes de informação atualizada dos professores que concorriam ao ingresso no magistério secundário.
"Tantos anos depois de havermos começado, não é sem muita alegria que encontramos, hoje, professores eminentes que dizem haverem encontrado sua vocação em artigos que escrevemos. E que notamos não serem poucas as pessoas que, partindo da informação dada nesses artigos, encontram a pista para a solução de problemas por vezes graves, até mesmo de seu relacionamento com os profissionais a que os confiam.
"Esse aspecto configura uma fase interessante da divulgação científica, que continua muitas vezes em correspondência particular, uma vez que nem todos os assuntos podem transformar-se em artigo de jornal, tão limitado o seu interesse.
"Minha conclusão é a de ser a divulgação científica uma atividade útil e necessária, que mereceria apoio ainda maior do que já tem, que justificaria muito maior empenho a fim de tornar cada vez menor o desperdício de informação científica, que hoje é muito grande, segundo Thistle, pois numerosas são as barreiras que se interpõem entre a descoberta e o conhecimento científico, de um lado, e sua comunicação e absorção pelo público de outro (barreira do próprio conhecimento limitado do cientista, barreira da linguagem, barreira do segredo profissional, barreira da imprimibilidade, barreira natural do auditório). Mereceria ela, a meu ver, maior compreensão dentro das universidades, como atividade extracurricular que, sem dúvida, é das mais importantes, e como esforço, dos mais dignos, de educação do homem comum e de sua integração mais segura na sociedade a que pertence, tão profundamente influenciada pela ciência e pela tecnologia."
http://www.eca.usp.br/nucleos/njr/Dr. José Reis
compilado pela Dra. Nair Lemos Gonçalves
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Miguel Nicolelis, seus sonhos e nossos sonhos...
| Novembro 2008 |
Unidade de Macaíba -- O mais importante foi que ele falou sobre nunca desistir. -- O que achei mais significativo foi que ele falou de ir em busca dos -- Saber da importância da avó em sua vida. -- Ele ter nos escutado e vice e versa. -- A presença de Miguel Nicolelis, porque ele é nosso presidente é médico -- O orgulho de ser brasileiro. -- Ele estar pronto para responder as perguntas dos alunos. -- O gosto na profissão de ser cientista e dele falar de sua vida. -- Das dicas de como falar em público, de responder as perguntas dos -- Ao declarar que nós alunos somos o sonho dele. -- Quando ele descobriu que o cérebro era como uma sinfonia. -- Pelo incentivo dado a nós de seguir nossos sonhos. Unidade de Natal -- Para mim foi bom, eu sempre quis saber quem foi o homem que -- O exemplo de um sonho que está quase completo, que depende da -- Eu fiquei comovida foi quando ele falou que a ciência tem capacidade -- Os experimentos dele sobre a macaca que se movimentou e fez o -- Ele contou como surgiu a escola e a gente pôde ouvir os sonhos de -- O fato de ele lutar pelos seus sonhos mesmo quando ninguém -- Esse dia ficou marcado na minha vida... me incentivou mais ainda -- Que todos os sonhos são possíveis. -- Achei muito interessante por que ele falou um pouco do nosso brasileiro -- Que essa foi a primeira escola do mundo que é assim. -- Gostei de saber que somos famosos em outros lugares. -- Achei interessante o jeito dele se expressar, pensei que um cientista http://www.natalneuro.org.br/noticias_brasil/2008-11novembro.asp |
Nicolelis, Miguilins e o Mutum
Miguel Nicolelis(Guimarães Rosa, in: Manuelzão e Miguilim)
Triste, triste é o talento que nunca pode florescer, que persiste perenemente asfixiado na anemia de recursos e de oportunidades. Doloroso é ver vidas que se queimam inapelavelmente na fogueira da miséria, cuja fumaça é vista de longe por olhares soberbos com preconceito, desprezo e arrogante presunção.
Lindo e sublime é contemplar o manancial se abrir sobre a carência, fazendo aflorar inteligências e dignidade de viver, tornando realidade o que antes era um longínquo potencial.
Miguilim, menino pobre, mas curioso com um mundo do qual não vê nada além de imagens borradas que o cerca, tem sua travessia rosiana marcada pelo encontro com o Dr. José Lourenço, que lhe percebe a miopia e lhe coloca os óculos, permitindo ao garoto ver um universo que, mesmo próximo, nunca lhe fora tangível.
“Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...”.
As lentes corretivas, a possibilidade de estudar na cidade: o dr. José Lourenço é o catalisador de um processo que dará a Miguilim a possibilidade de se desenvolver como pessoa.
Numerosos são os “Miguilins” Brasil afora. E poucos, muito poucos, são os “doutores José Lourenço”.
Apesar do que se poderia supor a partir do nome, o paulistano Miguel Nicolelis não é um “Miguilim”. É um “dr. José Lourenço”.
Quando ainda era estudante de medicina na USP, nos anos 80, Nicolelis fundou uma associação acadêmica que permitiu às crianças carentes da região utilizar as quadras esportivas da universidade. A entidade estudantil existe até hoje e, através dela, milhares de crianças que não tinham possibilidade de praticar esportes podem fazê-lo em um ambiente que cultiva valores como a solidariedade e o espírito de equipe.
O atual projeto liderado por Nicolelis é muito maior do que a escolinha de esportes. Mas o tamanho de seu desafio não faz frente à grandeza de seu caráter.
Aos 47 anos, Nicolelis é um pesquisador de primeira grandeza nas neurociências, tendo sido apontado como um dos 50 cientistas mais influentes do mundo pela Scientific American. Há anos coordena na Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA), um laboratório que está na vanguarda da neuroengenharia. Os animadores resultados de seus trabalhos exploram a movimentação de próteses mecânicas sob controle do pensamento, a partir de microchips implantados em regiões estratégicas do cérebro. Suas pesquisas podem trazer uma possibilidade terapêutica extraordinária para pacientes vítimas de lesões medulares, posicionando-o entre possíveis futuros laureados pelo Prêmio Nobel.
Tantos anos produtivos e gloriosos no “Primeiro Mundo” não lhe esfriaram a consciência sobre o país de onde veio. O panteão nacional e a bossa-nova que emana da página do seu laboratório na internet são reveladores. Cônscio do impacto que a educação e a ciência têm na trajetória de um povo, Nicolelis decidiu capitanear um ambicioso projeto que tenta colocar no mapa das neurociências a pobre Macaíba, cidade próxima da capital do Rio Grande do Norte.
É lá que ele cravou a bandeira do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN), com o propósito de estabelecer um pólo avançado em neurociências, atraindo pesquisadores da área, sobretudo jovens brasileiros que se encontram espalhados em universidades do exterior.
Além dessa vocação para a excelência na pesquisa, o alvo do IINN é ainda mais amplo: é usar a ciência como agente de transformação social. Por isso, no complexo do Instituto, há também um centro de saúde e duas escolas com bem equipados laboratórios de física, química e biologia, acolhendo jovens carentes de 11 a 17 anos.
Conhecedor das dezenas de boas idéias que brotaram no Brasil, mas que naufragaram em vicissitudes político-econômicas, Nicolelis impulsionou o IINN não só com o apoio dos governos estadual do RN e federal, mas, sobretudo, com o suporte estrangeiro. Nicolelis usou seu enorme prestígio para estabelecer parcerias e angariar fundos junto a prestigiosas instituições do mundo todo, como o Instituto Max Planck (Alemanha), além de universidades da América do Norte, da Europa e de Israel.
O sonho de Nicolelis levantou vôo, embora nem todos os projetos ligados ao instituto estejam já funcionando. Mas já há pesquisadores produzindo ciência, publicando resultados em jornais importantes. É o caso de Sidarta Ribeiro, ex-aluno de pós-doutorado no laboratório norte-americano de Nicolelis. Apaixonados pelo desafio, eles dizem com firmeza: “Escolhemos Natal porque acreditamos que a produção científica brasileira precisa ser descentralizada do eixo Rio - São Paulo - Minas Gerais. O conhecimento de ponta deve ser disseminado para outros pontos do país; o Nordeste é a Califórnia brasileira.”
Por mais comovente que seja ver o empenho obstinado de um brilhante cientista que poderia nunca mais olhar para o Brasil, não será Nicolelis e seu IINN que salvarão o nordeste. Ele não é um messias. Tampouco será a transposição do São Francisco ou o Bolsa Família que transformarão o sertão. Não será uma ação governamental isolada que resgatará esse pedaço negligenciado do Brasil. Será um ciclo virtuoso de investimentos individuais, privados e estatais que trará o desenvolvimento à região, segurando migrantes, magnetizando talentos, gerando riqueza. Talvez já esteja começando, com a Ford na Bahia, com Porto de Suape em Pernambuco, com o petróleo em Mossoró, com o IINN no Rio Grande do Norte, com o turismo que atrai cada vez mais europeus para os resorts e pousadas do nordeste.
Acreditar e investir no poder civilizador da produção e difusão do conhecimento é a via mais segura rumo ao desenvolvimento, rumo à dignidade de vida. É o que fará esse jovem país “Miguilim” livrar-se de sua miopia, passando a enxergar o mundo, a si mesmo e seus enormes problemas sem indulgências, sem patriotadas, mas com a esperança que advém do trabalho, do talento, da inteligência e da coragem.
“E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia.”
Quando curados da miopia causada pela ignorância, pelo preconceito, pela covardia e pela falta de compromisso cívico, o país que se descortina diante dos nossos olhos argutos é ainda cheio de problemas graves, mas pleno de riquezas e de possibilidades. É o nosso Mutum, o nosso BRASIL.
PS: Depois de uma longa temporada na Holanda, Fernando Sampaio retornou ao Brasil. Com sua consciência cheia de ideais iluministas (Lumières), ele empenha sua experiência, sua cidadania e seu trabalho na construção de um país melhor. Leia seu depoimento em:
http://aterceiramargemdosena.blogspot.com/2008/05/nicolelis-miguilins-e-o-mutum.html
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